quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A MALDADE VESTE VERDE
Do ponto de vista energético, é horrivel. Imagine só o gasto de energia com transporte e CONGELAMENTO!!!
Do ponto de vista econômico, deve ser uma das formas de energia mais caras já imaginadas.
Parece maldade pura.
sábado, 24 de outubro de 2009
Duplo angélico
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
VENDO O LADO BOM DAS COISAS
Alguém dirá: mas os seus três senadores, ninguém os leva a sério.
É verdade, mas isso poderia ser bem pior. Poderiam leva-los.
domingo, 5 de julho de 2009
UM VÍCIO CHAMADO SOBERBA III
Como os leitores já devem ter percebido, não discordo da atualidade dos dons do Espírito do Eterno. Mas, dito isto, temos de reconhecer que o pentecostalismo moderno, nas suas diversas vertentes, merece um capítulo à parte na história da soberba. É um tema um tanto difícil e espinhoso, ainda mais se desejamos evitar generalizações e má compreensão dos motivos das pessoas. Toda pessoa que conhece ou conheceu por dentro alguma vertente pentecostal, sabe do que estou falando. Existe um problema de soberba dentro do pentecostalismo, como existe dentro de qualquer movimento humano, mas existem particularidades a respeito da ocorrência da soberba entre os pentecostais, e é por isso que eu digo que esse assunto merece um capítulo à parte. Há alguns pontos que quer por em relevo sobre isto:
- Soberba no suposto uso do Dom de profecia.
Não é difícil prever como o suposto dom de profecia pode ser um meio de opressão sobre os irmãos e obtenção de poder. Um pouco de leitura a frio, o conhecimento dos conceitos da congregação sobre a “doutrina” e sobre a pessoa que “recebe” a “profecia”, percepção das suas atitudes, modo de se vestir e se portar, reações à própria fala do “profeta”. Os motivos do “profeta” podem ser vontade de aparecer, desejo de poder, vingança, loucura. Alguns realmente confundem seus próprios pensamentos com uma suposta revelação. Sobre a dinâmica de como isto é recebido pelo povo, falarei depois. O ponto que quero ressaltar é que muitos pastores tem percepção de que algo errado está (ou pode estar) acontecendo, e se sentem desconfortáveis sobre isto, mas não sabem como lidar com o problema. Por que? As abordagens de muitos pastores a respeito do tema parecem-me ruins. Acredito, entre outras coisas, que tais pastores não tem instrumentos mentais com os quais possam tratar situação, e isto é, em grande parte, sinal dos tempos.
Tenho visto duas abordagens principais. Há aqueles pastores que fazem uma abordagem binária: Os dons devem ser aceitos totalmente sem nenhuma contestação, pois isto seria impedir o “mover” do Espirito Santo. Quem pensa assim não tem parâmetros, as profetadas, supostos dons de línguas e “unções” as mais estapafúrdias tem livre curso, por mais estranhas, desrespeitosas e prejudiciais que sejam. Ou os dons devem ser proibidos e ponto.
Outra abordagem é a analógica. Muitos pastores julgam que devem encontrar um suposto “equilíbrio” no tratamento da questão. Não parece que muitas pessoas tenham alguma idéia clara do que seja esse tal “equilíbrio”, de maneira que dificilmente podem encontra-lo. Mas a Bíblia fala a respeito de como lidar com o problema, visto que há vários textos no livro de Atos dos Apóstolos e principalmente nas cartas, que falam sobre os dons do Espírito. A 1ª Carta aos Coríntios é particularmente reveladora, pois trata especificamente dos vários problemas que podem estar associados à questão. E a abordagem que o apóstolo Paulo faz nessa carta não diz nada a respeito de “equilíbrio” (o que parece uma figura de linguagem que mais obscurece que clareia a questão) mas sim sobre compreender os fundamentos da questão, e com sabedoria aplicar essa compreensão aos casos objetivos. Figuras de linguagem podem se tornar muletas mentais, que substituem a compreensão real do problema por analogias, ao mesmo tempo que a mente anestesiada julga estar realmente pensando sobre o problema. A figura do equilíbrio, em particular, tirada de um conceito físico, induz aquele que a usa a adotar algum tipo de “meio termo”, o que pode ser uma solução boa ou não (geralmente não). Segundo a abordagem de Paulo, toda profecia, e portanto, toda língua interpretada, deve ser julgada espiritualmente (mas em muitos casos, só a confrontação com a Bíblia e com a lógica podem ser suficientes). Isso levará parte das profecias a serem aceitas e (grande) parte não, sendo que muitas ficarão “penduradas”, esperando o desenrolar dos acontecimentos. Não tem nada a ver com “equilíbrio”, é uma abordagem muito mais inteligente e prática. - Soberba por não ser “tradicional”.
É bastante visível essa soberba em ação nos comentários, nas “análises”, na cegueira em relação às qualidades e virtudes de crentes “tradicionais” e na cegueira em relação aos pecados e loucuras de muitos pentecostais. No meu caso em particular, cheguei a firmar a crença na atualidade dos dons do Espírito pelo estudo da Bíblia, pelo confronto de argumentos. Mas, muitas pessoas que tiveram alguma “experiência”, ao invés de buscarem a explicação do que aconteceu-lhes na Bíblia, perdem a confiança no estudo da Bíblia, e juntam-se a grande LEGIÃO (quem lê entenda) dos que denigrem qualquer estudo sério e sistemático das Sagradas Escrituras. Os que estudam são acusados de estarem presos à “letra fria da lei”, de serem promotores do “racionalismo árido”. Fazem coro com gente que odeia a Bíblia, como os “emergentes”, o pessoal da “teologia relacional”, “teologia da libertação”, toda esquerda “cristã”, a “teologia liberal”, etc. Eu me entristeço profundamente quando vejo pentecostais junto com esses tipos. Quem não leu o Salmo 119, não sabe o que está perdendo. - Soberba por falar em línguas.
Isto é particularmente estranho. Entre os pentecostais há muitos que consideram a glossolalia uma evidência de estar cheio do Espirito Santo. Não está escrito ou subentendido em texto algum da Bíblia. Mas quem tem um objetivo prévio de tirar certa conclusão, freqüentemente acaba, mesmo que inconscientemente, fazendo “exegese” tipo “conta de chegar”. Para quem não concorda com a tese e sente-se intimamente livre para ver o óbvio, esse orgulho apresenta-se como aquilo que realmente ele é. É possível ver claramente o desastre acontecendo bem diante dos nossos olhos. - Estimulando a soberba dos “ungidos do Senhor”.
Eu já falei sobre isso em outro texto aqui, o soberbo é intrinsicamente manobrável. Sendo um instrumento útil, seus mentores resguardarão seu “patrimônio”, incentivando sempre esse aspecto tão “interessante” da sua personalidade. Eu já falei sobre pastores que não sabem como tratar o problema, mas é óbvio que isso não encerra o assunto. Há muitos “pastores” que não teriam nenhum motivo para considerar a soberba dos “profetas” como um problema, se é que o leitor entende o que estou falando. Mas há mais do que crime doloso aqui. Dentro da própria congregação, a loucura de uns é apoio para a loucura de outros. E há um ponto particularmente espantoso sobre a psicologia de grupos: Não é a opinião da maioria que se impõe, mas a “opinião” de quem grita mais, de quem se impõe, de quem ameaça ou se faz de vítima (ou ambas as coisas ao mesmo tempo), de quem detrata, mente e abusa. É claro que a “superação” do “pensamento lógico desumano” ajuda bastante. Os piores casos são os de “pastores” promotores da maldade, em confluência com congregações particularmente desequilibradas. O resultado, como costuma acontecer numa dinâmica dessas, é o cerceamento das consciências, pois “ai de quem falar contra os ungidos do Senhor”. E a medida do pecado do povo continua aumentando.
Uma última palavra. Ninguém, por ser pentecostal, queira vestir uma carapuça que não lhe cabe. É um problema endêmico (mas não “universal” no meio pentecostal) , mas as piores coisas da descrição acima aplicam-se a casos extremos … como o de IVONE MUNIZ.
sábado, 27 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
CONHECE AO SENHOR – PARTE 3
“Julgou a causa do aflito e do necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz o Senhor.” Livro do profeta Jeremias, capítulo 22, verso 16. a respeito do bom rei Josias.
VISTA
Que bem podemos alcançar, em uma Igreja caída? Ou, colocando de outra forma, como devemo-nos guardar em meio a uma geração perversa? Há advertências específicas para os tempos da apostasia, nos quais já estamos entrando, mas não começarei por elas. È importante lembrarmos de onde caímos, como disse o Messiah à igreja em Éfeso (Apocalípse, capítulo 2). É difícil lembrar, pois esta é a primeira igreja, portanto fala de algo que aconteceu há muito tempo.
O verdadeiro amor não se ensoberbece, e se um pecado primevo da Igreja gentílica é a soberba, então é certo que deixou o amor. Quem quiser guardar-se do espírito deste século, deixe de lado primeiro seu ódio aos judeus, característico destes últimos tempos. Tal ódio, em outros tempos mais explícito, hoje esconde-se sob as mais diversas capas, instigado todo dia pela imprensa e pela academia e pela 'igreja emergente' . O ser humano de hoje considera-se tão 'puro' e 'imaculado', tão pacifista, que não toleraria olhar de frente para seu próprio ódio. Assim esconde-o sob aparência de 'bondade' e 'desprendimento'. Em menos de cem anos nós, os humanos, massacramos, prendemos e torturamos muito mais dos nossos semelhantes, por 'idealismo' e 'bondade', do que jamais havíamos feito, em qualquer outro século, por interesse próprio.
Feito isto, estamos prontos para o segundo passo. Leiamos as palavras de nosso Mestre. Mas as leiamos com muito mais respeito do que jamais as temos lido. Não podemos, se afirmamos que nosso Salvador é a Palavra do Eterno encarnada, trata-lo com menos respeito do que seria tratado um autor qualquer. Mas o mínimo de respeito por um autor qualquer, exige, de um leitor instruído, que considere suas palavras no contexto do seu debate com seus precursores e contemporâneos. O que vou sugerir ao leitor é talvez quase inimaginável, sob o peso de quase dois milênios de ódio atroz contra tudo que é judaico, mas vou dizer mesmo assim: Leia Yeshua e seus emissários no contexto dos debates judaicos anteriores e contemporâneos a eles. Não dê muita atenção a comentários atuais sobre tal contexto, pois tais comentários estarão contaminados por visões extemporâneas. Escave as fontes, e leia o máximo que conseguir de citações de documentos os mais antigos. Quando os comentários posteriores citarem textos antigos, dê mais atenção aos textos citados do que aos comentários, não deixe sua mente escrava dos comentaristas. Se souber alguma língua antiga, tanto melhor. Deixe sua mente imbuir-se do contexto, rejeite 'esclarecimentos' simplificadores, mas tente apreender os debates na sua complexidade. Separe os diversos debates, os diversos debatedores, e os diversos contextos. Lembre-se sempre que Yeshua e seus emissários eram JUDEUS. Qualquer coisa que soe grega, seja estoicismo, gnosticismo, platonismo, não é parte real dos debates de Yeshua, que viveu a maior parte da meninice e toda sua vida adulta em Israel, falava hebraico (e aramaico) e conhecia muito bem os ensinos das diversas tradições rabínicas. Portanto, concentre-se no que é propriamente judaico. Quanto aos emissários, vale a mesma regra. Mesmo Saul (Paulo) é um autor judaico, discípulo do grande rabino Gamaliel. Tudo que houver de grego nele é apologética ou tradução de algum conceito judaico. Se você não encontrar a raiz hebraica de algo que Paulo disse, então você não terminou a lição de casa. E tenha sempre em mente que o Messiah e seus emissários dialogaram com seus antecessores e contemporâneos, mas não tiveram compromisso nenhum com autores posteriores. Tudo que foi dito depois, até o dia de hoje, é sempre suspeito de ser postiço ao debate real deles. Isto é o mínimo de consideração que merece qualquer autor. Não tratemos o Messiah e seus emissários com menos respeito que isto.
Terceiro passo: “Conhece ao Senhor”. Este é o mais difícil de todos. Haverá um tempo no futuro em que muitos conhecerão ao Senhor. Mas isto é oposto à espiritualidade deste era. Vivemos tempos de apostasia, em que há 'espertos' que sabem estar se aprofundando nos mistérios de Satanás e tolos que, julgando estar encontrando Deus, também estão se aprofundando nos mistérios de Satanás. Esta é a era da igreja emergente, a igreja de Laodicéia (leia Apocalipse), que pensa estar encontrando tesouros espirituais, mas nunca soube discernir entre o ensino do Espírito Santo e o ensino de espíritos enganadores. Conhecer ao Senhor exige uma santidade que não temos, um amor verdadeiro ao próximo. Mas vivemos a era do falso amor, em que os de consciência culpada apóiam trambiqueiros e totalitaristas, abusadores de crianças e loucos, terroristas e genocidas, se tão somente a imprensa lhes disser que, apoiando tais pessoas, serão 'do bem'. Mas é possível amar realmente, se amarmos as pessoas e não a nossa imagem. Se você quiser que digam “você é do bem”, então você será escravo da sua imagem, escravo das forças das trevas. Mas se você não se importar que lhe digam “você é do mal”, então poderá ajudar realmente aqueles que o deus deste século não quer que sejam ajudados: Os seus irmãos perseguidos, e aqueles que não confiam no espírito da época, e aqueles que o espírito da época elegeu para serem sacrificados ao diabo.
Suponho que quem agir assim, terá a vista desanuviada. Verá o que nunca viu, enxergará as nações sem máscaras. O Espírito do Eterno instruirá tal pessoa.
AINDA O "AQUECIMENTO GLOBAL"
http://ecotretas.blogspot.com/2009/06/neve-no-reino-unido-em-junho.html
Quando o povo vai resolver deixar de ser pateta? A última década foi de estabilização e depois diminuição das temperaturas, mas a imprensa comprada continuou a ladainha.
domingo, 31 de maio de 2009
CONHECE AO SENHOR – PARTE 2
“E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.” Palavras de Yeshua, no Evangelho segundo Mateus, capítulo 13, versos 14 e 15.
“Digo pais: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas ´pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Porque convosco falo, gentios, que enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério; para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da milha carne [israelitas] e salvar alguns deles. Porque se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos? E, se as primícias são santas, também a massa o é: se a rais é santa, também os ramos o são. E, se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da siva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não é tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás pois: os ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que te não poupe a ti também.” Carta do apóstolo Paulo aos romanos, capítulo 11, versos 11 a 21.
TRAGÉDIA
A guerra fraticida entre duas religiões irmãs, o judaísmo pós-exílico e o cristianismo, ambas descendentes do judaísmo semi-nacional do primeiro século, inicia-se antes que as duas estejam totalmente formadas. Muitos rabinos odeiam o Messiah, Yeshua, que eles tem como apenas mais um seguidor da escola de Hilel. Inventam mentiras contra ele, interpretam mal suas palavras, colocam tropeços diante dele, e finalmente entregam-no aos romanos, que o matam. Quando os discípulos de Yeshua anunciam sua ressurreição, isto lhes parece a pior das afrontas. A ressurreição de Yeshua provaria que suas palavras eram verdadeiras, que ele era realmente o Messiah. Isto faria deles os assassinos daquele que era esperado por muitos séculos, pelo seu próprio povo. Assim, eles se juntam aos gregos e romanos na perseguição aos seguidores de Yeshua.
Já os seguidores gentios de Yeshua, pelo fim do primeiro século ou início do segundo, começam a desviar-se do seu ensino de amor e passam a aprender dos gregos o ódio contra os judeus. São pessoas de origem pagã, muitas vezes influenciados por seitas gnósticas que chegam a adentrar fortemente na igreja. O desprezo dos gnósticos pelos judeus e pela matéria impregna-se nestes 'cristãos'. Foi relativamente fácil torcer as palavras de advertência aos judeus por parte de Yeshua e dos emissários (apóstolos) para faze-las significar, em vez de advertência de amor, ódio, em vez de confirmação da Palavra profética, sua negação ou distorção, em vez de confirmação do Ensino de Moisés, seu desprezo. A igreja gentílica vira-se contra a própria raiz hebraica do cristianismo. Em meio à luta doutrinária, formas mais alucinadas da negação das raízes hebraicas, como o marcionismo, são deixadas de lado (pelo menos na aparência), mas o espírito daquilo que veio a chamar-se cristianismo, torna-se pesadamente anti-judeu. Os próprios nomes que escrevemos na Bíblia, “antigo testamento” e “novo testamento” são de origem marcionita.
Então acontece a catástrofe. Tendo já domado o espírito do 'cristianismo', as forças gnósticas (lembremos que esta era a religião oculta dos poderosos do império) dão o golpe final, tornando este 'cristianismo' desfigurado, em religião oficial. Milhões de pagãos tonam-se repentinamente “cristãos”, no que os entusiastas do evangelismo a qualquer preço de hoje poderiam considerar o mais importante movimento de “evangelização” da história (e esta história está começando a repetir-se). O imperador Constantino, sem jamais ter abdicado de seus cargos oficiais dentro do mitraísmo, torna-se também co-governante da igreja. Os antigos bispos cristãos (inclusive os de Roma) dos quais muitos sofreram e morreram para não arredar pé do que criam, não teriam aprovado acordo tão esdrúxulo. O bispo de Roma, fortalecido por sua ligação com o imperador, torna-se poderosíssimo e riquíssimo. A Europa torna-se 'cristã', mas como os próprios católicos viriam a compreender depois, Cristo (o Messiah) jamais entra dentro do seu espírito.
Mas quantos, tendo entrado na igreja por vias tortas, não vieram, conhecendo depois o evangelho do Messiah, a encontrar salvação? Se crermos que o Eterno é maior que o mal e que, portanto, não precisa dele, todos que encontraram salvação assim, teriam sido salvos de outra forma. Não sejamos como os ímpios que dizem, “façamos males para que o bem prevaleça”. Quando a Bíblia diz que o Eterno transforma o mal em bem, não quer dizer que Ele seja dependente do mal, mas que sua bondade, sabedoria e previdência são tão grandes que, antecipando-se ao mal, traça, a partir da situação particular que o homem enfrentará, um escape pelo qual este chegará ao Bem.
RESULTADOS PREVISTOS
Na Carta aos Romanos, capítulo 11, Saul (Paulo) adverte os crentes gentios para não se ensoberbecerem contra os judeus, pois se assim agissem não seriam poupados, mas cairiam da mesma forma que os ramos naturais. Vamos tentar entender o que Paulo disse: Ele fala de ramos naturais (judeus) que foram “cortados”. E interessante notar que tais pessoas, isto é aqueles ministros que mataram o Messiah, não foram cortados no sentido de terem sido excluídos do judaísmo, mas continuaram fazendo parte da comunidade de Israel. Não era uma tragédia visível. Como Joab, eles continuaram exercendo seus cargos, mas estavam longe da presença do Eterno. A pior coisa de esconder de si mesmo os próprios pecados, é que tal estratégia pode ter sucesso. A sensação horrível de estar excluído da presença do Eterno, e uma não consciente expectação do castigo, que não podem ser resolvidos pelo arrependimento ('mudança de mente', isto é ver o Bem e o mal da perspectiva divina), pois seus crimes reais estão escondidos de sua consciência. A Bíblia declara “o que encobre suas transgressões jamais prosperará, mais aquele que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”. Mas os seres humanos, por regra, tentam esconder seus crimes da sua própria consciência, e o pior castigo que podem sofrer é obter sucesso nessa empreitada fatídica. Uma alma nessa situação tem reações estranhas. Pode atribuir-se crimes fictícios, ou atribuir crimes fictícios aos outros, ou ver a si mesmo como um “impecável”, ou adorar alguém (ou a sí mesmo) como um deus. Tal estado tem o poder de distorcer o senso de realidade, e mentiras óbvias, que noutra situação seriam percebidas, são inexplicavelmente engolidas. Tal pessoa é uma presa fácil para todo tipo de enganador “pasto para as feras do campo”. Sua sede pelo espiritual acaba sendo “saciada”, mas não pelo Eterno.
Eu pouco sei a respeito do fim que tiveram aqueles ministros que rejeitaram o Messiah, mas eu conheço um pouco melhor uma outra história que muitos dos leitores também conhecem. A advertência de Paulo, como o leitor bem sabe, não foi de forma nenhuma acatada, na maior parte da história da Igreja. Ensoberbecer-se contra judeus é o que cristãos usualmente tem feito por quase dois milênios. Paulo fala que tais pessoas deveriam temer ao Eterno, caso contrário, também seriam cortadas. E, como a história confirma foi exatamente o que aconteceu. Também não foram cortados, em geral, no sentido explicito, mas acabaram tornando-se uma grande massa de joio, em meio a pouco trigo. De perversão em perversão, crime em crime, paganismo em paganismo, o 'cristianismo' decaiu tanto, até que alguns papas, entre o fim da idade média e o início da moderna chegaram a ser considerados, por cardeais, arcebispos e escritores católicos como verdadeiros “anti-cristos”.
Agora, como todos podem ver, olhando ao redor, as advertências do Messiah aos fariseus, nos capítulos 13 e 15 do Evangelho segundo Mateus, são claramente aplicáveis à Igreja gentílica quase inteira, seja nas suas vertentes romana, oriental ou protestante. A única esperança da Igreja é que o Eterno conforme sua profecia, separe o joio do trigo.
Continuarei depois esta série de artigos.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
CONHECE AO SENHOR – PARTE 1
“Eis que vem dias, diz o Senhor, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha Lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais a seu próximo nem alguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o mais pequeno deles até ao maior, diz o Senhor, porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.” Livro do profeta Jeremias, capítulo 31, versos 31 a 34.
“E ele [Yeshua] disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.” Evangelho segundo Mateus, capítulo 13, verso 52.
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” Evangelho segundo João, capítulo 14, verso 26.
“Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seus coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.” Palavras de Yeshua, no Evangelho segundo Mateus, capítulo 15, versos 8 e 9.
“ E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.” Palavras de Yeshua, no Evangelho segundo Mateus, capítulo 13, versos 14 e 15.
“Digo pais: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas ´pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Porque convosco falo, gentios, que enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério; para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne [israelitas] e salvar alguns deles. Porque se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos? E, se as primícias são santas, também a massa o é: se a rais é santa, também os ramos o são. E, se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não é tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás pois: os ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que te não poupe a ti também.
Considerai pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. Porque, se tu fostes cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados, na sua própria oliveira! Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos); que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim, TODO O ISRAEL será salvo, com está escrito: 'De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados.' Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque OS DONS E A VOCAÇÃO DE DEUS SÃO SEM ARREPENDIMENTO.” Carta do apóstolo Paulo aos romanos, capítulo 11, versos 11 a 29.
CEGUEIRA
Para começar, peço desculpa aos leitores por ter colocado alguns trechos em caixa alta. Não considero os meus leitores como analfabetos funcionais, mais ficarei feliz em abrir os olhos mesmo a alguns destes que por acaso passarem por aqui. Vamos às minhas considerações.
Há bastante tempo, tenho conversado com minha esposa e com outras pessoas a respeito da dificuldade de muitos evangélicos, inclusive pastores, em entender muito da Bíblia. Não falo de pessoas tão faltas de conhecimento que isto não deva ser levado em conta. Falo de pessoas que realmente estudaram teologia. Alguns dirão que falta discernimento espiritual para compreenderem as coisas mais profundas. É verdade, falta direcionamento espiritual. Já dizia o apóstolo, que os crentes são guiados pelo Espírito do Eterno. É certo que para ser assim dirigido, o crente (incluindo os pastores) devem permanecer quietos algum tempo diante do Eterno (João 14: 26). E hoje pouca gente se permite tal tempo. Quanto aos atuais ministros do evangelho, ao contrário dos apóstolos, muitos consideram sua ocupação mais importante servir as mesas, no lugar de dedicar-se à oração e ao estudo da Palavra Santa (quem conhece o livro dos Atos dos apóstolos, sabe do que estou falando). Não penso que os ministros de outras tradições cristãs estejam em melhor situação.
Entristece-me que “métodos” e “estratégias” humanos sejam considerados mais importantes que ouvir a voz do Espírito. Todo tipo de engano e manipulação tem entrado na Igreja, pois os ministros não identificam o real problema: Eles são órgãos do corpo sem comunicação com a Cabeça. Leitura da Palavra, oração e meditação são a resposta. Quem age assim, ao ouvir seus irmãos, percebe as palavras que estão de acordo com o Eterno, e as que são da carne. Deixa de ter só coisas velhas em seus tesouros, só conceitos que aprendeu há muito tempo, e que dificilmente se tornam verdadeiros em sua vida (Mateus 13: 52).
Mas a falta de discernimento chega a ser tanta, que não se pode explicar apenas pela leniência no estudo e na meditação. Parece mais que distração, parece haver uma venda nos olhos de muitos ministros e crentes. A Bíblia fala alguma coisa sobre este tipo de entenebrecimento dos sentidos? Epa! Fala sim, mas não pode ser . . . são palavras de Jesus Cristo aos judeus (Mateus 13: 14 e 15), mais especificamente aos fariseus. É isso mesmo, aos judeus, aqueles “desprezíveis” “hipócritas”, gente que é incapaz de compreender a doçura da “vida espiritual”, presos que estão à “letra fria” da “ultrapassada” “lei de Moisés”.
'Ei, espere aí', dirá o leitor, 'não me ofenda, não sou um anti-semita. Não estou preso a esses estereótipos medievais'. Pode ser que não. . . conscientemente. Mas você não pode negar que nossa cultura é anti-semita. Considere que talvez, algo do que pensa a atual igreja cristã tenha profunda raiz anti-semita. É este ponto que procurarei explorar, tirando daí algumas conseqüências.
HISTÓRIA
Talvez o leitor não saiba disto, mas os escritos gregos antigos que falam da religião judaica (pelo menos aqueles que chegaram até nós) não são muito lisonjeiros. De uma forma geral, procuravam depreciar o culto hebreu. Falavam, por exemplo, de um suposto bode que seria cultuado dentro do Lugar Santíssimo, no templo em Jerusalém. O tom geral desses escritos varia do desprezo à oposição. Pesquise o leitor a respeito, não é difícil comprovar o que digo. Essa má vontade primordial, essa tendencia à detração, deve ficar na mente do leitor, para que possa compreender minha argumentação.
Agora vejamos como começou aquilo que hoje é conhecido como “cristianismo” (uma palavra de sentido bastante amplo, que pode englobar, em suas várias acepções, coisas até incompatíveis). Haviam muitos Escritos proféticos na Bíblia hebréia (a Tanach, que hoje é mais conhecida como “Antigo Testamento”) a respeito de um personagem futuro, o Ungido (Messiah, transliterado do hebraico, ou Cristo, transliterado da tradução grega). Para compreender isso, deve-se saber que o ato de ungir uma pessoa (derramar azeite de oliva com certas ervas aromáticas sobre a cabeça) era uma cerimônia tipicamente israelita, pela qual profetas, reis e sacerdotes eram comumente estabelecidos. O ato tem sido interpretado como uma invocação ao Deus de Israel, pedindo que Seu Espírito guie e proteja a pessoa para que esta possa desempenhar bem sua função. Este Deus de Israel é YHWH, o “Eu Sou”, normalmente entendido como aquele que existe sem ser causado. Não me perguntem a pronúncia, pois os próprios judeus não têm certeza sobre isto.
A aparente incongruência entre os Escritos proféticos sobre o Messiah levaram, na antiguidade, alguns estudiosos hebreus a proporem a existência de dois ungidos (Messiah) um ditoso, reinando para sempre, outro sofredor, morto violentamente, mas ambos igualmente justos servos do Altíssimo. O livro do Profeta Isaías atribui ao Messiah sofredor a capacidade de servir como sacrifício expiatório pelo povo, de modo a trazer a este perdão, restauração e cura. A palavra que reunia estas três coisas era salvação, o que torna o Messiah o salvador. É essencial entender que isto não foi uma invenção cristã, mas algo vindo do judaísmo. O Talmude chega a mostrar o Messiah como um leproso e desprezado, explicando assim este texto profético. Outro ponto de difícil compreensão nos Escritos proféticos é a atribuição de nomes e características divinas ao Messiah. Há um único outro personagem (além de YHWH) a quem é atribuída divindade na Tanach: Aquele a quem certo targum chama de Palavra de YHWH, explicando as teofanias que surgem no começo da Tanach (pesquise).
Muitos supostos Messiah foram nomeados entre os judeus, mas em cada caso revelaram-se uma decepção. Por isto, aqueles judeus que são crentes na palavra profética, continuam esperando por ele. Outros criaram uma nova interpretação, segundo a qual o Ungido seria uma figura dos melhores entre o povo de Israel. Esta interpretação parece ter surgido como uma reação anti-cristã. Muitas interpretações dentro do judaísmo e do cristianismo parecem ter surgido como negação um do outro.
Para compreender a origem do cristianismo, devemos entender que o Caminho, nome antigo do grupo de judeus que criam que Yeshua é o Messiah, surgiu como um grupo religioso judaico. Isso é tautológico. Mas quero dizer num sentido mais estrito ainda. Eles se viam como judeus seguidores do Ensino (Torah de Moisés). Não eram um grupo de judeus que abandonaram o judaísmo. Mais do que isto, praticamente cada uma de suas doutrinas e práticas pode ser rastreada até suas raízes hebraicas e as doutrinas de seu mestre também. Não eram nem mesmo uma revolução dentro do judaísmo, mas apenas desenvolvimento “natural” dentro dele. É difícil para nós, gentios, percebermos isto, mas todos os ensinos principais de Yeshua eram um diálogo com rabinos de sua época e anteriores. Muito do que ele disse não era novo, embora boa parte não fosse pensamento dominante dentro do judaísmo da época, bastante dividido.
No judaísmo messiânico (o Caminho) a ressurreição de Yeshua integra os textos proféticos conflitantes, pois tendo ressuscitado em corpo glorificado, aquele que foi o servo sofredor pôde tornar-se Rei Eterno. Isto é peculiar a esta forma de judaísmo, mas não foi buscado como uma explicação teológica, e sim surgiu do fato da ressurreição. Outra crença peculiar é a integração entre os dois personagens de atributos divinos, o Messiah e a Palavra de YHWH. Até onde eu saiba, isto nunca tinha sido proposto antes de João ter feito esta integração, mas depois de feita, parece a explicação mais “natural”.
Este grupo religioso judaico depara-se, de repente, com uma situação inusitada. Surgem pessoas de outros povos, crentes no Messiah. Primeiramente samaritanos, isto é pessoas que seguem uma outra religião, intimamente aparentada com o judaísmo, mas diferente. São descendentes das tribos israelitas do norte, que se misturaram com outros povos trazidos pelo império assírio para Israel. Sua religião também era nacional, como a judaica, seguem uma versão da Torah um tanto modificada, não aceitam os Escritos e os Profetas (as outras duas partes da Tanach) e adoravam em Samaria, e não no segundo Templo, reconstruído por Esdras em Jerusalém. Se nem a Tanach completa eles aceitavam, certamente passavam longe do ensino dos rabinos. Impressionantemente, os judeus crentes no Messiah Yeshua aceitaram os samaritanos como seus irmãos, superando séculos de oposição entre os povos, sem exigir ou sugerir que devessem separar-se dos seus compatrícios e adotar o judaísmo propriamente dito. Até onde eu saiba, nenhum autor escreveu sobre isto e é estranho que um fato tão importante não tenha chamado a atenção.
Posteriormente, alguns gentios não samaritanos conhecem a fé no Messiah. Alguns crentes, vindos do farisaísmo, entendem e passam a ensinar que a os gentios crentes não terão “salvação” sem entrarem para o judaísmo primeiro (e por judaísmo queriam dizer também as interpretações mais aceitas entre os rabinos fariseus). A congregação dos crentes reúne-se em Jerusalém, desautoriza tal ensino e exige dos novos crentes apenas o cumprimento das Leis de Noé para serem aceitos como irmãos (além de certos preceitos éticos considerados universais, mas que poderiam não ser percebidos por pessoas vindas do paganismo).
No base desta doutrina de abertura da relação com o Eterno fora do judaísmo, está a percepção de que a Torah, princípio do judaísmo, contém aspectos particulares ao povo judeu no exercício de sua função nacional. Ligada à terra, ao povo e à história hebréia e, ao mesmo tempo, contendo as lições mais universais sobre o homem e sua relação com o Eterno, com seus semelhantes, e consigo mesmo, a Torah é um dilema que nunca havia (nem tem sido, desde então) suficientemente resolvido. Em toda sua formalidade, não é portável para fora da antiga nação judaica. Mas não portar tal Tesouro para todos os outros povos seria um crime. A doutrina paulina e o judaísmo de Akiva são duas formas diferentes de transpor a Torah para fora do judaísmo nacional. A doutrina de Akiva tenta transpô-la para uma religião comunitária de exílio. A doutrina de Saul (Paulo) torna-a pessoal, portátil. Um cristão pode viver oculto, em solidão, em qualquer lugar do mundo, sob qualquer regime, em qualquer família, sob qualquer condição cultural ou econômica, e manter-se cristão. Sua Torah está tão dentro dele, que ele pode viver sem símbolos dela.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
TERRORISTMO MIDIÁTICO: ECONOMIA
http://www.ordemlivre.org/node/490
POR FALAR EM DARWIN...
NO último dia 12 foi comemorado o 200º aniversário de nascimento de Charles Darwin. Jesus disse: “Pelos frutos os conhecereis.” Veja alguns dos FRUTOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO: 1) mais de 100 milhões de pessoas foram mortas no século passado por um dos filhos do evolucionismo, o MARXISMO; 2) milhões morreram, dentre eles 6 milhões de judeus foram vítimas de genocídio por dois netos do evolucionismo (filhos do filósofo Nietzsche), o NAZISMO e a EUGENIA (aprimoramento da espécie humana pela destruição de raças “inferiores”); 3) milhões de bebês foram assassinados no ventre por uma neta do evolucionismo (filha do marxismo cultural, através da Escola de Frankfurt), a REVOLUÇÃO SEXUAL; 4) outros milhões foram mortos por essa mesma neta, através do vírus HIV; 5) milhões de negros filhos de escravos sofreram discriminação, e muitos foram mortos pela Klu Klux Khan “cristã” por causa de um filho adotivo do evolucionismo, o RACISMO; 6) milhões de jovens e adolescentes são destruídos a cada ano pelas drogas, alcoolismo, suicídio, promiscuidade, por causa de outros filhos do evolucionismo, o RELATIVISMO MORAL e o EXISTENCIALISMO NIHILISTA (corrente filosófica segundo a qual a vida não tem sentido nem valor); 7) milhões de pessoas deixaram de reconhecer e se arrepender de seus pecados, preferindo acreditar que têm problemas psicológicos por culpa de seus pais, graças a outra filha do evolucionismo, a PSICANÁLISE; 8) os seminários teológicos na Alemanha e depois em todo o mundo começaram a colocar em dúvida os fatos relatados na Bíblia, principalmente os sobrenaturais, criando gerações de pastores e missionários sem convicções doutrinárias firmes por causa de outra neta do evolucionismo, a TEORIA LITERÁRIA CRÍTICA. Quer mais? Eu poderia falar de eutanásia, “mordaça gay”, “direito” das crianças (de serem insubmissas), etc. (E posso demonstrar que todas estes males beberam na fonte do evolucionismo.) Tudo isso por uma teoria que até hoje não pôde ser comprovada (nunca será), embora seus defensores tenham conseguido impô-la como verdade absoluta sobre a sociedade nos meios de comunicação e na escola. Hoje o evolucionismo é aceito pela fé, como se fosse uma religião. Ore para que o Espírito Santo abra os olhos de muitos estudantes que estão sendo submetidos a esse veneno; ore para que os pastores deixem de se acovardar diante da pressão do mundo e assumam uma defesa corajosa do criacionismo bíblico; ore para que mais igrejas procurem realizar palestras e conferências sobre o tema, trazendo cientistas e professores cristãos para mostrar como a Natureza comprova a Criação e não a evolução. Por que muitos teólogos aceitaram uma solução de compromisso, tentando conciliar evolução e criação, a Igreja enfraqueceu no evangelismo e na sua ética. Não seja indiferente a esse assunto, pensando que o importante para a Igreja é pregar o Evangelho. Sem Criação, não há Evangelho! Se antes do homem surgir na Terra, milhões de plantas e animais evoluíram, adoeceram, envelheceram e morreram, então não é verdade que a morte e a maldição da Natureza são conseqüência do pecado do primeiro casal. Além disso, se o homem está evoluindo, não há uma Queda e maldição na raça humana. E também, se o Gênesis não é confiável, porque o seria os Evangelhos? Não é à toa que muitas pessoas resistem ao Evangelho dizendo que são ateus ou agnósticos, não crêem em Deus e na Bíblia. Elas estão com a cabeça cheia de evolucionismo ou dos seus filhos e netos listados acima. Leia: Os Fatos sobre Criação e Evolução, de John Ankerberg & John Weldon; Criação versus Evolução: a Batalha pela Verdade, de Steve Herzig & Lorna Simcox; Evolução: uma Heresia em Nome da Ciência, de Júlio Severo. Sobre o dilúvio leia Quando as Pedras Clamam e os Montes Pregam, de Norbert Lieth. Recomendo o vídeo A Falta de um Mecanismo, de Randal Pollard, que mostra quais são os principais problemas científicos com a evolução (você pode adquirir na loja virtual do site Chamada da Meia-Noite). Veja outros vídeos criacionistas excelentes no site TV Origens. Em inglês há ótimos sites de cientistas criacionistas: Creation Ministries International, The Creation Research Society e Institute for Creation Research. Neste último, veja o texto What is there to celebrate about Darwin's 200th Birthday?, de Tas Walker, que mostra o que realmente está em jogo. Use esses materiais como recurso para fortalecer a sua fé; repasse para os que estão enganados para arrancá-los das garras do Diabo ou para aqueles filhos de crentes que estão estudando para prevenir que apostatem da fé por dar ouvidos ao ensino evolucionista. (Chamada da Meia-Noite & Julio Severo & Institute for Creation Research)
domingo, 15 de fevereiro de 2009
TERRORISMO MIDIÁTICO - CLIMA
Deve estar claro agora, para a maioria dos leitores, que o suposto “aquecimento global antropogênico” não é um consenso. Deve estar claro também que o 'lobby' político e econômico em favor da crença num aquecimento global antropogênico é poderosíssimo. Os fatos reais são os seguintes: Pode-se conceder, talvez, que houve algum aquecimento (uma fração de grau centígrado) em 150 anos. Digo talvez, pois climatologistas sérios dizem que é muito difícil extrapolar os dados mal distribuídos no espaço e no tempo, em um século e meio, para obter uma suposta “temperatura média” ano a ano, na atmosfera toda (na verdade, na atmosfera e nos mares, pois estes fazem parte do mesmo sistema termodinâmico). Mas, concedendo que tenha havido um aumento, irregular no tempo e no espaço, da “temperatura média global”, e concedendo mesmo que a variação de alguns décimos de grau num ente matemático tal como uma “temperatura média global” (qualquer que seja a sua definição) tenha algum significado real, fica claro que aqueles que “prevêem” um forte aumento da temperatura nas próximas décadas foram incapazes de prever sua recente queda. Alguns leitores com menos conhecimento das ciências naturais podem estranhar o fato de eu por em dúvida que haja algum significado real para pequenas variações na “temperatura média global”, mas isto é o normal nessas ciências. Para todas as grandezas físicas, não há significado real para variações pequenas (o que seja “pequeno” depende da grandeza física).
Mas, voltando ao assunto, não é espantoso que a recente forte queda de temperatura no hemisfério norte não tenha sido prevista. Cientistas críticos da tese do aquecimento global antropogênico dizem há muito tempo que os modelos matemáticos usados pelos aqecimentistas são grosseiros, e o próprio clima é excessivamente complexo para o atual conhecimento humano. Menos espantoso ainda é o fato da mídia não ter dado nenhum destaque às quedas de temperatura. Não é espantoso, mas é chocante, para quem não entendo o que está acontecendo. Já há vários anos tem havido uma diminuição da “temperatura média global” medida pelos critérios que foram usados para determinar o seu anterior aumento. Como, possivelmente, tal variação, por muito pequena, não tem significado real, podemos falar em 'não aumento'. Mas em meio à ação política e midiática dos aquecimentistas, a mídia considerou conveniente não falar sobre isto. Os recentes fortes invernos no hemisfério norte são o coroamento de um processo de anos, cuja publicidade estava, de certa forma, proibida. Agora, simplesmente ficou impossível negar os fatos.
Vamos tentar tirar conclusões do comportamento dos principais órgãos de imprensa do mundo, e dos EUA em particular:
1.Os aquecimentistas tiveram força política e econômica para impor sua agenda sobre a imprensa e a academia. Não são uns sujeitos fraquinhos lutando contra o “sistema”. São parte do “sistema”. E provavelmente pertencem à parte mais forte dele, pois tiveram força o suficiente para fazer a mídia em peso afirmar o falso e negar o verdadeiro.
2.Entre os “céticos” encontram-se um grande número de cientistas aposentados ou em fim de carreira, isto é, aqueles que são pouco ou nada afetados pela pressão econômica da distribuição de verbas, ao contrário dos aquecimentistas, sempre cientistas dependentes de verba. Portanto, os bastidores políticos da academia (e seus financiadores) estavam ao lado dos aquecimentistas.
3.Os “céticos” não são os poderosos, cheios da grana das grandes empresas, conforme se dizia. São pessoas que afirmavam a realidade, mas apesar disso eram tratadas como falsas, compradas, interesseiras. Elas não tiveram poder suficiente nem para fazer a imprensa noticiar os fatos mais evidentes.
4.Os políticos do partido republicano americano não tem força suficiente para afirmar uma verdade. Aqueles que tentaram se opor à febre aquecimentista foram vilipendiados pela imprensa sem dó. Portanto, não fazem parte do núcleo do 'Establishment' americano. São, no máximo, uma parte tão fraca dele que não tem poder para defender-se nem a si mesmos, quanto mais para serem o “poder dominante no mundo”, como a mídia brasileira os pinta. Um grupo de pessoas que é tratado como bandidos na grande imprensa, pelo fato de afirmarem a verdade, não podem ser os “donos do mundo”.
5.O negocio da imprensa é conhecer os fatos (para afirma-los ou para nega-los). Visto que a grande imprensa sabia dos fatos que agora se tornam evidentes, pode-se tirar conclusões a respeito do tratamento que deu aos “céticos”. Toda sua “denuncia” da “maldade” e “espirito mercenário” dos “céticos”, aparece agora como afetação maldosa e difamação. Quando Paul Krugman e outros colunistas ligados às esquerdas americanas ficavam “escandalizados” com a “irracionalidade” e “radicalismo” dos “céticos”, podemos agora entender que estavam, na verdade, fazendo campanha de difamação pública contra inimigos políticos (algo considerado normal, meritório mesmo, nas esquerdas).
6.Mentira e difamação em larga escala exigem muita grana. Mas não pode ser a grana principalmente da indústria, neste caso, pois a indústria americana é prejudicada ou pelo menos ameaçada pela política aquecimentista. Há grandes industrias, menos ligadas ao solo americano, que podem ter participado ou não do financiamento da fraude. Mas há um ramo dos negócios que pode conviver facilmente ao declínio da economia americana e até ganhar dinheiro com isto, e tem capital suficiente para bancar uma fraude desse tamanho. É o ramo financeiro, volátil por natureza, principalmente os especuladores financeiros. E quem é o principal financiador do partido democrata americano, das fundações esquerdistas e do “ambientalismo”? Justamente o ramo financeiro. O especulador George Soros está agora como os dois pés dentro do gabinete obâmico. Coincidência?
7.E finalmente, quem são os grandes perdedores? A população dos países pobres, escolhida para ser “tutelada ambientalmente” pelos órgãos globalistas, ONU, fundações internacionais, entidades de “defesa do meio ambiente”, a “sociedade civil organizada”, a imprensa. Decidirão, a partir de fora, quem pode crescer e quem não pode, quem deve passar fome, quem deve ter uma situação apenas “tolerável” e quem pode fazer negócios em larga escala.
8.Quem são os grandes ganhadores? Todos os globalistas. Pelo medo de crises e em nome da proteção, se criaram grandes impérios. O medo é um poderoso agente de domínio sobre o público, que nunca seria desprezado pelo globalismo.
Se isso não é terrorismo, o que é? “Exagero” é um eufemismo, diante de tanta impostura da grande mídia.
Sugiro ao leitor a consulta aos seguintes endereços:
http://mitos-climaticos.blogspot.com/
http://www.metsul.com/secoes/?cod_subsecao=33
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Orquestra da vida (Texto da Ivania)
São notas que se vão, deixando para trás espaços vazios,
com entoações às vezes de alegria e às vezes de tristezas.
Uma coisa, é certa, a vida sempre nos surpreende, na sua trajetória musical.
Saudades são notas esquecidas, e partituras não lidas em noites de verão.
No coração, estão marcados os compassos
que damos em passos de lentidão,
tentando estender as notas a mais tempo de existência.
Com alegria ou com tristeza, a vida é
a música mais suave que gostamos de ouvir.
Por várias mãos são tocadas,
teclas diferentes de instrumentos urgentes,
mãos que muitas vezes, estão ausentes.
Estão presentes em notas silenciosas,
na memória de quem ainda reconhece suas cordas
presentes no instrumento chamado vida;
vidas de singela sinfonia,
que ainda estão tocando em suave harmonia;
às vezes tristeza, às vezes alegria;
sons, batuques e melodias;
a vida é a orquestra que, quando termina, o som das palmas são:
“volta outra vez!!”
GUERRA. MORTES E NÃO MORTES DE CIVIS.
Qual o motivo do número relativamente pequeno de mortes de civis israelenses, após tantos anos sob ataque de mísseis palestinos? Milhares de mísseis caindo sobre a população civil, teriam provocado uma hectacombe em qualquer pais do mundo. Mas em Israel, provocou a morte de “apenas” umas poucas centenas de pessoas.
A aprovação da construção de uma casa, em Israel, envolve necessariamente a previsão de um ambiente de estrutura reforçada (frequentemente um banheiro ou um porão), capaz de fornecer alguma proteção contra explosões. Um sistema de radares integrados em todo país detecta os mísseis inimigos, determina sua trajetória e zona de impacto e aciona sirenes para avisar a população sob risco. Após o impacto, o excelente serviço de emergência israelense minimiza possíveis perdas de vida, com um socorro muito rápido e ótimo atendimento hospitalar, que salvam pessoas que seriam consideradas desenganadas em muitos hospitais do mundo.
Apesar de minimizar muito o número de mortes, a proteção dada aos civis pela governo israelense não impede os imensos danos materiais, inclusive pela interrupção constante do trabalho. Os danos psicológicos, principalmente para as crianças, são terríveis.
Provocando a morte de civis que não são alvo
O principal objetivo do terrorismo é a guerra psicológica. Terroristas precisam de mortos, e caso não os obtenham entre os civis do outro lado, podem obtê-los do “seu” próprio lado (como se o terrorista estivesse “do lado” de alguém). Como obter mortos? Simples. Colocando civis na linha de tiro. “Melhor” ainda, lançando misseis do meio de bairros, escolas, mesquitas, etc. A retaliação provoca mortes, e os terroristas poderão alegar que a morte de civis era o objetivo “real” da retaliação. Funciona perfeitamente se os jornalistas estiverem do lado dos terroristas e o público for bastante trouxa. Mas isto pode “melhorar” ainda mais. Edifícios civis podem ser usados como depósito de munição e armas. “Melhor” ainda, se for “armadilhado”, com cargas explosivas especialmente preparadas para explodir da forma mais fácil possível.
E quanto aos civis, como garantir o maior número deles? A fanatização da população é “útil”, mas pode não ser suficiente. Trancar pessoas ou mante-las sob armas de fogo garante a “cooperação”. Impedir a saída da população das ruas e bairros de maior concentração de foguetes, inclusive com a morte sistemática dos que fogem, eis aí uma técnica aprovada pelo uso. Seqüestros de crianças nas ruas de gaza para uso como escudos humanos tem sido registrados (veja vídeos na internet). Em último caso, importa-se mortos (técnica inaugurada no Líbano). De qualquer forma, os terroristas detém o monopólio dos números “isentos”, aceitos pela imprensa.
sábado, 10 de janeiro de 2009
DIREITA
Sendo eu um direitista, tentarei descrever para o leitor meus pensamentos a respeito de vários assuntos, nos quais eu me vejo em oposição ao movimento revolucionário, e aos seus movimentos de apoio.
1.O direitista crê numa sociedade leve e num governo leve, quase uma forma mais branda de anarquismo. Tem um certo temor de que um número excessivo de regras ou um controle excessivo do governo (e da “sociedade civil organizada”) sobre as pessoas, tire delas a liberdade de falar, de pensar, e até mesmo a percepção da realidade. O direitista acredita na Lei natural, isto é acredita que as regras devem considerar a natureza intrínseca da condição humana e a percepção da Justiça dentro do homem.
2.Por causa disso, o direitista é desconfiado quanto ao aumento do número de leis e regulamentos. Quando uma nova norma é proposta, o direitista pensa se não seria um bem, ou um mal menor que aquela lei não existisse. Nós tendemos sempre a preferir fortemente soluções institucionais e legais mais simples e menos coercitivas. E estamos certos quanto a isso, pois soluções legais extremamente complexas e altamente restritivas geralmente são um desastre.
3.Pelo mesmo motivo, o direitista prefere que a atuação do governo na economia seja mais limitada. Mas, vejam só: para nossa sorte, a economia funciona melhor quando o governo não a controla excessivamente. Os regimes de maior intervenção do governo na economia foram os de menor liberdade e maior carência de recursos, inclusive comida.
4.Mas uma sociedade e um governo leves pressupõem que as pessoas terão de tomar mais decisões por si mesmas, serem menos tuteladas. Isso pressupõe que as pessoas terão de ser responsabilizadas pelos resultados dos seus atos. Um direitista tende, portanto, a ser menos “bonzinho” e “compreensivo” com os erros e crimes das pessoas. Mas, que sorte a nossa, as sociedades nas quais se exige das pessoas a responsabilidade pessoal pelos seus atos, são mais pacíficas e se desenvolvem melhor.
5.Sendo mais desconfiados em relação ao funcionamento das instituições públicas em geral, e do governo em particular, os direitistas rejeitam propostas completas de reconstrução da sociedade, por governos, supra-governos e seus anexos.
6.Entendemos que o ser humano não teria capacidade suficiente para definir de maneira clara as conseqüências da infinidade de fatores atuais, para determinar de maneira inequívoca o curso da história nos próximos séculos. E nem mesmo é provado que o conjunto total dos fatores atuais determina inequivocamente todos os fatos futuros.
7.Portanto, não estranhamos que o curso da história tenha seguido uma direção tão diferente da prevista por qualquer ideologia. Estranhamos sim é que existam muitas pessoas que depositam toda sua fé nas previsões de ideologias cheias de erros de análises, erros sobre os fatos, e até má-fé. Apesar de tudo, tais ideologias não só são ainda amadas pelos “intelectuais”, mas todos os crimes cometidos em nome delas são tidos como coisinhas insignificantes pela maioria dos formadores de opinião.
8.Considerando que a economia é apenas um aspecto do homem e da sociedade humana, nós direitistas podemos ficar atentos a toda forma de opressão. Sabemos que a opressão pode vir pela busca de poder, e não só pela busca de dinheiro, e que a inveja e o desejar mal ao seu vizinho são forças tão ou mais poderosas que o desejo de enriquecer. Sabemos que há regimes de força, onde não há mecanismos de resistência da sociedade aos desatinos dos seus governantes (na verdade, tais mecanismos seriam ilegais em tais regimes). Contrariamente aos idiotas úteis, não nos causa espanto algum que tais regimes tenham se revelado extremamente opressores, ao ponto de serem genocidas na real acepção do termo.
9.Contrariamente aos socialistas, não vemos como um mal a derrocada econômica dos países socialistas. Seria um mal muito grande que regimes tão opressivos e genocidas fossem viáveis a longo prazo.
10.Sendo um cético a respeito do planejamento de longo prazo e da capacidade de previsão do homem, o direitista é relativamente apegado às tradições. Ele acredita que as mudanças mais lentas são geralmente melhores que as repentinas, pois o ser humano precisa de tempo para avaliar os efeitos reais de seus atos, freqüentemente muito diferentes dos efeitos esperados.
11.Por não crermos excessivamente na capacidade humana de previsão, e mais ainda, por crermos no direito natural à liberdade, cremos que a engenharia social é um mal terrível, e seus proponentes e executores deveriam ser denunciados e combatidos.
12.Por crermos no valor da liberdade humana, consideramos como geralmente prejudiciais mecanismos de tutela sobre pessoas adultas e sãs, nisto incluídas as polícias do pensamento (censura prévia, “politicamente correto”, domínio da imprensa pela expulsão dos jornalistas divergentes, etc).
13.Sabemos e não temos preconceitos que nos impeçam de afirmar, que a terrível perseguição que os regimes socialistas executaram contra grande parte da população, não se limitou ao combate a elementos que pudessem desestabilizar tais regimes. Na quase totalidade dos casos, o poder daqueles que foram perseguidos era desprezível, e via de regra não eram pessoas que poderiam sequer sonhar em desestabilizar o governo. O principal motivo de tão grande perseguição, qual nunca se viu igual em toda a história, foi simplesmente a mentalidade assassina e paranóica dos líderes socialistas e a consciência de que dirigiam um regime essencialmente mau, ao qual o povo combateria se pudesse ter real liberdade.
14.Entre outros motivos, por não crermos na capacidade humana de conhecer o futuro, deploramos e odiamos toda “moral” finalista, isto é, a que julga os atos dos homens pelas suas supostas contribuições para a execução de um “grande plano para o bem da espécie humana”. Em particular, julgamos como criminosos, assassinos e genocidas os socialistas que agiram e agem como criminosos, assassinos e genocidas.
15.Não sentimos nenhuma necessidade de aparentar a falsa “isenção” exigida pelos “politicamente corretos”. Podemos simplesmente criticar os regimes socialistas sem ter de fingir que acreditamos que qualquer mal que eles tenham praticado tem necessariamente que ser contrabalançado por algum mal equivalente em regimes não socialistas. Não nos sentimos na obrigação de acreditar em declarações de intenções de socialistas em desacordo com tudo que conhecemos da realidade de seus atos. Não sentimos obrigação de nos curvarmos à chantagem do vitimismo. Não sentimos obrigação de nos curvarmos às loucuras do “politicamente correto”. Não sentimos obrigação de acreditar em “pacifismos” de um lado só, com toda aparência de guerra de propaganda. Não sentimos obrigação de fazer vista grossa aos genocídios que ocorreram no passado e que ocorrem hoje, praticados por socialistas ou incentivados por eles. Não sentimos obrigação de nos envergonharmos de nossas crenças religiosas conforme os sacerdotes do esquerdismo as declarem culpadas. Em particular, aqueles direitistas que são cristãos não sentem obrigação de se envergonhar de Cristo, por ordem dos esquerdistas. Não sentimos obrigação de considerarmos qualquer intelectual orgânico superior a nós, na vã esperança de escaparmos de seu ódio, nem sentimos obrigação de considerar mentirosos, genocidas e colaboradores de genocidas como o padrão moral superior da humanidade.
domingo, 4 de janeiro de 2009
LIBERDADE: INFORMAÇÃO
Em outro artigo, expus minha opinião de que o homem goza do mesmo tipo de liberdade do Eterno, embora em escala limitada. Entendo que um resultado disto é a possibilidade de que homens tomem decisões erradas. Sendo livre o homem pode permitir inclusive que o mal surja dentro dele. Neste momento, ele deixa de ser livre e torna-se escravo do mal. Conforme entendo, a graça comum impede que esta escravidão seja completa, a ação do Espirito do Eterno “contrabalança” o mal, induzindo o homem ao bem. Desta forma ele se torna parcialmente bom, embora este não tenha mais o poder (por si mesmo) de extirpar o mal de dentro do seu coração.
Informando-se
Uma conseqüência necessária dessa cosmovisão é o valor da liberdade humana. Pessoas adultas e sãs devem ter a liberdade de tomar decisões, mesmo que estas não sejam as melhores. Para que suas decisões sejam mais que a simples pressão do meio, elas devem ser bem informadas, o que significa que ela deve ter a liberdade de buscar informações, ouvir o contraditório. Tal impulso de obter informações, uma curiosidade natural, é próprio do ser humano. Não é algo implantado ou ensinado a ele, não é uma concessão do Estado. Quando o Estado interfere nas comunicações entre as pessoas, essa interferência será mais no sentido de por impedimentos e distorções ao livre fluxo de informações do que no sentido de promove-lo. E impedir o livre fluxo de informações é uma violência contra uma necessidade natural do ser humano, a qual é importantíssima tanto para o seu desenvolvimento pessoal quanto para sua segurança. As terríveis matanças promovidas pelos regimes da URSS, China, Alemanha nazista, Camboja, Coréia do Norte, Romênia, Hungria, etc, foram todas precedidas do controle do estado sobre os meios de comunicação. Os atuais proponentes de um regime fechado de âmbito mundial, como a esquerda americana, têm um poder cada vez maior sobre os meios de comunicação. Regimes em processo de fechamento como o venezuelano, atentam sempre que podem contra a liberdade dos meios de comunicação. Sempre que um partido com objetivos finais totalitários (como o PT) chega ao poder, trabalha incessantemente para eliminar a liberdade de imprensa. E finalmente, no mundo todo, a polícia do pensamento (“politicamento correto”), criada pelos socialistas da Escola de Frankfurt, (aqueles que “mentem em favor da 'verdade'”), controla quase completamente a imprensa, produzindo distorções sistemáticas na percepção das pessoas. Não foi sem motivo que o Eterno, depois de conduzir o povo hebreu à terra prometida, desaconselhou um governo centralizado e controlador. Poderes humanos mentem. Um governo com poder absoluto, mente absolutamente.
domingo, 23 de novembro de 2008
LIBERDADE
“Então os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá, e disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos pois agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações.
Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor. E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te disserem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me tem rejeitado para eu não reinar sobre eles. Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, pois a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim também te fizeram a ti. Agora, pois, ouve a sua voz, porém protesta-lhes solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre eles.
E falou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei. E disse: Este será o costume do rei que houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos filhos, e os empregará para os seus carros, e para seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros. E os porá por príncipes de milhares e por cinqüentenários, e para que lavrem a sua lavoura, e seguem a sua sega, e façam as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros. E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras, e padeiras. E tomará o melhor das vossa terras, e das vossas vinhas; e dos vossos olivais, e os dará aos seus criados. E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus eunucos e aos seus criados. Também os vossos criados, e as vossas criadas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho. Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de criados. Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia.
Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disse: Não, mas haverá sobre nós um rei. E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras.
Ouvindo pois Samuel todas as palavras do povo, as falou perante os ouvidos do Senhor.
Então o Senhor disse a Samuel; Dá ouvidos à sua voz, constitui-lhes rei. Então Samuel disse aos filhos de Israel: Vá-se cada qual à sua cidade.” Livro de Samuel, capítulo 8, versos 4 a 22.
“ Então disse Samuel a todo o povo: Vedes já a quem o Senhor tem elegido? Pois em todo o povo não há nenhum semelhante a ele. Então jubilou todo o povo, e disseram: Viva o rei! “ Livro de Samuel, capítulo 10, verso 24.
Durante séculos, os israelitas não tiveram um governo central. Moisés não lhes legou uma legislação monarquista mas, pelo contrário, estabeleceu que os assuntos deveriam ser resolvidos localmente pelos anciãos de cada cidade, com autoridade sobre as vilas no seu entorno que dela dependiam para defesa militar. Apenas em casos de dúvidas jurídicas maiores as questões deveriam ser levadas aos sacerdotes (ou ao juiz). Não existia uma organização estatal responsável pela administração ou justiça. O Juiz era simplesmente um cidadão comum, reconhecido como líder militar quando as tribos se uniam contra um inimigo externo, formando um vasto exército não profissional, e servia também de árbitro nas questões jurídicas controvertidas que lhe eram levadas (ele não as chamava para si).
Mas, espantosamente, tal nação de estrutura civil extremamente leve e aparentemente desconexa, tinha uma legislação com forte ênfase na justiça objetiva e na proteção aos mais fracos. sem nenhum auxílio de qualquer estrutura burocrática. A Lei Mosaica visava possibilitar a qualquer cidadão israelita recuperar-se economicamente, sendo auxiliado por seus concidadãos, evitando que caísse na miséria. A previsão da Lei era tão ampla, que Moisés declara, conforme o Eterno o inspirou: “não haverá no meio de ti pobre” (se tal Lei fosse cumprida). Espantoso ainda é que tal proteção pudesse existir sem regulação de preços ou controle dos meios de produção pelo Estado (e, em tempos antigos, haviam estados que controlavam os meios de produção, e eram justamente os estados que mais oprimiam os corpos e as consciências dos homens).
Mas a união de uma Lei tão previdente quanto à solução do problema da pobreza, com uma estrutura civil tão leve, parece inacreditável ao leitor moderno. Estamos acostumados a ver as pessoas que se arrogam defensores dos mais fracos, defendendo um estado mais e mais “atuante”, abrangente, totalitário mesmo, ao ponto de se imiscuir na intimidade do pensamento das pessoas, de controlar toda a crítica (seja pela ação direta, seja pela patrulha do pensamento “politicamente correto”). Parece espantoso para nós, pobres reféns da chantagem do vitimismo, a existência de uma nação ao mesmo tempo libertária e defensora dos pobres. Tão espantoso, que não conseguimos enxergar isso, mesmo lendo a Bíblia. Simplesmente não faz parte de nosso universo mental. Que pena …
Perdendo
Numa confrontação entre o Pentateuco, juntamente com o início do Livro de Samuel, contra o livro dos Juízes, parece haver uma forte oposição de idéias entre os seus autores. Os dois primeiros parecem exaltar a estrutura civil leve. Já o livro dos Juízes, fala sobre desordem e desregramento moral do povo, seu desvio da Torah, e as derrotas sob poderes estrangeiros. Finalmente, um Juiz botava ordem na casa e derrotava os inimigos externos. Muitos casos escabrosos, são seguidos da seguinte frase “não havia rei sobre Israel, e cada um fazia o que parecia bem aos seus próprios olhos”. A impressão causada, numa leitura descuidada, é que o escritor lamenta não haver monarquia naquela época.
Mas uma leitura mais atenta de Samuel, indica que o Eterno lamente que ELE tenha sido rejeitado como Rei. Em outras palavras, durante todo o período dos Juízes, Ele não foi aceito como verdadeira autoridade. Seu governo poderia ser discernido, se os israelitas quisessem, no Ensino (Torah) de Moisés, na sabedoria dos antigos, no bom senso, na disciplina mental, na voz da consciência. Apenas quando a situação apertava, o povo se voltava para o Eterno, e surgia um Juiz que derrotava os inimigos e levava-os à obediência à Torah. Sentiam-se desgovernados, pois não governavam seus próprios desejos, mas faziam o que parecia bom aos seus próprios OLHOS, não à sua CONSCIÊNCIA. Por sentirem-se desgovernados, queriam sobre si um rei, vistoso como os de outras nações. Por não entenderem que seu desgoverno era um problema interno, procuraram um governo forte fora de si.
Mas qual foi o resultado? Após apenas três reis governando as tribos unidas, elas se dividiram em dois estados que competiam entre si. Mesmo os melhores reis representavam pelo menos dois problemas:
Eram custosos, pois o sustento do aparelho de estado não é barato.
A existência de um governo central tirava do povo parte de suas responsabilidades. Num certo sentido, um governo forte infantiliza os cidadãos. Prova disto era o fato do povo obedecer ou desobedecer os preceitos éticos e espirituais da Torah conforme os seus reis os obedeciam ou deixavam de obedecer. Suas consciências deixaram de ser árbitro, eles a entregaram aos seus governantes … qualquer semelhança com o que vemos no mundo atual não é mera coincidência.
Quanto aos piores reis, promoviam homicídios, roubos, sacrifícios rituais de crianças, corrupção, idolatria, enfim, eram uma desgraça completa. No final, os dois reinos acabaram sendo conquistados e destruídos por potências estrangeiras. Pela sua maldade, os reis hebreus acabaram causando o mal que o povo temia. Em vez de serem a força da nação, tornaram-se a sua ruína.
PONTOS EM COMUM
1.Pouca percepção da realidade aliada a uma crença inabalável em teorias absurdas (ou provadas falsas);
2.Obediência cega e idolatria a líderes;
3.Falta de disposição para entender (ou mesmo ouvir) opiniões contrárias;
4.Falta de compreensão lógica;
5.Uso de argumentos claramente falsos, para defender posições e atacar adversários;
6.Falta de senso de proporções e de justiça;
7.Crença no poder mágico das palavras;
8.Uso de chavões, julgando estar desenvolvendo um raciocínio;
9.“Ética” finalista (os fins justificam os meios) e desprezo por pessoas que tenham uma ética de princípios;
10.Um desejo gnóstico de negar a realidade;
11.Auto-exaltação e auto-justificação, aliados a um comportamento grotescamente impio;
12.Afetação de humildade e bondade, mas sem deixar de buscar freneticamente poder (pela manipulação) e dinheiro;
13.Comportamento de manada (o que, geralmente, significa alinhamento com o pensamento politicamente correto, para pessoas bem inseridas na cultura geral, ou alinhamento a outras maluquices menos comuns, para pessoas mais ligadas a subculturas);
14.Desprezo pelas pessoas “de fora”;
15.Descaso pela igreja perseguida (cristão em países anti-cristãos). No caso dos esquerdistas, desprezo ativo, mesmo;
16.Desprezo por fontes originais de informação em favor de secundárias.
Mas há diferenças significativas, também. Embora parte dos “cristãos” (evangélicos ou não) se encaixem na descrição acima, continuarão cristãos (na verdade, podem tornar-se verdadeiramente cristãos) ao curar-se desses vícios. Mas um esquerdista que abandonasse todos esses vícios mentais, logo deixaria de crer na papagaiada esquerdista.
domingo, 16 de novembro de 2008
LIBERDADE
Quando Yeshua andava sobre esta terra, não fazia questão de ter um grande número de discípulos. Não ajustava seu discurso ao público, para agradar mais, nem fazia acordo com ninguém. Ser bem visto, ele considera um luxo totalmente dispensável. Em certa ocasião, quando um grande número de discípulos deixou-o, por estranhar seu discurso, ele questionou aqueles que ficaram, se não queriam deixa-lo também.
Um movimento religioso, erigido sobre a doutrina de um homem assim, teria de ser, como foi no princípio, extremamente livre e libertador. Vinha quem queria, ficava quem queria. A doutrina da congregação dos crentes em Yeshua, como o Messias esperado, não foi feita para ser norma institucional, muito menos norma nacional. Sendo um desenvolvimento tardio do antigo judaísmo (e portanto, um irmão dos judaísmos atuais), a doutrina dos apóstolos de Cristo tinha como referência de norma legal nacional a lei de Moisés, e nenhuma outra. A doutrina do Messias nunca foi uma norma que quisesse ou mesmo pudesse concorrer com o Ensino de Moisés. É uma doutrina de aplicação essencialmente pessoal, foi moldada de forma a ser aplicável a uma infinidade de pessoas, situações e lugares.
Ambas são aspectos do culto ao Criador. O ensino de Moisés, primariamente, era também uma norma legal nacional, tanto nos aspectos sociais quanto nos religiosos, mas perdeu, esta vertente normativa, por causa da progressiva diminuição da independência dos israelitas. Então sobressaíram (e também desenvolveram-se) os seus aspectos comunitário, familiar, ético, espiritual e profético, que originalmente, já eram muito mais fortes do que parecia indicar uma leitura ligeira.
Mas sucedeu com a doutrina cristã o contrário do que ocorreu com a de Moisés. A doutrina do Messias era uma compreensão espiritual e profética mais profunda da doutrina mosaica, junto com as conseqüências éticas que lhe seguiam, e que eram aplicáveis tanto a judeus como a não judeus. Mas ao rejeitar os judeus, os gentios, que supostamente estavam seguindo a doutrina dos apóstolos do Messias, perderam a referência do que era aquela doutrina, e passaram a ver mais importância nos seus fracos aspectos institucionais (feitos para congregações, originalmente fracamente institucionalizadas e ligadas entre si por forças mais espirituais que humanas), do que nos seus extensos e fortíssimos aspectos de relações pessoais e espirituais. Não tendo uma base real para esta forte institucionalização, miraram-se cada vez mais na doutrina administrativa romana. Quando de sua transformação em religião estatal, o cristianismo já havia sofrido extensas mutações internas, que obliteravam ainda mais a percepção de suas origens. Transformaram um doutrina da liberdade do coração em um instrumento de estados opressores.
O caminho de recuperação da liberdade dos cristãos é o caminho da desinstitucionalização. É o oposto exato do que propõem os partidários do movimento “uma igreja com propósito”. E é a cópia exata do que ocorre em países onde há perseguição religiosa, como a China. A desinstitucionalização pela qual passou a Igreja chinesa é um bem, provocado por um mal. Mas não é necessário haver fortíssima perseguição religiosa para que ela ocorra. Entreguemos as nossas vidas ao Espírito Santo pois, como dizem as Sagradas Escrituras, onde está o Espírito do Eterno, aí há liberdade. A união espiritual é a verdadeira união cristã. Prego para mim mesmo, pois se eu vivesse isto, estaria ajudando outros cristãos a serem livres. “Sai dela, povo meu”, clama o profeta. Quero também sair da Babilônia, da rede de prender homens, da “sociedade civil organizada”. Se eu chegar a abandonar o mal que há dentro de mim, então poderei ser livre e ajudar a libertar outros. Meu corpo estará na Babilônia, mas meu espírito será livre do maligno, da carne e do mundo.
domingo, 9 de novembro de 2008
LIBERDADE
Mas quando falam da liberdade do Eterno, tais pessoas possivelmente não imaginam algo assim. Supõe-se uma liberdade intrínseca, superior à simples indeterminação. Pois bem, alguém pode afirmar que é uma impossibilidade lógica o Eterno criar seres com o mesmo tipo de liberdade que Ele, embora não uma liberdade tão extensa? Alguém pode afirmar que seria moralmente repulsivo ao Eterno criar tais seres? Alguém pode afirmar que a Bíblia nega que Ele tenha criado seres assim? Alguém pode afirmar ter meios lógicos de provar que ele não os criaria, por algum motivo qualquer? Pois é este tipo de liberdade que atribuo aos seres humanos, o que não nega a presciência do Eterno.
UMA VIRTUDE CHAMADA CORAGEM
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu; há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de saltar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz” Livro do Pregador (Eclesiastes), capítulo 3, até o verso 8.
“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela..” Palavras de Yeshua no Evangelho segundo Mateus, capítulo 16, verso 18.
Sempre me perguntei o motivo da Igreja não ter o poder de defender-se. O diabo tem o poder de colocar seus agentes dentro dela, de corrompe-la por dentro, de faze-la cair em heresias, de promover o mal dentro dela.. Demologia da escravidão (falsamente chamada de “teologia da libertação”), Conselho Mundial Aparelhado de Igrejas, falsos bispos e falsos apóstolos, mercantilismo ... todo tipo de lixo dentro de suas portas. E a história toda não foi muito diferente: heresias, anti-semitismo, concílios cheios de anátemas, acordos com o poder político desde Constantino, o saque de Constantinopla pelos católicos, venda de indulgências, inquisições, torturas, fogueiras, guerras entre católicos e protestantes, seitas gnósticas nos mosteiros e fora deles...
Mas não podemos culpar o Eterno por isso. Ele jamais prometeu defender as portas da Igreja. Se a Igreja está tentando defender as suas portas, já está desobedecendo ordens, pois o Cristo falou das portas do inferno, e é lá, arrombando as portas do inferno, que a Igreja toda deveria estar. Ela foi montada pelo Eterno como um time de ataque muito forte, com um goleiro frangueiro. Só estará segura enquanto estiver no campo adversário. Acordos políticos, meias palavras, patrocínios externos, adaptações filosóficas, tudo isso só enfraquece a Igreja. O início de sua queda foi a tentativa de parecer bem aos olhos dos gregos, reescrevendo sua teologia em acordo com a filosofia destes. Isto fechou as portas para a compreensão das palavras dos profetas, de Yeshua e dos apóstolos no seu contexto judaico, e abriu as portas da igreja para o fortíssimo anti-semitismo grego. Depois disso, queda após queda, até o ponto mais baixo, no início da idade moderna.
A coragem e a prudência de beijam quando se faz guerra no tempo de guerra. Não há prudência nenhuma em virar as costas para o inimigo.
Este texto é uma homenagem à Ivania, que tem coragem de falar o que pensa, mesmo quando pode sofrer por isso. Invejo a sua coragem. Que um dia eu possa ser assim.
UM VÍCIO CHAMADO SOBERBA II
Entre os antigos gregos e romanos, se dizia que a soberba é um vício de tolos e infantis, algo mais digno de pena do que de repreensão. Os cristãos, seguindo o ensino dos profetas israelitas, consideram a soberba um vício terrível e violento, uma afronta ao próprio Eterno. Quem terá razão?
Começarei concordando com os clássicos. A soberba é tão tola e infantil que é de difícil compreensão para um adulto normal. É compreensível em uma pessoa de 10, 12, 16 anos e é possível lembrar-me de como é ser um adolescente assim. Mas parece uma deformidade em alguém com trinta, quarenta, sessenta anos. Parece absurdo alguém viciado em pensar só coisas exageradamente boas a respeito de si mesmo. Digo viciado no sentido moderno, pois só uma atração doentia pode explicar algo assim. Como um adulto são pode permitir-se isso? Ele não sente-se um tanto ridículo? Compreendo a cobiça, a leniência, a procrastinação, a preguiça, a insensatez, a concupiscência, a fornicação, o ódio, a ira, os maus pensamentos, a mentira, a burrice, a covardia, a teimosia, e outras tantas coisas. Mas o mundo interior de um adulto soberbo parece algo tão estranho que é difícil imaginar sua existência real. Entretanto, embora pareça algo improvável, vemos os resultados de sua existência o tempo todo.
Mas depois de ter concordado com os gregos e romanos, terei de concordar ainda mais com os judeus e cristãos. Por mais infantil, ridículo e grotesco que seja este vício, ele é, em primeiro lugar, comum. Topamos com ele como com folhas na floresta. Nos escritórios, nas universidades, nas igrejas, na imprensa, parece que grande parte do que as pessoas fazem é acalentar seus próprios egos. Olhando o modo das pessoas agirem, parece ser algo mais atrativo que grana, que sexo, que a beleza, que a vida. E, por mais estranho que pareça, vê-se essa loucura nos lugares onde deveria prevalecer a razão. Os acadêmicos e intelectuais tem freqüentemente uma sanha por convencer os outros e a si mesmos de terem um valor elevadíssimo. Muito do que parece soberba é, na verdade, medo da desonra, pressão dos pares, ambição calculista, a compreensível concorrência profissional, e até um normal respeito próprio e senso de auto-preservação, mas tirando tudo isso, parece haver ainda doses cavalares de idolatria da auto-imagem.
Em segundo lugar, por ser um vício também no sentido moderno, ele é urgente, violento, louco. As pessoas fazem coisas inacreditáveis por ele, como um viciado em drogas. Ele vai tomando conta da personalidade, destruindo o que há de mais humano, remodelando suas relações, alienando as pessoas de suas próprias famílias.
Em terceiro lugar, justamente por ser ao mesmo tempo grotesco e urgente, ele exige do pecador a mentira. Não a mentira ocasional, mas sistemática. Nada melhor para alguém viciado em pensar bem de si mesmo, que uma visão de mundo que seja coerente com esse pensamento. Como um bêbado ou drogado, que mente sistematicamente e acaba enlouquecendo, assim também a soberba causa demência. Seria sofrido demais uma pessoa pensar “gosto de pensar coisas exageradamente boas a meu próprio respeito”. A medida que a pessoa vai tornando-se mais madura, e vai sendo confrontada com seus próprios limites, defeitos e loucuras, ela percebe que não é tudo isso. Para manter-se soberba, ela terá de criar uma visão de mundo falsa, uma realidade distorcida. É certo que ele faz parte de uma elite com méritos especiais e, preferencialmente, acima do bem e do mal, pois o mal que ele não quer ver em si precisa ser negado. O soberbo é, essencialmente, um alucinado.
Em quarto e último lugar, um soberbo é uma vaquinha de presépio. Alguém em busca de uma falsa realidade, como alguém em busca de uma droga química, sempre encontrará um fornecedor em busca de vantagens. E, mais que fornecedores de drogas, esse fornecedor de sonhos domina a vida de seu cliente. Durante muitos séculos, tais fornecedores foram relativamente desorganizados. Epicuristas aqui, bajuladores ali, seitas de mistério, cortesãos em luta pelo poder. As seitas de malucos como Jim Jones, ou aqueles japoneses que faziam atentados no metrô são exemplos modernos do que se pode conseguir das pessoas quando se diz a elas que são seres especiais, mais merecedores do que os outros homens. Mas um mercado desses não pode ficar desorganizado para sempre. E se fosse possível criar uma visão de mundo que tivesse uma ética totalmente finalista? Contribuir para a causa está acima de qualquer obrigação moral. Pode-se construir um movimento assim como uma seita menor dentro das religiões ou como um fluxo principal por um período limitado de tempo, mas é possível torna-la o fluxo principal de uma civilização inteira? Sim é possível. As seitas socialistas modernas (marxistas) junto com seus aliados (nazismo, fabianismo, globalismos, ambientalismos, cientificismos, bem como o islã radical) tem uma ética totalmente finalista, que permite aos seus seguidores sentirem-se superiores moralmente, mesmo quando praticam os piores crimes. São também, em seu conjunto, o fluxo principal da história contemporânea. Quando digo aliados, quero dizer que todas tem a finalidade de criar uma sociedade em que o senso de realidade é totalmente artificial.
Não é sem motivo que os adolescentes parecem cada vez mais crianças mimadas e os adultos, adolescentes. Mas a infantilização, um dos preços que eles pagam pelo vício, certamente não é o preço principal. Essa promoção da soberba em escala industrial, vista no mundo moderno e contemporâneo parece-me ter sido essencial para fazer dos últimos três séculos um espetáculo de violência assombrosa. Nunca matou-se, prendeu-se, torturou-se, roubou-se tanto, e nunca as pessoas se consideraram tão boas e justas. Este último século poderia ser especialmente pacífico, pois a multiplicação dos recursos materiais deveria diminuir a pressão pela guerra e pelo genocídio. Mas, em nome de “belos ideais”, foi um inferno. Com uma ideia na cabeça e um livro na mão, os homens tornaram-se “frias máquinas de matar”, mas cada um vê a si mesmo como pertencendo ao “o escalão mais elevado da humanidade”, enfim, demônios em pele de gente. Inverter a realidade e as proporções dos fatos, buscar desesperadamente a aprovação das pessoas, mentir até não lembrar mais a diferença entre a realidade e a invenção, e depois declarar que a realidade não existe, nada é louco demais para o homem ideologizado. Até a paz foi seqüestrada, numa época em que quase todo “movimento pela paz” é arma de propaganda de guerra, geralmente a favor da parte mais violenta.
Mas, embora este fenômeno da psiquê contemporânea seja assombroso, é virtualmente invisível para a maioria dos estudiosos. Convencidos, pelos materialismos, da realidade das explicações puramente economicistas, não conseguem ver a incongruência de tanta violência num mundo de abundancia. Mais ainda, não conseguem perceber que, mesmo naqueles lugares em que há carência material, são a violência e irracionalidade da busca do sonho que provocam o pesadelo, pois o conhecimento técnico, há muito, permite a multiplicação dos recursos.
Creio na visão judaico-cristã sobre a soberba e ela é consistente com os fatos da história. E, a bem da verdade, ela não nega percepção dos clássicos, mas engloba-a. A Tanach (Antigo Testamento) reconhece que o soberbo é louco e absurdo. Mas reconhece também que seu interior está cheio de violência. Como o anjo caído, do qual falou Ezequiel.
UM VICIO CHAMADO SOBERBA I
“E dizia: O que sai do homem, isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissoluções a inveja, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.” Palavras de Yeshua (Jesus), registradas no capítulo 7 do Evangelho segundo Marcos, versos 20 a 23.
“ Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são eles dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; bem como o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”. Evangelho segundo Mateus, capítulo 20, versos 25 a 28 .
“Então falou Jesus á multidão e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam: Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los; e fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas dos seus vestidos, e amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: Rabi, Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre a saber, o Cristo e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestre, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. Porém o maior dentre vós será vosso sevo. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” Evangelho segundo Mateus, capítulo 23, até o verso 12. Bem entendido que “praticai tudo o que vos disserem” deve ser entendido no sentido de “aquilo que se conforma com o Ensino (Torah) de Moisés”, pois em outros discursos Yeshua (Jesus) renega vários ensinos comuns entre a maioria dos fariseus, e que o Mestre considera contrários ao espírito da Torah.
Diótrefes
Há duas ou três semanas ouvi, na igreja, um sermão a respeito da Terceira Epístola do apóstolo João. Durante a semana, numa reunião na casa de irmãos da igreja, falávamos a respeito, e eu fiz um comentário sobre a ligação entre a maldade de Diótrefes e o seu desejo de poder. Este texto pretende ser um desenvolvimento de tais comentários. É visível, na história da Igreja cristã, que o ensino do Mestre contra a auto-exaltação não foi seguido fielmente. Busco entender como tal oposição entre o Seu ensino e a prática dos seus supostos seguidores pôde ser tão aguda. Vejamos o caso de Diótrefes:
“Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebe-los, e os lança fora da igreja.
Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz mal não tem visto a Deus.” Terceira Carta do apóstolo João, versos 9 a 11.
A descrição que o apóstolo João faz de Diótrefes mostra um personagem deslocado em relação à descrição dos primeiros cristãos, gente generosa, amável e desassombrada. Diótrefes parece reunir em si uma notável capacidade de controle sobre os outros com uma personalidade mesquinha e maldosa. Se não, vejamos: Ele teve poder o suficiente para impedir a igreja cristã em sua cidade, de receber cartas do próprio apóstolo João. Não de um simples bispo ou de um apóstolo no sentido mais genérico, mas simplesmente um dos doze. Mais do que isto, impedia que os irmãos recebessem irmãos de outro lugar, aprovados pelo apóstolo e até mesmo expulsava da igreja os irmãos de quem ele discordava. Quando o apóstolo diz “que quer ter primazia entre eles”, está deslegitimando tal primazia, mas a descrição dos atos de Diótrefes confirma que ele a tinha na prática, apesar de ilegítima. Em outras palavras, Diótrefes seria reduzido a seu real tamanho, quando o apóstolo lá chegasse, mas enquanto isso, os irmãos o viam como maior do que ele realmente era, ou tinham tal medo de seu poder que se submetiam a ele. E seu real tamanho, segundo a avaliação de João, parece ser o de alguém que nem sequer deveria ser considerado um dos irmãos. Fico pensando na multidão de Diótrefes, ao longo de quase dois milênios, que não tiveram um apóstolo João para cortar-lhes as asas. Penso também em quanto tais homens influíram na construção do que hoje é chamado cristianismo.
Impressiona-me a aceitação pelos irmãos da suposta “primazia” de alguém, com supostos poderes para excluir irmãos assim, sem dar contas a ninguém. Isso está em oposição direta ao ensino do Mestre, que havia dito, “a ninguém na terra chameis pai, pois um só é vosso Pai .....”. Mas impressiona ainda mais que o tal “primaz” seja um não irmão, um lobo em pele de cordeiro. Isto faz pensar ... talvez o melhor lugar para procurar os lobos seja no comando dos cordeiros. Vejamos um exemplo:
“O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei. Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. Pois sois sofredores, se alguém vos põe em servidão, se alguém vos devora, se alguém vos apanha, se alguém se exalta, se alguém vos fere no rosto.” Segunda Carta do apóstolo Paulo (Saul) aos Coríntios, capítulo 11, versos 16 ai 20.
Na Carta do apóstolo Paulo, citada acima, ele dedica os capítulos 10 e 11 e boa parte do 12 a repreender, de forma até um tanto irônica, os irmãos por aceitarem como verdadeiros ministros pessoas que tinham má intenção em seu coração. Parece que a soberba é um característica comum nos falsos mestres, falsos bispos, falsos apóstolos, etc. E, segundo a profecia, isto será pior ainda nos últimos tempos (os atuais?):
“Sabe, porém, isto; que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” Segunda Carta do apóstolo Paulo (Saul) a Timóteo, capítulo 3, até o verso 5.
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças.” Primeira Carta do apóstolo Paulo a Timóteo, capítulo 4, até o verso 3.
Yeshua havia dito “pelos frutos os conhecereis”. Alguns entendem “frutos” como número de adeptos. Assim, o “líder” que tem muitos adeptos é visto como aprovado. Mas pelo critério “a Escritura interpreta a Escritura”, devemos buscar em outros textos o que significa fruto.
“O fruto do Espírito é amor, alegria, paz longaminidade, benignidade, bondade, fé, mansidão temperança.” Carta do apóstolo Paulo aos Gálatas.
“...sois fruto do meu trabalho no Senhor” Primeira Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo 9, verso 1.
Como ficamos? “Frutos” são os atos que refletem o interior da pessoa, como indica o primeiro texto, ou número de adeptos, como parece indicar o segundo?
“Mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneria, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda.” Carta do apóstolo Paulo aos filipenses, capítulo 1, versos 17 e 18.
É claro que sobre tais pessoas, que pregam por motivos injustos, não pode-se dizer que são “árvores boas”. Proponho uma solução possível. A Palavra do Eterno é tão poderosa, que mesmo na boca de uma pessoa com más intenções é capaz, às vezes, de produzir a Verdade no coração de quem ouve. Mas se uma pessoa a prega pelos motivos certos, tal pregação e os seus efeitos são um “fruto bom”, conforme Yeshua (Jesus) quis dizer. Neste caso, é uma obra boa, produzida por um coração já reconciliado com o Eterno.
Resumindo este artigo, o ensino do Cristo e de seus enviados (apóstolos) é que tenhamos cautela em relação aos lobos devoradores que tem aparência de piedade. Este é certamente um ensino do Mestre que nós os cristãos (particularmente nós evangélicos brasileiros) temos desprezado, com amargos resultados. Temo ao pensar quanta paulada na cabeça teremos de levar para começar a aprender esta lição.
ONDE MORA O PERIGO
Da forma como muita gente imagina o Dia do Juízo Final, este parece uma prova da parcialidade e impiedade do Eterno. Escolhidos são mandados direto para cima, não escolhidos (ou escolhidos para o fogo), rejeitados sem apelação. Não ouviu falar sobre Cristo? Fogo! O Eterno quis fazer de você um cego espiritual? Fogo!
Ocorre que eu não imagino que seja assim. Imagino que tudo será levado em conta para absolver a todos. Cada fraqueza invencível, cada desinformação, cada influência maligna do meio e dos espíritos do Mal, toda falta de maturidade, tudo será levado em conta a nosso favor. Se pedirá apenas o exercício da fé que foi concedida, e que se tenha andado na luz que já se tinha. Todo tipo de pecado e estupidez poderá ser perdoada. Como diz a Escritura “...não levando em conta os tempos da ignorância..”. Todos terão liberdade total de apresentar tudo que houver a seu favor, terão lembrança completa de tudo, e nada que possa ser contado, será negligenciado. Todo argumento favorável, contanto que seja verdadeiro, sera dito.
Talvez o leitor tenha ficado mais tranqüilo. Andam pintando o Dia do Juízo de forma excessivamente desfavorável ...
Deixe-me falar a respeito de um professor que tive na faculdade. Era inteligente, gentil, compreensivo, justo, e desejava ver o máximo de aproveitamento dos alunos. Suas provas eram com consulta. Após a parte escrita, chamava cada um que ia terminando para a parte oral, quando ele levava em conta o conhecimento dos conceitos e, se possível, melhorava a nota, pois não queria reprovar ninguém que soubesse os conceitos mas tivesse cometido algum engano nos cálculos. Sempre ele estendia a prova além do horário, mas mesmo assim, nós pedíamos mais tempo. Ele não queria, mas insistíamos muito, e a prova acabava durando bem mais. Me lembro dele dizendo: “Porque vocês querem mais tempo? Vocês vão errar mais, e eu terei de diminuir as notas”. Nós estávamos pedindo corda para nos enforcarmos. As perguntas dele, a clareza de seu pensamento quando inquiria, faziam-nos perceber que não sabíamos muita coisa. Era um festival de notas baixas.
Muita gente acha que se o Eterno olhar cuidadosamente as verdadeiras intenções do coração, quase todo mundo ficará bem na fita. Mas é aí que mora o perigo.
“Ai daqueles que desejam o Dia do Senhor! Para que quereis vós este Dia do Senhor? Trevas será, e não luz. Como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso, ou como se entrando numa casa, a sua mão encostasse à parede e fosse mordido duma cobra” Livro do profeta Amós, capítulo 5, versos 18 e 19.
Mirar o próprio coração, no espelho sem mácula da perfeição absoluta ... BOA SORTE, amigo. Ou melhor ainda, peça ao Eterno que purifique o seu coração no sangue do Cristo. E que purifique a sua mente nas águas purificadoras da obediência às Santas Escrituras.
domingo, 26 de outubro de 2008
O NÃO CHEFE
Para que o papa fosse o chefe legítimo de todos os cristãos, seria necessário que o papado fosse reconhecido em algum momento da história como a instituição de chefia da igreja. Seria necessário que as palavras de Agostinho, “Roma locuta, causa finita”, fossem mais do que uma opinião entre outras. Seria necessário que houvesse real (ou pelo menos teórica) subordinação dos cristãos orientais ao Vaticano, antes do grande “cisma”. Teria havido uma história de documentos oficiais do bispo de Roma mostrando seu poder de mando no oriente.
Mas o contrário aconteceu. Houve flagrante falta de chefia do bispo de Roma sobre os cristãos orientais, ao longo de toda a história. Esta ausência de chefia do bispo romano é um fato tão bem perceptível na falta de documentação que o comprove e na fartura de documentação que prove a insubordinação dos orientais ao bispo de Roma, que é simplesmente uma verdade insofismável. Jamais houve um só metropolitano oriental que considerasse o papa como seu chefe. Na verdade, o suposto cargo de “chefe universal da Igreja” nem tinha nome, visto que a palavra papa, quando entrou em voga, era apenas uma designação para qualquer bispo metropolitano. A carência de qualquer comprovação de chefia universal do bispo romano é tão evidente que uma ou outra simples correspondência entre o bispo de Roma e alguma igreja aqui ou ali, nos primeiros séculos, são apresentados atualmente como prova cabal de seu cargo. Como se não houvessem muitas outras correspondências de apóstolos e bispos diversos a igrejas totalmente fora de sua área de atuação.
Havia uma autoridade que os cristãos orientais respeitavam desde o início. Eram os concílios universais. Inicialmente, sua autoridade se estabeleceu pela ação direta do Espírito do Santo de Israel. Agindo dentro de cada um (e o primeiro concílio foi muito mais aberto do que foram os dos séculos seguintes), convencia-os da verdade, levando a um consenso que era livre realmente, e não uma violência contra as consciências, como o atual conceito de consenso. Pelo hábito, continuou-se a considerar os concílios como autoridade, mesmo quando seu espírito passou a ser (no oposto exato do que ensina a Bíblia) “Não pelo Espírito do Eterno, mas por força e violência”. Nessa luta de foice no escuro, o bispo de Roma era um lutador a mais, nunca a autoridade que tivesse o poder de ordenar o que os outros deveriam pensar. Quando da oficialização da religião do império, o bispo de Roma, pela sua proximidade com o imperador, ganhou um aliado formidável. Mas nem mesmo assim sua palavra tinha mais força que o concílio. O imperador foi muitas vezes o verdadeiro poder moderador, e as decisões dos concílios, acertos que visavam manter algum equilíbrio entre as facções da cristandade para que houvesse unidade política.
Quando da questão “filioque” os cristãos orientais, que nunca foram sujeitos às bulas papais e aos concílios apenas parciais do ocidente, se viram cobrados de obedecer a quem nunca tinham obedecido, crer no que nunca tinham crido, vendo nos cristãos ocidentais um povo distante e estranho, que dizia coisas que lhes pareciam sem muito sentido, visto que séculos de desenvolvimento teológico, filosófico e social os separavam.
BELEZA
É claro que tais hipóteses, em princípio não são científicas (embora não sejam anti-científicas). Quem as propõem quase certamente não tem esperanças de que tais hipóteses possam, mesmo em princípio, serem provadas. São soluções puramente lógicas, que servem apenas para argumentar contra a implausibilidade de tão grandes coincidências citadas por mim no início. Não objeto nada a que proponham tal solução, reconheço que é legítimo que se argumente sobre coisas lógicamente possíveis (em princípio), mesmo que fora do alcance do método científico. Mas ai do crente que fizer isto, que propor uma solução lógica mas fora do escopo da ciência . . . Obscurantista! Medieval! ... gritarão mil vozes em uníssono . . .
De qualquer forma, A existência do infinito compartimentado parece menos satisfatória à intuição e ao senso estético, do que a existência do infinito integrado. E na maior integração, há auto-consciência.
Mas eu quero mesmo é chegar a outro ponto. O mundo não é apenas habitável, o que já seria muito. É belo. Talvez a estrutura, as relações e os números que regem o universo tenham sido escolhidos de tal forma que não apenas pudesse haver vida, mas para que houvesse também muita beleza. A água, o líquido mais comum para nós, não apenas é essencial para a vida. Ela é extremamente bela. Há beleza em toda parte, nas montanhas, nos vales, nas florestas, no mar, nas cachoeiras, nas ondas, nos seres vivos. Considerando que mesmo os fenômenos de escala sobre-humana, como grandes planetas distantes, galáxias, explosões estelares, que não são acessíveis a vista desarmada, são muito belos, fica uma questão; Terá o universo sido projetado para ser belo?
QUESTÕES SUBSTANTIVAS
Pois bem, na cidade onde moro, São Paulo, a candidata do PT à prefeitura deve perder esta eleição. Deve perder basicamente por ser o seu adversário um administrador melhor. Nada contra esta decisão do eleitorado, eu também votei em Kassab. Mas vejo que o eleitorado dará a vitória a Kassab por um motivo importante, porém não o mais importante. Permita-me o leitor uma explicação curta sobre isto.
O PT não é um partido com poucas pretensões. Ele pretende simplesmente remoldar a sociedade brasileira. Mas em que sentido? Permita-se o leitor perguntar a si mesmo: O PT é um partido de pessoas que amam a liberdade de pensamento e debate? Ou de pessoas que gostam da concordância conseguida por coerção, medo, compra de consciências, mentiras e pressão? Estou convencido de que tal partido é essencialmente antidemocrático. A própria afirmação do ex-presidente do PT, José Genoíno, de que seu partido é um partido leninista, comparada às afirmações de Lenin, que colocam a liberdade de imprensa e as regras democráticas como apenas instrumentos para a tomada do poder, seriam suficientes para que o leitor avalie o real pendor do PT. Inúmeras outras afirmações de caciques petistas vão no mesmo sentido. Mas se é um partido essencialmente anti-democrático, esta é uma questão central sobre ele, um motivo fortíssimo para nunca eleger um candidato seu.
Talvez o leitor pense que estou exagerando, afinal há políticos de outras agremiações que tem pendor autoritário. Bom, suponho que o leitor não queira mesmo votar em pessoas que odeiam as regras democráticas, seja qual for o partido. Mas vejo diferença aqui:
1.Ser mais ou menos afeito às regras democráticas é em geral uma questão de inclinação pessoal dos diversos políticos, pouco importando a qual agremiação pertençam. Mas no PT, se a orientação central do partido é leninista, a orientação estratégica do partido será no sentido de considerar as liberdades como apenas instrumentos de consolidação do poder, e não como bens preciosos a serem preservados. Dentro deste tipo de pensamento, todo tipo de maldade pode ser planejada usando um discurso “libertário” para implantar coerção e controle.
2.O PT foi desde seu início louvado por grande parte dos jornalistas e formadores de opinião (inclusive a maior parte dos professores) como exemplo de amor a democracia e à moralidade pública. Mas se é um partido com orientação leninista, isto é o contrário exato da verdade. Que uma mentira tão deslavada tenha prevalecido por muitos anos na imprensa, mesmo quando o PT estava na oposição, é uma pequena amostra do seu imenso poder de manipulação. Quem pode mentir com tanto sucesso para tomar o poder, não poderá mentir também para mantê-lo contra o espírito de liberdade e respeito?
3.Uma derrota na cidade de São Paulo dá pelo menos um equilíbrio fraco, atenuando um pouco o imenso poder de fogo do governo federal. Não destrói, mas pelo menos talvez enfraqueça o viés de hegemonia do PT. Melhor a fraquíssima oposição do PSDB e DEM do que nada.
Mas alguns dizem que não há perigo de ruptura das instituições democráticas por serem estas muito sólidas. As instituições brasileiras seriam assim como “freios ABS”, uma segurança contra tentações autoritárias. Não vou discutir aqui se isto é verdade ou não, mas não importa o quanto os freios ABS sejam seguros, só podem salvar vidas se forem usados. Não creio que o povo brasileiro possa ser posto a salvo do totalitarismo se não se importar o suficiente com isto. Quem vota em um político leninista por causa de questões menores, não poderá reclamar se um dia for engolido por um gulag. Lembre-se que as críticas do PT à antiga URSS concentram-se na sua burocracia excessiva. Considerando que o governo da URSS assassinou diretamente mais de 30 milhões de pessoas (fora as guerras por ela provocadas direta ou indiretamente), isto não é crítica, mas cortina de fumaça. Você votaria em um político que, questionado a respeito de Hitler, desconversasse com uma suposta “crítica” ao “burocratismo” nazista? Pois bem, vale a mesma coisa para Lenin, Stalin, Mao, etc.
UMA VIRTUDE CHAMADA BONDADE
Mas não demora muito para a criança perceber que o convívio com outras pessoas exige outras qualidades como firmeza, prudência, respeito, compreensão, coragem, sabedoria, fidelidade, domínio próprio, ordem interna, limpeza mental, modéstia, ânimo, humildade, justiça. Mutas dessas qualidades, sinceramente, são muito, mas muito mais difíceis de serem exercidas que a bondade e são tão importantes quanto. Decepcionei-me comigo mesmo ao longo dos anos, quando fui assumindo responsabilidades e percebendo que embora algumas pessoas considerassem-me bonzinho, eu tinha uma desesperadora carência de outras virtudes importantes. Muita paulada na cabeça para aprender, e não aprendi nem o suficiente.
Mas por falar em virtudes, um engano comum é pensar que os vícios sejam opostos simétricos daquelas. São na verdade perversões das virtudes e é de se esperar que a cada virtude corresponda pelo menos uma forma de corrupção sua, gerada pela sua aplicação desequilibrada (desconectada de outras virtudes necessárias na situação). Considerando que hoje em dia a bondade é arroz de festa, está com a bola toda, é super-hiper-bem-considerada, é natural esperar que a simulem ou pervertam (por seu uso em desconexão com outras virtudes menos bem vistas). Além disso, a atual “moral” propagada pelos formadores de opinião é essencialmente finalista, e concentra-se fortemente na construção de um “glorioso futuro coletivo” promovido por um super-estado-babá e suas ONGs do G e no combate a quem não acreditar muito nessa balela. Professores, jornalistas e escritores estão geralmente na linha de frente da promoção disso. Em tal ambiente, é natural uma promoção ainda mais acentuada da falsa bondade (por perversão ou fingimento).
Só para não deixar o assunto solto no ar, vou dar como exemplo histórico o pacifismo nas nações ocidentais, fortemente promovido por intelectuais e grupos de esquerda, quando do crescimento militar da Alemanha nazista. Milhares de jovens na França, EUA, Inglaterra, foram tomados de um súbito ardor pacifista, exigindo de seus governos acordos de paz que os impedissem de armar-se o suficiente para enfrentar a Alemanha. É interessante que via de regra o militante pacifista não tem a menor idéia dos motivos da escolha do seu objetivo particular. Num mundo de tantos confrontos, como os organizadores de uma passeata escolhem um governo em particular para pressionar? Um pacifista francês da década de 30, vendo uma movimentação geral das classes falantes em “favor da paz”, não sabia realmente porque pressionava o governo de seu país a uma atitude mais passiva, apenas sentia-se bem consigo mesmo, imaginando-se uma pessoa particularmente generosa. Como sabemos hoje, o motivo por que as classes falantes eram “em favor da paz” naquele momento, foi simplesmente um acordo secreto entre Hitler e Stalin, que dava ao primeiro do “direito” de esmagar toda oposição na Alemanha, armar-se até os dentes produzindo secretamente suas armas em território soviético, (em oposição ao estabelecido no acordo de Versailles), e barbarizar à vontade na Europa ocidental e central. Os próprios “intelectuais” que receberam ordens de promover “a paz” não tinham idéia dos detalhes do acordo, e a maioria dos seus colegas simplesmente entrou na onda de “serem bonzinhos” e parecerem afinados com os “progressistas”. Mas um dia a criatura voltou-se contra o seu criador (Stalin), e repentinamente, as esquerdas deixaram de ser “pacifistas” e se uniram na luta contra Hitler. Este caso exemplifica bem o quanto a “bondade” pode ser uma forma requintada e perversa da maldade, quando tornada um ente isolado de outras virtudes como a percepção, prudência, firmeza, humildade, senso de proporções (essencial à justiça) e sabedoria.
Mas a história tem se repetido de novo, de novo e de novo. Muitas vezes, quando eu leio sobre alguma manifestação “pacifista” nos jornais, percebo, pelas informações que já tenho, que grupos estão promovendo e financiando e com que intenções. Via de regra, “pacifismo” tem um lado, o lado dos mais violentos, dos ditadores, daqueles que não podem ser muito influenciados por manifestações públicas. Jamais entraria numa onda dessas sem entender primeiro o que está acontecendo. Em particular, se morasse no Rio de Janeiro, jamais participaria das manifestações “pela paz” daquele sujeitinho apoiado pela Rede Globo e por certas fundações estrangeiras.
MARXISMO INTERNO V
VERDADES COMO INSTRUMENTOS DA MENTIRA
Usar verdades como instrumentos de mentira, eis uma técnica antiqüíssima, mas que ainda funciona muito bem. Quando Jesus foi tentado no deserto, o Diabo utilizou uma série de verdades para tentar fazer do Filho do Altíssimo um caído e mentiroso. Era verdade que Jesus tinha poder para transformar pedras em pães. Era verdade que o havia uma promessa do Criador proteger sua Palavra encarnada. Era verdade que o diabo tinha recebido poder sobre esta terra (Adão lhe deu tal poder). Entretanto, a essência do que o Diabo propunha era uma mentira. O Verbo divino não poderia existir longe da vontade do Seu Pai. O Diabo propunha que a Vida dada pelo Eterno se transformasse em morte, que a Verdade se transmutasse em mentira. Esta essência do discurso do Diabo (a morte da Verdade), era defendida e disfarçada com muitas verdades.
ATÉ OS DIAS DE HOJE
Os “pensadores” da escola de Frankfurt, um grupo de gnósticos judeus, criou um instituto em Berlim inspirados em um instituto Moscovita, supostamente para defender a livre discussão de idéias (alguém consegue hoje acreditar que Moscou teria apoiado tal instituto, se sua real intenção fosse esta?). Obviamente, a intenção dos criadores do Instituto de Pesquisas Sociais, em Frankfurt era fazer guerra cultural em favor de Moscou. Note bem, fazer guerra cultural em favor de Moscou não significa necessariamente defender publicamente as idéias que Moscou defendia publicamente, nem praticar os mesmos métodos que o governo soviético aplicava internamente. Pois bem, com a ascensão do nazismo, esse pessoal fugiu para os EUA onde se tornaram os pais espirituais da maioria da “intelingentsia” norte americana atual. Foram pais da “liberação sexual”, movimento hippie, do multiculturalismo, do domínio das esquerdas nos meios acadêmicos e culturais, do ódio contra cristãos e judeus, das políticas de apaziguamento em relação a ditadores comunistas (que matavam dezenas de milhões no mundo inteiro e impunham terrível regime de escravidão e privação aos povos por eles dominados) e de feroz enfrentamento a ditaduras não comunistas (muito menos violentas e muito menos fechadas). São os seus filhos espirituais que até hoje defendem o regime do Kmer vermelho (como o mundialmente aclamado Noam Chonsky). São seus filhos espirituais os amigos do presidente do Irã. Seus filhos espirituais são aqueles que calaram a boca, aqui no ocidente, de todos aqueles que fugiam dos regimes comunistas, tratando-os como picaretas, comprados ou malucos. Eles difamaram todos os que denunciavam os crimes socialistas. Eles difamaram sempre todos aqueles pregavam o evangelho de Cristo. Eles difamaram qualquer acadêmico, político e jornalista que pudesse prejudicar o crescimento cultural do marxismo no ocidente. Hoje seus planos tiveram pleno sucesso. É virtualmente um crime não concordar com as teses esquerdistas na imensa maioria dos cursos superiores de humanidades, em quase qualquer lugar do mundo. Protestar contra os crimes comunistas é ser considerado “lacaio do império americano”. Discordar do intervencionismo estatal na economia ou do dirigismo cultural socialista é ser “alienado”. Quanto mais crimes os socialistas cometem, mais louvados como santos eles são. Não ser socialista, é ser “do mal”. Quase tudo aquilo que, há algumas décadas, era considerado por qualquer pessoa instruída como simples propaganda soviética ou chinesa, é hoje ensinado na maioria das escolas do mundo como fatos insofismáveis.
DEFENDENDO VERDADES, MAS DEFENDENDO A MENTIRA
Pois bem, as pessoas que apoiaram a opressão das centenas de milhões que sofriam feroz perseguição nos países comunistas, estes mesmos sempre criticaram a centralização e falta de pluralidade na imprensa dos países não socialistas. Em outras palavras criticam os jornais americanos dizendo que deveriam ser mais abertos, mais interiormente desejariam que cada um deles fosse um “pravda”. Dizem amar a liberdade, mais propõem o total controle do estado sobre as informações. A “pluralidade” que defendem viria de cima, passando pelo crivo da ONU, das ONGs do G e pelos apóstolos do “politicamente correto”. Mas a verdadeira sabedoria diz: A VERDADE EM QUE FALTA O SENSO DE PROPORÇÕES, É MENTIRA. É verdade que nosso jornais ocidentais deveriam ser mais abertos, mas certamente sempre foram muito mais abertos a debate que qualquer dos seus congêneres nos países socialistas. E torná-los mais abertos é o oposto exato de torná-los censurados por um grupo de burocratas ou ongueiros “politicamente corretos”. Os frankfurtianos que são os próprios criadores dessa polícia do pensamento chamada “politicamente correto”, são as últimas pessoas que quero ouvir a respeitos de “liberdade de imprensa”. Assim como Mao, Stalin ou Hitler seriam as últimas pessoas que eu ouviria a respeito de “direitos humanos”.
MARXISMO INTERNO IV
Em outro artigo sobre o marxismo interno, comentei por alto sobre a origem não popular dos líderes e principalmente dos promotores e financiadores das revoluções. O objetivo final do movimento revolucionário (falo assim no singular, porque creio que exista uma unidade de propósitos entre a maioria dos movimentos revolucionários), seja cultural ou político, é poder absoluto. Sua essência parece ser uma revolta íntima contra a existência de limites à ação de seus propositores. É claro que para que estes tenham o máximo poder que possam imaginar, terão de ter poder sobre outras pessoas. Parece bastante natural que um movimento de imposição doentia da própria vontade tenha tido tanta aceitação entre adolescentes e jovens, particularmente filhos mimados de pais abastados ou relativamente abastados. E parece natural também que seus agentes sejam simpáticos a criminosos que tornam a vida dos trabalhadores um inferno.
Entre os defensores das revoluções alguns já disseram explicitamente qual personagem é o seu maior inspirador. Naturalmente, não é um pobre oprimido, que luta por si e pelos seus semelhantes, para ter uma vida melhor. O grande inspirador, chamado por alguns de “primeiro revolucionário”, é alguém que já tinha poder, beleza, riqueza e virtualmente tudo quanto pudesse desejar, mas estava revoltado contra a ordem cósmica por não ser Deus. Por este motivo, criou para si um império baseado na mentira, destruição, roubo e morte e assim, pôde tornar-se um deus. Um escritor muito antigo fala sobre ele. Tomado de inspiração profética, Ezequiel começa falando do poderoso e riquíssimo rei de Tiro, na Fenícia. Mas repentinamente, o Espírito de profecia o conduz a traçar um paralelo entre este rei e um outro personagem muito mais antigo, que foi criado como um anjo de luz. Deixo com o leitor, o capítulo 27 e o 28 (até o verso 19) do livro do profeta Ezequiel. Chocante!!!
Capítulo 27 1 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2 Tu pois, ó filho do homem, levanta uma lamentação sobre Tiro. 3 E dize a Tiro, que habita nas entradas do mar, e negocia com os povos em muitas ilhas: Assim diz o Senhor DEUS: Ó Tiro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura. 4 No coração dos mares estão os teus termos; os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura. 5 Fabricaram todos os teus conveses de faias de Senir; trouxeram cedros do Líbano para te fazerem mastros. 6 Fizeram os teus remos de carvalhos de Basã; os teus bancos fizeram-nos de marfim engastado em buxo das ilhas dos quiteus. 7 Linho fino bordado do Egito era a tua cortina, para te servir de vela; azul e púrpura das ilhas de Elisá era a tua cobertura. 8 Os moradores de Sidom e de Arvade foram os teus remadores; os teus sábios, ó Tiro, que se achavam em ti, esses foram os teus pilotos. 9 Os anciãos de Gebal e seus sábios foram em ti os que consertavam as tuas fendas; todos os navios do mar e os marinheiros se acharam em ti, para tratarem dos teus negócios. 10 Os persas, e os lídios, e os de Pute eram no teu exército os teus soldados; escudos e capacetes penduraram em ti; eles manifestaram a tua beleza. 11 Os filhos de Arvade e o teu exército estavam sobre os teus muros em redor, e os gamaditas nas tuas torres; penduravam os seus escudos nos teus muros em redor; eles aperfeiçoavam a tua formosura. 12 Társis negociava contigo, por causa da abundância de toda a casta de riquezas; com prata, ferro, estanho e chumbo, negociavam em tuas feiras. 13 Javã, Tubal e Meseque eram teus mercadores; em troca das tuas mercadorias davam pessoas de homens e objetos de bronze. 14 Os da casa de Togarma trocavam pelas tuas mercadorias, cavalos, e cavaleiros e mulos. 15 Os filhos de Dedã eram os teus mercadores; muitas ilhas eram o comércio da tua mão; dentes de marfim e pau de ébano tornavam a dar-te em presente. 16 A Síria negociava contigo por causa da multidão das tuas manufaturas; pelas tuas mercadorias davam esmeralda, púrpura, obra bordada, linho fino, corais e ágata. 17 Judá e a terra de Israel, eram os teus mercadores; pelas tuas mercadorias trocavam trigo de Minite, e Panague, e mel, azeite e bálsamo. 18 Damasco negociava contigo, por causa da multidão das tuas obras, por causa da abundância de toda a sorte de riqueza, dando em troca vinho de Helbom e lã branca. 19 Também Dã e Javã, de Uzal, pelas tuas mercadorias, davam em troca ferro trabalhado, cássia e cálamo aromático, que assim entravam no teu comércio. 20 Dedã negociava contigo com panos preciosos para carros. 21 A Arábia, e todos os príncipes de Quedar, eram mercadores ao teu serviço, com cordeiros, carneiros e bodes; nestas coisas negociavam contigo. 22 Os mercadores de Sabá e Raamá eram os teus mercadores; em todos os seus mais finos aromas, em toda a pedra preciosa e ouro, negociaram nas tuas feiras. 23 Harã, e Cane e Éden, os mercadores de Sabá, Assur e Quilmade negociavam contigo. 24 Estes eram teus mercadores em roupas escolhidas, em pano de azul, e bordados, e em cofres de roupas preciosas, amarrados com cordas e feitos de cedros, entre tua mercadoria. 25 Os navios de Társis eram as tuas caravanas que traziam tuas mercadorias; e te encheste, e te glorificaste muito no meio dos mares. 26 ¶ Os teus remadores te conduziram sobre grandes águas; o vento oriental te quebrou no meio dos mares. 27 As tuas riquezas, as tuas feiras, e tuas mercadorias, os teus marinheiros, os teus pilotos, os que consertavam as tuas fendas, os que faziam os teus negócios, e todos os teus soldados, que estão em ti, juntamente com toda a tua companhia, que está no meio de ti, cairão no meio dos mares no dia da tua queda, 28 Ao estrondo da gritaria dos teus pilotos tremerão os arrabaldes. 29 E todos os que pegam no remo, os marinheiros, e todos os pilotos do mar descerão de seus navios, e pararão em terra. 30 E farão ouvir a sua voz sobre ti, e gritarão amargamente; e lançarão pó sobre as cabeças, e na cinza se revolverão. 31 E far-se-ão calvos por tua causa, e cingir-se-ão de sacos, e chorarão sobre ti com amargura de alma, e com amarga lamentação. 32 E no seu pranto levantarão uma lamentação sobre ti, e lamentarão sobre ti, dizendo: Quem foi como Tiro, como a que foi destruída no meio do mar? 33 Quando as tuas mercadorias saiam pelos mares, fartaste a muitos povos; com a multidão das tuas riquezas e do teu negócio, enriqueceste os reis da terra. 34 No tempo em que foste quebrantada pelos mares, nas profundezas das águas, caíram, no meio de ti, os teus negócios e toda a tua companhia. 35 Todos os moradores das ilhas estão a teu respeito cheios de espanto; e os seus reis tremeram sobremaneira, e ficaram perturbados nos seus rostos; 36 Os mercadores dentre os povos assobiaram contra ti; tu te tornaste em grande espanto, e jamais subsistirá
Capítulo 28 1 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 2 Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto o teu coração se elevou e disseste: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares; e não passas de homem, e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus; 3 Eis que tu és mais sábio que Daniel; e não há segredo algum que se possa esconder de ti. 4 Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros. 5 Pela extensão da tua sabedoria no teu comércio aumentaste as tuas riquezas; e eleva-se o teu coração por causa das tuas riquezas; 6 Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Porquanto estimas o teu coração, como se fora o coração de Deus, 7 Por isso eis que eu trarei sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão o teu resplendor. 8 Eles te farão descer à cova e morrerás da morte dos traspassados no meio dos mares. 9 Acaso dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou Deus? mas tu és homem, e não Deus, na mão do que te traspassa. 10 Da morte dos incircuncisos morrerás, por mão de estrangeiros, porque eu o falei, diz o Senhor DEUS. 11 ¶ Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: 12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. 13 Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônica, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. 14 Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. 16 Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. 17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. 18 Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem. 19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá.
MARXISMO INTERNO III
Revoluções são ideológicas, não idealistas, e quem sabe a diferença entre estas duas palavras, entenderá o que vou dizer.
Freqüentemente se diz que as revoluções (isto é, as tomadas do poder por outros grupos e as mudanças planejadas do panorama geral das idéias difundidas) são feitas pelas “massas oprimidas”. Dizem isto por que ficaria mal dizer “este é um movimento planejado por gente que já é poderosa, por interesses ocultos e financiado com muita grana de banqueiros”. É claro que fica bem mais atraente a seguinte frase: “este é um movimento nascido espontaneamente das massas oprimidas, com objetivos claros (aqueles declarados explicitamente) e com grande dificuldade de financiamento”. Alternativamente pode-se não falar nada sobre financiamento, para que o público não pare para pensar nisso.
Mas a verdade bem conhecida (e Marx sabia disso quando disse o contrário) é que, com exceção dos movimentos nativistas, geralmente não há nada de “natural” nas “causas” das revoluções (com isto não quero dizer que não haja interveniência de outros fatores nos movimentos nativistas, mas a causa primeira deles geralmente não é artificial). Não é a luta contra a fome de alimentos, de liberdade, ou de justiça o seu objetivo real, pois geralmente elas levam a uma situação de mais fome, servidão e injustiça. Fossem movimentos naturais, não planejados, que seguissem seu próprio curso pela simples ação de busca do melhor pelo povo, certamente a situação de descalabro posterior (as piores fomes, genocídios e injustiças ocorreram após as revoluções) levaria naturalmente o povo a mudar o rumo dos acontecimentos e restaurar a situação anterior. Mas não é isto que acontece, o povo não tem poder real para fazer isto, de repente descobre que está numa via de mão única. Freqüentemente as revoluções ocorrem após uma época de grande crescimento econômico, que conduziria de forma natural o país a uma situação de prosperidade e é a própria revolução que aborta tal futuro natural, usando como combustível a insatisfação com qualquer crise passageira. Quando o povo acorda, vê que foi criada uma nova casta de burocratas, em cujo topo estão os dirigentes do país, e que ele, o povo, que tinha liberdade de ação antes, não tem mais nenhuma.
Igualmente, as revoluções culturais, criadas pelas mesmas fontes que criam as revoluções políticas são o reverso daquilo que pretendem ser. Costumam se dizer não religiosas, naturais, libertárias e feitas por pessoas desinteressadas em dinheiro, mas tem inspiração em doutrinas esotéricas, são planejadas a longo prazo, produzem coação sobre o povo e são financiadas fartamente por fontes ocultas ou semi-ocultas.
domingo, 28 de setembro de 2008
DESCANSO II
1.O domingo é, como o próprio nome diz, o “dia do Senhor”, o qual é Jesus Cristo.
Resposta: Já existia no Império Romano um “dia do senhor”, o dia de Mitra, deus importado da Babilônia. O imperador romano era o sumo sacerdote do culto de Mitra, que tornou-se a religião dos militares romanos. O título do imperador, no exercício da sua função sacerdotal era sumo-pontífice.
2.Desde o início os cristãos se reuniam no domingo, como o NT atesta, quando afirma, várias vezes, que os cristãos estavam reunidos no primeiro dia da semana. Portanto deve ser óbvio que eles já havia substituído o sábado pelo domingo, mesmo sendo judeus de nascimento.
Resposta: Todos os autores do NT eram judeus (Lucas provavelmente era prosélito, mas certamente estava sob forte influência judaica). Devemos esperar que sua descrição dos fatos adote o linguajar judaico e é o que realmente acontece. Há quem defenda que o NT (ou grande parte dele) foi escrito primeiramente em aramaico, mas, mesmo que não tenha sido, certamente há uma grande influência de expressões semíticas no grego do NT e é esperado do leitor que conheça os costumes, leis, mandamentos, sacerdócio, cultura, geografia, história e até jurisprudência judaica. É natural, portanto, que a contagem de tempo siga o modo hebraico, que considera o início do dia às 18:00Hs da nossa contagem. Desta forma, parece razoável interpretar que o primeiro dia da semana, citado muitas vezes no NT refere-se ao período entre 18:00Hs do nosso sábado e 17:59Hs do nosso domingo. Deve-se salientar que o próprio conceito de semana é uma peculiaridade judaica, incomum no mundo antigo. Devemos nos perguntar quando seria razoável esperar que os primitivos seguidores do Ungido se reunissem. Sendo judeus os primeiros crentes, gozavam de um dia de descanso garantido no sábado, e poderiam reunir-se à noite, que segundo sua contagem já era o primeiro dia da semana, após as 18:00Hs. Mesmo nas congregações mistas, no mundo helênico, em princípio haviam muitos judeus e outras pessoas interessadas no ensino hebraico, muitos dos quais já freqüentavam a sinagoga antes de conhecerem as boas novas do Messias. Para tais pessoas, o sábado já era um dia de descanso, e a noite de sábado era especialmente apropriada para uma reunião com os irmãos, visto que muitos dos participantes não tinham trabalhado durante o dia. O período diurno do primeiro dia não seria muito apropriado, visto que as pessoas teriam de trabalhar (muitos não dispunham de liberdade para estabelecer seu próprio dia de descanso). O alvorecer do primeiro dia, antes de iniciar o trabalho diário era possível, mas menos apropriado. De qualquer forma, é Lucas quem nos informa, no Livro dos Atos dos Apóstolos, que os cristãos da Judéia, conforme a palavra dos apóstolos Pedro e Tiago, eram observantes dos Mandamentos de Moisés, e isto na segunda metade do primeiro século, quando o apóstolo Paulo foi levado preso para Roma. Portanto, eram guardadores do sábado e seria estranho que eles guardassem dois dias de descanso na semana.
3.A patrística confirma que o domingo era guardado desde o início, conforme:
Justino Mártir (150D.C.) "No dia chamado domingo, todos, quer morem nas cidades quer nos povoados, se reúnem, e as memórias dos apóstolos e escritos dos profetas são lidos tanto quanto o tempo permitir; então, após a leitura, o presidente fala exortando e animando, para que estes exemplos excelentes sejam imitados; então todos nós nos levantamos e nos despedimos em oração pedindo as bênçãos espirituais de Deus."
Eusébio (265 a 340 D.C.) "Tudo o que era nosso dever para ser feito no sábado, transferimos para o dia do Senhor, pois pertence mais apropriadamente a ele, porque tem um precedente, e é o primeiro da fila e é mais digno que o sábado judeu. E foi entregue a nós para que possamos nos reunir neste dia."
Resposta: Infelizmente, muitos dos textos da patrística que chegaram até nós carregam um pesado ranço anti-semita, visto que muitos deles trouxeram do pensamento grego um ódio feroz contra os judeus. Note-se que muitos autores cristãos tentaram desvincular totalmente Jesus de sua nação, dos quais o mais exagerado foi Marcião. Muitos outros, embora menos ilógicos e menos espalhafatosos, tinham a mesma animosidade anti-judaica, que se introduziu tão fortemente nas igrejas cristãs que durante séculos estas instituições têm sido fortemente anti-semitas (como vemos até hoje, quando o CMI aplaude as propostas iranianas de hecatombe nuclear na Terra Santa). Desta forma, muito do que lemos pode ser argumentação anti-judaica. Seria perfeitamente concebível que um autor do segundo século projetasse sua própria visão anti-semita sobre o primeiro século, deixando de perceber que aquele tinha sido um período diferente, quando judeus e gentios, crentes no Messias, gozavam de muito mais comunhão. Mesmo porque, teria sido difícil o anti-semitismo entre os seguidores do Ungido no primeiro século, quando grande parte da igreja é judaica. Este assunto merece um texto inteiro e prometo escrever sobre isto outro dia, se Deus assim o permitir.
4.“O dia do Senhor” é citado explicitamente no livro de Apocalipse, provando que já era guardado no final de primeiro século com tal nome e reconhecido pelo apóstolo João.
Resposta: “O dia do Senhor” é uma expressão comum na Tanach (AT) e refere-se ao dia da vinda do Senhor (a segunda vinda, como a chamamos). É simbolizado pela festa das trombetas, que ocorre no primeiro dia do sétimo mês do calendário judaico. É razoável entender que o judeu João, profetizando sobre as últimas coisas, tenha estado em espírito no “Dia do Senhor”, dia da sua vinda. Também seria razoável supor que a revelação profética ocorreu no dia da Festa das Trombetas, que representa esse evento futuro. Mas alguém argumentará que é razoável supor que a revelação ocorreu num domingo. Há muitas ocorrências na Bíblia de “Dia do Senhor” referindo-se às últimas coisas, mas nenhuma em que se refira ao domingo (a não ser esta, como tais debatedores querem). Conforme o princípio que diz “As Escrituras interpretam as Escrituras”, as duas primeiras interpretações são muito preferíveis a esta última.
5. Os entes do Antigo Testamento são símbolos do Segundo. É bastante óbvio que o sábado, da velha aliança, é simbolo do domingo, da nova.
Resposta: Felizmente não precisamos fazer suposições sobre o que o sábado simboliza, pois a própria Escritura nos diz, nos capítulos 3 e 4 da Carta aos Hebreus:
"Por isso, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa. Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou. Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus. E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar; mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim. Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto, onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta anos as minhas obras. Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não conheceram os meus caminhos. Assim jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso. Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação. Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade. Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás. Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso; porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia. E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso. Visto, pois, que resta que alguns entrem nele, e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência, determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações. Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disso de outro dia. Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas. Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar. Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."
Vemos, do texto acima, que o sábado representa o descanso que o crente alcança no Messias, através da fé.
Alternativamente, outros eventos proféticos de descanso (o milênio e o mundo vindouro) podem ser também representados pelo sábado. Mas a interpretação de que ele simbolize o domingo, além de não bíblica, é totalmente estranha, visto que as coisas físicas da Primeira Aliança representam sistematicamente realidades espirituais. Se o sábado representasse o domingo, seria o único caso de um ente da Primeira Aliança representando um ente seu igual (um dia representando outro dia) e não um seu superior. Acho que nem preciso referir o quanto a primeira interpretação (que é tirada diretamente da Bíblia) é superior a esta última.
6.O sábado é o único dos Dez Mandamentos da Velha Aliança que não foi confirmado por Jesus.
Resposta: As afirmações de Yeshua (Jesus) contidas nos evangelhos, são normalmente parte de debates com mestres da lei ou ensino ao público judaico. Não são ensinos sistemáticos, mas sim, ensinos ditados pela necessidade da hora. Sendo o mandamento do sábado rotineiramente cumprido pelos doutores e pelo povo, não era necessária a sua confirmação, visto que não era posto em dúvida e era bastante respeitado nessa época. Embora não tenha sido confirmado explicitamente pelo Messias, é fato conhecido que o Mestre cumpria estritamente o calendário religioso, e não há registro de que tenha descumprido o descanso sabático injustificadamente.
7.Jesus não guardava o sábado, e induzia os judeus a não guarda-lo.
Resposta: É espantoso que cristãos tentem atribuir ao Messias o descumprimento dos Mandamentos (como faziam seus inimigos, que o mataram). Mais espantoso ainda, por negarem as próprias Escritura, as quais declaram que “Ele cumpriu toda a Lei” . Quanto à guarda do sábado, ao ser interpelado pelos seus inimigos, Ele jamais respondeu dizendo que o sábado não devia ser guardado. Pelo contrário, em todas as suas discussões ele argumentou dentro da jurisprudência judaica, provando que sua forma de guardar o sábado era superior à de seus adversários. Vemos isto nos seguintes textos:
“E aconteceu num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando. E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrópico. E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei, e aos fariseus, dizendo: É lícito curar no sábado?'
Eles, porém, calaram-se. E tomando-o, o curou e despediu. E disse-lhes: 'qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo?' E nada lhe podiam replicar sobre isto.” Evangelho segundo S. Lucas, capítulo 14.
Aqui, Ele argumenta de acordo com a jurisprudência judaica que afirma a licitude de salvar a vida de um animal no sábado. A Torah considera a circuncisão como justificativa para a quebra do sábado, e de acordo com a interpretação judaica, a circuncisão é uma cura. Onde se pode o pouco (uma pequena cura) se pode o muito (uma grande cura). Portanto, todas as curas executadas por Yeshua no sábado estão justificadas dentro da Lei.
8.Jesus induzia os judeus a abandonarem o judaísmo.
Resposta: Jesus seguia freqüentemente uma jurisprudência diferente da adotada pela maioria dos rabinos. Isto é assunto para um artigo bastante mais longo, mas adianto que seus ensinos são fortemente fundados em interpretações de rabinos anteriores. Adotar uma jurisprudência judaica menos comum é bastante diferente de se opor aos mandamentos de Moisés. Mesmo o leitor descuidado do NT perceberá que Yeshua falou sobre como apresentar os sacrifícios, como entregar dízimos e ofertas no templo, ordenou a apresentação de leprosos curados aos sacerdotes, pregou em sinagogas (e no próprio Templo), teve zelo pelo Templo, cumpria as festas judaicas e argumentava com base nas Escrituras judaicas. Tais atos não parecem os de alguém interessado em destruir a Torah. Na verdade, declarou explicitamente que não veio para destruir a Torah, mas para cumpri-la (Evangelho Segundo S. Mateus, capítulo 5, verso 17).
LUTA - Texto da Ivânia
Diz a Palavra de Deus (a Bíblia) que devemos ser rápidos no ouvir e tardios no falar, guardando assim nossa mente e coração. Nossa mente desenvolvida tem maior potencial, inclusive para o mal. Penso que, se o Senhor quisesse que soubéssemos os pensamentos alheios, teríamos todos essa capacidade de penetrar a mente humana. Logo, não podemos ter essa capacidade, por-que somos seres separados de Deus, perdidos em corrupção e vaidade.
Pense no perigo de alguém conhecer todos os seus pensamentos. Se isso nos deixa aterrorizados, então porque não aceitamos o fato de a palavra de Deus estar correta, quando diz que, melhor é ouvir do que falar. Quando falo torno-me frágil pelas minhas palavras, pois me dou a conhecer por outra pessoa, e quem disse que devemos fazer as outras pessoas conhecedoras de todos os nossos pensamentos?.
Além do fato de que, quem fala menos aprende mais, devemos prestar atenção também no fato de que, pensamentos nossos podem virar armas contra nós, usadas pelos nosso inimigos. Nesse caso específico, o diabo. O que o diabo mais deseja é conhecer os pensamentos do homem, para poder agir sem culpa, pois ele já fez isso no passado. Se não somos confiáveis para conhecer os pensamentos uns dos outros, porque nos revelaríamos o tempo todo a outras pessoas, em conversas vazias e ladainhas sem fim.
Guardar pensamentos é portanto guardar a alma; claro que devemos ter amigos para conversarmos, para nos congratular e desabafar, mas quem disse que devo dizer o tempo todo o que vou fazer, e como vou fazer?.
EXEMPLOS: na Bíblia o diabo tenta, o tempo todo, saber os passos de todos, até mesmo do próprio Jesus; mas aqueles melhor preparados e inspirados por Deus não caíram em sua lábia.
Profetizaram ao apóstolo Paulo para que fosse para determinado lugar, mas esse tomou outro rumo sem dar satisfação a ninguém. Jesus, todo o tempo em que esteve no deserto, foi indagado com propostas para que se confundisse e respondesse tudo o que sabia que iria fazer; mas Ele se manteve calado, escondendo do Diabo seus planos e ações.
Quando Jesus aparece, logo os endemoninhados gritam: "tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!!!" Mas Jesus manda que se calem; ele não admite que os espíritos imundos dialoguem com ele, afinal essa é uma condição privilegiada. Pois conversas geram intimidades, e intimidades geram conhecimentos de um com outro, e o Filho de Deus não desejava ter comunhão com demônios, muito menos que eles o conduzissem em conversas a fim de conhecer seus passos.
A NATUREZA DO ETERNO
A visão do “deus oculto” de Lutero, um ente que me parece puro capricho e nenhuma bondade, é talvez a forma mais forte dessa doutrina. Em sua base, uma especulação escolástica anterior de pensadores que não podiam conciliar a existência de algum caráter divino, com Sua liberdade. O “deus livre” de Lutero, seguindo estas especulações escolásticas, é um deus sujeito a seus próprios caprichos.
Um parêntesis para uma reminiscência. Há muito me chama a atenção um texto bíblico em que o Eterno declara “Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. ” (Livro do Profeta Isaías, capítulo 43, verso 10). Quando eu era criança, tal texto parecia uma referência cronológica, e fazia parecer que houve um tempo em que não existiu deus algum. É claro que eventualmente, temos de abandonar a visão cronológica sobre a Eternidade, e tais questões deixam de se colocar assim.
Mas voltemos a Lutero e aos Calvinistas. Um dos elementos centrais de sua doutrina, embora talvez eles mesmos não tivessem noção disso, era a “simplicidade de Deus”. Este era um princípio adotado generalizadamente entre os teólogos cristãos, e não é auto-evidente nem bíblico. Sua origem, até onde os historiadores da filosofia discernem está na filosofia grega (muito posterior, portanto, às origens do pensamento judaico sobre Deus). A idéia de que Deus é simples entrou na teologia cristã diretamente da filosofia grega e é irrelevante para nossos propósitos debater se e quando ela teve alguma influência no pensamento judaico. Cabe aqui um parêntesis: A discussão entre judeus e as correntes principais da teologia cristã não é sobre a simplicidade da essência de Deus. A discussão é sobre se há mais de uma pessoa em Deus, o que não afeta a questão que discutimos aqui.
Sobre certos entes, que muitas vezes a filosofia e a intuição consideram como preexistentes (o Bem, o Amor, a Lógica, a Justiça, etc), minha percepção pessoal é que eles preexistem, não isolados, mas em relação uns com os outros. Além de existirem em relacionamento, existem em uma pessoa (conforme nos ensina a Bíblia), a qual chamamos de “O Eterno” ou Deus. Portanto respondo à questão inicial dizendo que O Eterno quer o bem por que isto é bom, mas seu critério do que é bom está dentro de si mesmo, não por ser Ele um ser caprichoso, mas por ser Ele a própria personalidade da Bondade. A afirmação do apóstolo João “Deus é amor”, poderia ser escrita, segundo o meu pensamento, como “Deus é Amor”. É um relação ontológica, não a descrição de uma característica.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
PRAZER, PODER E GRANA
Mas, como são as pessoas reais, que o leitor conhece? O que eles querem? Provavelmente o leitor conhece pessoas que buscam coisas bem diferentes, mas que podem, na sua maioria serem resumidas em: evitar o desconhecido (preservação da vida e fuga de situações imprevisíveis, para sí mesmas e para pessoas próximas), busca do prazer (incluídos aqui os chamados “prazeres elevados”, como os intelectuais e espirituais e até mesmo a sensação de dever cumprido e o saber-se seguro, bem como ter confiança no bem estar de seus queridos) e fuga do desprazer (incluídos aqui a culpa e a percepção da própria desimportância, e a preocupação com sua própria segurança e com a de outros). Eu poderia falar também de outras fontes de impulsos dentro do homem, causas espirituais, mas deixo isto para outro dia, pois não afeta 'grosso modo' a argumentação. Adianto apenas que entre os impulsos mais importantes de ordem espiritual, está a vocação, uma percepção íntima de que há um caminho a seguir, e a intuição, uma percepção de realidades não acessíveis aos sentidos físicos ou à inteligência.
O poder é uma questão secundária. Pode trazer alguma sensação de prazer (que algumas pessoas apreciam demasiadamente), mas é fundamentalmente um MEIO para alcançar objetivos (entre eles, alcançar prazeres e evitar desprazeres). Quanto ao dinheiro, é uma forma particular de poder, cambiável até certo ponto por outras formas. Uma característica peculiar do dinheiro é poder ser acumulado e trocado por outros entes no momento mais adequado. Isto naturalmente traz uma certa sensação de segurança em relação ao futuro.
Para grande parte das pessoas, as escolhas sobre que objetivos seguir acompanham efetivamente a percepção daquilo que realmente lhes falta. Via de regra, o acumulo de dinheiro para garantia futura é deixado em segundo plano em relação a objetivos mais preementes, como educação e saúde dos filhos, e mesmo seus prazeres diários. Via de regra, quando as pessoas sacrificam seus objetivos de curto prazo (em particular, alguns prazeres) para acumulo de dinheiro, visam algum objetivo mais concreto, como um investimento em particular, que possa eleva-las a um novo patamar de segurança e/ou oportunidades, ou bem estar no trabalho (o sonho de não ter chefe, por exemplo).
Entretanto, uma parcela importante das pessoas gasta seu dinheiro para satisfazer necessidades menos óbvias. O ser humano busca ser aprovado, ser admirado, reconhecido, particularmente na adolescência, mas muitos continuam sentindo tal necessidade de forma muito forte até uma idade muito avançada. Grande parte do esforço e do dinheiro, que não deixa de ser uma forma de esforço acumulado, de uma pessoa pode ser gasta em vaidade (que significa vazio), isto é aparência. Pode ser aparência física, percepção de ser bem aceito pelo grupo, “saber” (“intelectuais” muitas vezes são pessoas doentiamente vaidosas) ou até mesmo a aparência de “pensar as coisas certas”. O que seria da religião do “politicamente correto sem o poder da vaidade? E também, sem o poder da ameaça de retirar das pessoas o seu bom nome?
As pessoas que tem bastante dinheiro utilizam apenas uma parte relativamente pequena na sua própria manutenção e de suas famílias. Grande parte do dinheiro é investido no próprio negócio. Quem vê de fora talvez imagine uma ambição maluca de tentar ganhar muito mais dinheiro do que pode gastar. Por que quem já é rico, e por qualquer padrão razoável já tem segurança econômica, buscaria aumentar seu capital? Sejamos razoáveis, só pessoas de mente muito anormal despendem todo seu esforço em algo que já tem de sobra. Quando se vê um rico investindo em seus negócios, ele busca outra coisa diferente do dinheiro. Alguns buscam a realização de provar a sí mesmos ou a outros o seu valor, sua capacidade de construir um negócio grande, que produz riqueza para muitos. Pode ser o desejo genuíno de mudar algo na economia. Talvez alguém tenha pensado por muito tempo “deveria existir tal ramo da industria neste país, isto está fazendo falta”. Há um certo componente de idealismo nas motivações de muitos empresários, o que às vezes pode tornar-se um óbice à melhor condução dos negócios.
Para muitos homens muito ricos, a auto-glorificação, o culto a sua própria grandeza ou a obtenção de poder acabam por tornar-se objetivos primordiais. Muitos ficam apenas na auto-glorificação, na qual esbanjam sua riqueza, conforme o ditado “pai rico, filho nobre, neto pobre”. Para outros, conforme as oportunidades e temperamento, a riqueza, antes que se esgote, compra o poder, como nos ensina a saga dos Medicis.
ENTENDENDO A HISTÓRIA RECENTE SOB NOVA VISÃO
Tente o leitor reinterpretar a história recente entendendo que vários impulsos diferentes movem os seus atores. Entenda o poder das necessidades psicológicas (principalmente a necessidade que as pessoas tem de verem a si mesmas como superiores, moral e inteletualmente, e verem seu “pensamento independente” apoiado pelos seus pares). Entenda a profunda necessidade de agradar (mesmo daqueles que se dizem “contracultura”) e a esperteza daqueles que sabem utilizar as necessidades dos outros. Muitos fatos visíveis ao leitor, que deveriam ser “ignorados” ou minimizados numa leitura 100% economicista, fazem todo sentido nesta nova interpretação.
Sob tal compreensão, é estranho chamar de “capitalismo” a crença nas virtudes da liberdade de mercado. Capitalismo seria o sistema que privilegiasse os proprietários de capital, dando a eles o máximo de garantias de manutenção da riqueza e poder para si e para seus filhos. Ora, em um país onde haja real liberdade de mercado, há riscos reais de grandes perdas para os proprietários de capital, e vê-se a toda hora grandes empresas afundarem e novas fortunas surgirem. É uma grande mentira que tal sistema engesse as pessoas e as famílias na sua situação social e econômica. A rigor os sistemas que buscavam preservar (e preservavam) no passado a situação econômica e social dos mais ricos e poderosos foram todos sistemas de forte intervenção estatal. Há um sistema hoje em dia que funciona assim. Uma aristocracia, dona do país, forma uma casta de privilegiados, que embora lutem entre si pelo usufruto dos bens do país e do poder político, são aliados em explorar a casta dos trabalhadores. Seus filhos casam entre si e recebem dos pais o dom de pertencerem à casta dominante. Embora os bens nacionais não sejam considerados propriedades particulares de cada membro da casta dos aristocratas esta, em conjunto, goza de seu uso, deixando para a casta trabalhadora apenas o suficiente para a manutenção (e muitas vezes, nem isso). Para manterem o sistema funcionando devem manter a casta dos trabalhadores sob forte e constante vigilância, terror e desinformação. Ajuda bastante a criação de um mito de vida gloriosa futura para a casta trabalhadora e de um suposto passado de lutas generosas e desinteressadas por parte dos membros da aristocracia. Também não se prescinde do uso de inimigos externos que estariam buscando destruir e escravizar a nação. Tal sistema pode funcionar tanto sob a égide do internacionalismo, como do nacionalismo e freqüentemente se desenvolve para um sistema de empresas “privadas” dos filhos dos oligarcas, uma espécie de “capitalismo de estado”, com fortíssima intervenção estatal, apesar da aparência de livre mercado. Na sua forma pura, tem sido geralmente chamado de socialismo e na sua forma desenvolvida, é muitas vezes chamado de fascismo. No fundo, apenas o renascimento dos antigos sistemas aristocráticos, em forma muito mais violenta e opressiva.
Como o leitor talvez tenha notado, alterei minha auto-descrição de “pró-capitalista” para “partidário da liberdade de mercado”. Atende melhor a minha atual compreensão do que realmente significam tais palavras
domingo, 21 de setembro de 2008
DORMINDO COM O INIMIGO I
A idéia de ter poder sobre “as massas”, de transformar o povo num monstro, sobre o qual uma pequena elite tenha poder, usando os instrumentos da vitimização do grupos escolhidos como “excluídos”, os instrumento da auto-justificação e auto-glorificação (até aos céus) da classe revolucionária, a obtenção da exclusividade da virtude e da justiça (justamente pelos mais caras-de-pau), a infantilização da sociedade, tal idéia é tão poderosa, tão perfeita para seus objetivos, que uma vez que foram desenvolvidas as suas técnicas, jamais deixarão de ser usadas, a não ser que o povo venha a estar tão consciente delas, que deixem de ser efetivas. Mas tal idéia, desde o início, é a alma do esquerdismo. Sob muitos aspectos é semelhante à opressão que sempre se praticou, à escravização do povo por uma pequena elite, opressão embrulhada muitas vezes numa teia de mentiras a respeito da ascendência divina do governante, ou alguma coisa assim. A grande novidade é a transformação da elite dominante em “povo no poder”. Quanto poder teriam César, Alexandre, ou o faraó, se conseguissem ser apresentados como membros do povo que tomaram o poder dos poderosos? Se, ao mesmo tempo que todos pintassem rei como ser sobre-humano, divino, dissessem dele que é simples homem da classe trabalhadora no poder, a qual, por meio dele, atinge todos os seus objetivos, e já não tem opressor? Se dissessem que, por meio dele, se faz a justiça completa, no momento exato em que seus oficiais estivessem subjugando, prendendo, torturando e escravizando o povo, e assassinando milhões dentre eles. Se uma mentira tão incoerente pudesse prosperar na antiguidade, o rei-sol, o rei-divino, sofreria um tremendo up-grade e se tornaria um dirigente comunista. Há maior poder e opressão do homem sobre o homem do que isto? Que psicopata, que ególatra, que paranóico não sonharia com um poder desses? Os instrumentos para realização desse sonho delirante teriam sido criados pouco antes da revolução francesa, aplicados nela, e melhorados desde então.
Virtualmente toda classe revolucionária veio das classes médias, do refugo da casta administrativa, e lutam sempre para se tornar a nova elite, galgar os postos mais altos, inclusive através da luta mortal entre “companheiros”. Mas todos tentam parecer, e até chegam a crer-se, representantes das “classes oprimidas”. Praticamente não há representantes reais dos trabalhadores braçais, e onde se encontra algum, só chega a ser considerado um “legitimo representante” das “classes oprimidas” quando já deixou de ser a tempos um trabalhador braçal e já se tornou um membro efetivo das classes médias revolucionárias, tendo absorvido seus vícios e cacoetes. Não é por acaso, que todos os chamados “líderes do povo” pelos socialistas eram originários das classes médias, e sempre gente de personalidade ególatra e em busca frenética de glorificação. Não é desvio ou distorção do que se intentava, nem seria invisível para quem olhasse o que realmente estava acontecendo na revolução francesa, na revolução russa, na chinesa, na cubana, cambojana, vietnamita, etc... Mas nada disso está nos livros de “história” que são adotados por nossas escolas.
Há uma tese defendida por alguns autores, segundo a qual esse refugo das classes médias não é a origem, é instrumento da revolução. Sua origem seria o sonho de um poder mundial, acalentado por grupos internamente coesos e organizados, momentaneamente unidos por um objetivo estratégico comum (mas já planejando como trair um ao outro). A idéia central é recriar o mito do “rei-divino” da antiguidade, projeto que sempre funcionava por algum tempo, mas eventualmente falhava, pois em todos os impérios da antiguidade o oprimido tinha consciência de ser oprimido. Na pior das hipóteses, consideraria sua própria fraqueza como justificativa aceitável para sua condição, mas jamais diria daquele que o prendesse “é meu libertador”, ou daquele que o roubasse “é este quem devolve o que me foi tirado”, ou daquele que assassinasse seu familiar “é meu protetor”.
Seria possível obter tal submissão e distorção da percepção de grande parte da população? Criar uma situação tal que mesmo a revolta íntima contra o mal fosse impensável? Fazer com que todos tivessem medo de admitir que o claro é claro e o escuro é escuro? Chamar a verdade de mentira e a mentira de verdade, na frente daqueles que poderiam enxergar a fraude, e ser crido por eles? Sabia-se há muito tempo que pode-se levar algumas pessoas a tal confusão, com um esforço concentrado, mas seria aplicável a uma sociedade inteira? O poder do blefe está na ousadia e o poder da mentira pode ser sua profusão. Era um conceito ousado, mas quem quer que sonhasse com um “estado-deus” e um “rei-divino” (houve mentira mais amplamente aplicada, mito mais buscado, na história da humanidade?) sabia que essa seria sua última chance. Os mitos antigos que sustentavam os reis-divinos já estavam caindo, só algo muito mais amplo salvaria esse conceito, a cartada final. A situação mais perfeita para realização desse conceito, seria em oposição a um rei absolutista, o que tornaria verdadeiras parte das justificativas.
Se foi de caso pensado, foi um sucesso estrondoso. Fazer uma revolução, tirar as terras de uso livre dos camponeses pobres, e vende-las para particulares, isso seria fácil. Mas fazer isso e ver tal revolução celebrada como a libertação dos camponeses? Levar os revolucionários a massacrarem, em exíguo tempo, um décimo da população do país, isso é comum. Mas transformar tal revolução em celebração da vida, uma “luz” em relação à situação anterior de trevas (que matou muito menos, seja em números absolutos, seja em relativos)? Impor um novo culto, com novos deuses, a um país inteiro, quantas vezes já se fez isso na história? Mas quem conseguiria que isso fosse chamado de “estado laico”? A revolução francesa teria sido o primeiro grande teste de um conceito, e foi, talvez, mais exitoso que a mais favorável previsão de quem quer que tenham sido seus idealizadores, cujos nomes a história não registrou. Nos séculos seguintes, muitos outros teriam aprofundado a aplicação do mesmo conceito.
Talvez seja uma teoria exagerada, não sabemos. Mas é bastante instigante.
domingo, 11 de maio de 2008
MARXISMO INTERNO II
"Não digo jamais aquilo em que creio, nem creio naquilo que digo – e, se descubro algum pedacinho da verdade, trato logo de escondê-lo sob tantas mentiras que se torna impossível encontrá-lo." Nicolau Maquiavel, em carta particular.
“Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Instrução de Lênin aos marxistas que estivessem debatendo contra democratas.
"O moderno Príncipe (o partido), desenvolve-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que o seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o poder ou para opor-se a ele. O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”. Antonio Gramsci – Cadernos do Cárcere.
CRITICANDO OS PETISTAS
Há quem critique os críticos do PT como exagerados ou até “golpistas”. Uma parcela importante da imprensa esta “vigilante” contra os supostos “golpistas”. Exige que cada notícia negativa sobre o governo seja “equilibrada” com um notícia igualmente negativa sobre a oposição. Um conceito estranho, e jamais dito antes, nem no tempo dos militares. Sempre julgou-se natural que a oposição fosse pedra e o governo fosse vidraça. Mas se o PT é governo, então isto não voga, quem quer que os critique, deve “provar sua isenção” fazendo críticas igualmente duras aos partidos de oposição. Imaginem algum jornalista aplicando tal “critério”, isto é incomodar igualmente os partidos do governo e da oposição, nos governos anteriores. Imagine só algum jornalista defendendo publicamente tal “critério”. Qual a probabilidade de que alguém assim não fosse chamado de chapa-branca, vendido, ou coisa pior, se fosse nos idos de outrora? Imagine, nos governos Sarney, Color, Itamar ou Fenando Henrique, algum jornalista que dissesse “um jornal deve incomodar igualmente a todos os partidos”, ou “o noticiário tem de ser equilibrado”. Mas hoje, jornalistas “isentos” e até o ombudsman da Folha de São Paulo defendem coisas parecidas. E ai de quem chama-los de “chapa-branca”, ouvirá inevitavelmente - Direitista hidrófobo!
HÁ POLÍTICOS MAIS MENTIROSOS?
É comum ouvir comentários sobre os mais diversos assuntos, declarando supostas igualdades entre entes. Se tais comentários dizem com exatidão o que os seus autores querem significar, são, quase sempre, tolices. É muito difícil provar que não existem diferenças entre dois entes complexos quaisquer, ou mesmo que não existem diferenças significativas para determinada finalidade. A última moda na imprensa é dizer que os políticos do PT são iguais aos políticos de todos os outros partidos. São tão mentirosos quanto, tão ladrões quanto, e tem objetivos e métodos de poder semelhantes. É interessante que, antes do PT assumir o poder, só existia uma opinião considerada “isenta”: “O PT é melhor, pelo menos no campo da ética, que os partidos mais antigos”. Quem afirmasse que os petistas eram piores que seus adversários, seria considerado um direitista hidrófobo = fascista = nazista. Quem afirmasse que os petistas eram iguais a todo mundo, também... Mas agora, as coisas mudaram, e permitem-se opiniões diferentes: Você pode afirmar que os petistas são iguais a todo mundo (vão torcer o nariz, mas talvez não o chamem de nazista), ou pode afirmar que os petistas eram melhores que todo mundo quando eram socialistas, mas foram corrompidos pelo capitalismo... (ai, ai, ai ...). Mas é claro que a opinião preferível é que os petistas continuam melhores que a maioria dos políticos. Quem não tiver o cuidado de “pensar” assim, prepare-se para enfrentar gente babando e espumando, chamando-o de direitista hidrófobo.
Mas tal posição é razoável? Se era concebível, no passado, que os petistas fossem mais justos e sinceros que a maioria dos políticos (falo como que fora de mim), não seria igualmente concebível o contrário? Na verdade, os fatos não mostram que o contrário não é apenas concebível, mas mesmo provável? No mínimo, um partido de revelados trambiqueiros, ladrões, amigos de assassinos e terroristas, que passe anos sendo incensado na imprensa como exemplo mais perfeito de moralidade, é um partido de mentirosos muito habilidosos e bem relacionados. Diria até, mentirosos profissionais, mais profissionais que a maioria dos políticos, os quais, mesmo conseguindo se eleger, são tidos em geral, por essa mesma imprensa, como mentirosos e desonestos. Os fatos parecem indicar que há políticos mais mentirosos, e que os petistas são mentirosos de habilidade excepcional (ou muito bem protegidos). Parece até, mais do que uma capacidade natural, parece uma segunda natureza, uma filosofia de vida. Só alguém que tivesse extremo orgulho de sua capacidade de enganar o povo, que a considerasse uma virtude, e não um vício, poderia ser tão eficaz. Diga-me a quem admiras, e eu te direi quem és.
ATITUDE?
Há quem critique os críticos do PT, não tanto por causa de suas afirmações mas pelo sua suposta “atitude ruim”. Segundo tais anti-críticos, por mais verdadeira que seja a crítica, não é aceitável que se chame as pessoas de “petralhas”. Há quem diga: “Que fanatismo, as pessoas acusando umas às outras de petralhas ou tucanalhas, que coisa mais improdutiva para o país”. Isto é um outro ponto interessante, se você comparar algum ponto do governo Lula com o de FH, se a comparação não for favorável ao Lula (ou pelo menos, empate), o interlocutor poderá olhar para você e dizer: “É tucano!!!” É sério, já aconteceu comigo. Mal sabem eles a birra que muitos opositores do PT (eu, inclusive) temos contra o PSDB... Mas voltando ao assunto, em outros tempos a imprensa não acusava as pessoas de anti-patrióticas se houvesse disputa real, e até ácida, entre a oposição e o governo, nem se exigia que as pessoas “pensassem no país”, antes de contar algum fato escabroso sobre o governo.
Mas, num certo sentido, os anti-críticos do PT tem uma certa razão. Nós, os críticos, nos assustamos mais com o que inferimos a respeito do PT do que com o que vemos e ouvimos. Nós não acreditamos, já em princípio, no que os petistas afirmam. Quando eles dizem algo, nós não pensamos – Ah, fulano pensa assim e assado. - Nós pensamos – O que esse cara está armando dessa vez?
Mas veja o histórico deles, o pendor para o autoritarismo, a amizade com bandidos e tiranos, as mentiras sistemáticas, a intimidação da imprensa, o pendor para o roubo escancarado, e uma queda por destruir as instituições republicanas que faz-nos pensar - Talvez eles sintam-se como heróis ao fazer isso!
CENSURA I
O poder, a influência e a rede de relacionamentos de um grupo podem ser estimados, indiretamente, pelo seu poder de influenciar (e pautar) a mídia. Após ter obtido o poder, o presidente do PT, na época José Genoino, declarou no “Estado de São Paulo” que o seu partido era um partido leninista. Impressionante!!! Durante anos e anos, o PT foi pintado na imprensa como o amalgama de diversos grupos esquerdistas, até com algum espaço para alguns radicais saudosos do Muro de Berlin e da URSS, mas na sua maioria, não muito diferentes da esquerda social-democrata européia. Entretanto, se o cerne do PT é o leninismo, qualquer concessão à democracia representativa ou à liberdade de imprensa foi apenas uma tática passageira, útil por algum tempo. Não há nada de estranho, portanto, nas seguidas investidas do PT contra as instituições democráticas e contra a liberdade de imprensa. Um partido, que depois se reconhece como leninista, ordena á imprensa (quando ainda é oposição) que não chame seus militantes de comunistas. E é obedecido. Quantos jornalistas favoráveis foi necessário ter nas mãos para conseguir por em prática tal tática, que precisou durar anos?
CENSURA II
Repito, o poder, a influência e a rede de relacionamentos de um grupo podem ser estimados, indiretamente, pelo seu poder de influenciar (e pautar) a mídia. Vamos imaginar um exemplo hipotético: Vários políticos de nações ocidentais, com claro pendor para o tradicionalismo social e liberalismo econômico, se reúnem durante anos, num grande foro de debates, onde fazem propostas para avançar sua influência e conquistar mais poder. Em tal foro de debates e propostas, participam também. oficialmente, notórios terroristas. Os políticos presentes assumem o compromisso de influenciar as instituições e imprensa de seus países para reconhecer tais terroristas (rejeitados fortemente pelas populações de seus respectivos países) como “insurgentes populares”. As reuniões, que ocorrem anualmente por mais de década e meia, não são secretas, e contam com a presença de grande número de militantes partidários. Entretanto, na mídia do principal país envolvido, suas reuniões são citadas discretamente, jamais sendo dito o nome do foro, seus objetivos ou sua importância. Um único jornalista ousa citar o nome de tal organismo, mostrar o seu símbolo, declarar seus objetivos explícitos e denunciar a presença de terroristas e a sua ligação com o narcotráfico e o crime organizado. Tal jornalista é deixado falando sozinho, ou chamado de louco, e um membro de um partido envolvido, declara em Washington a líderes mundiais, que simplesmente não existe nenhuma organização com tal nome. Esta organização tem um site que sai do ar sempre que suas atividades são denunciadas. Anos depois, vários líderes políticos pertencentes à organização tornam-se mandatários de seus países, além de vários outros ligados a eles. Quanto poder tal grupo teria de ter para conseguir isto? Quanto apoio internacional precisaria ter?
Agora deixemos o caso hipotético, pois conservadores e partidários da liberdade não tem tal poder mesmo. O caso é verídico, mas seus proponentes são a esquerda sul-americana e o nome da organização é “Foro de São Paulo”. Duas décadas atrás, Lulla esteve em Cuba, e Fidel lhe sugeriu uma centralização maior das esquerdas latino-americanas, com o objetivo explícito de “ganhar na América do Sul, o que foi perdido no leste europeu”. Assim nasceu o “Foro de São Paulo”. É natural que Fidel tenha feito tal pedido e é natural que Lulla tenha posto em prática, visto que, agora que o PT o reconheceu publicamente, estamos autorizados a pensar neles como leninistas, e portanto, simpáticos ao tipo de regime e modo de vida (ou de morte) que acontecia no leste europeu a algumas décadas. Agora, o próprio presidente Lulla cita o Foro de São Paulo explicitamente, e virtualmente ninguém na imprensa se permite pasmar do antigo segredo. Manter tanto segredo de algo não secreto, parece ultrapassar todo poder de fogo do próprio PT.
É sempre bom ler Tocqueville
Que espécie de despotismo devem temer as nações democráticas
http://www.ordemlivre.org/node/209DESCANSO I
“E havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera.” Gênesis, capítulo 2, versos 2 e 3.
“Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus: não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou: portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.” Êxodo, capítulo 20: versos 8 a 11 (parte dos Dez Mandamentos).
Tais textos provam que o conceito do sábado é anterior à entrega da Lei à Moisés e que esta é instruída por tal conceito anterior. Mas não provam que:
É aplicável a todos os povos.
Era uma lei, antes de Moisés.
O fato de não estar presente nas ordenações dadas a Noé (Gênesis capítulo 9, até o verso 7) é importante, pois tais ordenações contém preceitos básicos (em parte, não perceptíveis naturalmente) dados a todos os povos. E o próprio concílio de Jerusalém, do qual toda a congregação participou, entendeu unanimemente (pelo Espírito Santo, conforme o texto) que, fora os mandamentos perceptíveis mais diretamente, os gentios que quisessem seguir o Messias deveriam guardar as Leis de Noé. Certamente o sábado não é uma norma auto-compreensível. É impossível alguém, apenas instruído pela própria consciência, descobrir que “deverá abster-se de trabalhar, especificamente das 18:00Hs de sexta às 18:00Hs de sábado” (o que inclui ter o conceito de semana, certamente um conceito não natural). É difícil entender como um mandamento não ordenado explicitamente a todos os povos e não perceptível pela consciência, pode ser universal.
Mas alguém argumentará que o fato de estar incluído nos Dez Mandamentos é indicativo de sua universalidade, visto que todos os outros nove mandamentos são universais. Não penso assim. Fazer parte dos Dez Mandamentos pode indicar importância relativa dentro do Sistema Mosaico, e não universalidade. É natural que muitos dentre os mandamentos mais importantes, dentro do Sistema Mosaico, sejam universais, pois o mesmo acontece em muitos códigos legais, onde há um certo grau de correlação entre universalidade e importância relativa das normas. Na maioria dos códigos legais, os crimes contra a vida e contra o bem estar geral são particularmente importantes, sendo também aplicação de preceitos universais. Um fato digno de nota é que os dois mandamentos mais importantes da Torah (Evangelho segundo Mateus, capítulo 22, versos 34 a 40), pela sua universalidade, dos quais depende a Torah, não se encontram nos Dez Mandamentos, mas entremeados com normas diversas, sem nenhuma indicação formal de sua importância.
Há mais um motivo para considerar o sábado como um preceito eminentemente judaico. A Bíblia é bastante explícita quanto ao fato do sábado ser uma peculiaridade, um sinal entre o Criador e a nação de Israel., que a distingue de todos os outros povos, conforme se lê nos seguintes textos:
Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica. Êxodo 31:13
E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o SENHOR que os santifica. Ezequiel 20:12
E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o SENHOR vosso Deus. Ezequiel 20:20
De tudo isso, concluo que a guarda do sábado é um mandamento particular, para os israelitas.
Tendo hoje provado que o sábado é um mandamento particular, pretendo, outro dia, escrever um texto provando sua universalidade, e deixarei a cargo do leitor a tarefa de desfazer este nó.
domingo, 4 de maio de 2008
MEDINDO O UNIVERSO III
ESTIMATIVAS DE DISTÂNCIAS ESTELARES
No artigo anterior, vimos como se medem distâncias astronômicas, e quais as limitações de nossos métodos de medida. Voltaremos à questão das medidas diretas em outro artigo, mas hoje vamos falar sobre como ESTIMAR as distâncias estelares em nossa galáxia. Antes disto, falemos sobre o que é uma galáxia.
Possivelmente o leitor já sabe que a matéria não se distribui uniformemente pelo universo, porém encontra-se aglomerada em ajuntamentos de gás, poeira e estrelas, chamadas galáxias, de dimensões variadas, de poucos milhares de anos luz de diâmetro (galáxias anãs) até centenas de milhares de anos luz (galáxias gigantes). Como costuma acontecer com as estrelas, o Sol também pertence a uma galáxia, chamada Via Láctea, a qual tem forma de disco espiral (um formato bastante comum) com um núcleo aproximadamente esférico. Este formato é causado pelo giro da galáxia em torno do seu centro. Necessariamente a aceleração gravitacional da galáxia sobre si mesma deve ser igual à aceleração centrípeta de seu giro, isto é cada estrela não cai em direção ao centro da galáxia nem é lançada no vazio entre as galáxias. Pelo contrário, observamos que nossa galáxia, assim como as outras, mantém a sua forma. Ocorre que as galáxias não parecem ter massa o suficiente para manter tal equilíbrio, manter sua integridade, como realmente mantêem; mas isto é um assunto para outro artigo.
Como observamos no artigo anterior desta série, somos capazes de medir apenas as distâncias de estrelas relativamente próximas, o que exclui a maior parte da Via Láctea. Portanto, o tamanho da Via Láctea é estimado, e tal estimativa tem variado significativamente ao longo dos anos.
A maneira mais óbvia de estimar a distância de estrelas é pelo seu brilho. Se todas as estrelas tivessem o mesmo brilho, se o espaço fosse inteiramente vazio de poeria e gás e se a própria gravidade não interferisse na luz, bastaria medir o brilho aparente delas e saberíamos suas distâncias relativas, sendo o brilho inversamente proporcional ao quadrado da distância. Ocorre que as estrelas não brilham igualmente, nem o espaço interestelar é vazio e a gravidade tem efeitos sobre a luz. As primeiras providências de quem tenta medir as distância estelares assim são evitar as maiores aglomerações de gás e poeira (o plano do disco da Via Láctea, por exemplo), e classificar as estrelas pelo seu brilho absoluto. Como fazer isto?
A luz (como os físicos chamam a toda radiação eletromagnética) que é emitida por uma estrela traz informações precisas. Ela informa a temperatura da superfície da estrela, pela qual se pode dizer quanta energia é emitida por área. Ela informa também quais os elementos químicos presentes na superfície (nas temperaturas das superfícies estelares, não existem associações atômicas, como as moléculas), bem como a presença de elementos químicos e moléculas entre a estrela e nós. Conhecida a temperatura, podemos saber a energia emitida por área, e é possível calcular a área da superfície da estrela, se soubermos sua radiação total. Ao estudarem as características físicas e químicas das estrelas próximas, os astrônomos verificaram que elas podem ser classificadas em tipos específicos, que têem tamanhos e temperaturas estatisticamente determinados. Isto, é não se pode prever o brilho absoluto de uma estrela pelas características de sua luz (seu tipo), mas pode-se prever o brilho absoluto médio de um conjunto de estrelas de determinado tipo.
Há outra características que pode relacionar-se com o brilho absoluto. É a variação do brilho da estrela. Há vários tipos de estrelas variáveis. Dentro de certos tipos, os cientistas conhecem uma relação estatística entre o brilho absoluto e a freqüência de variação.
Para descobrir o brilho absoluto das estrelas, primeiramente deve-se observar as estrelas mais próximas, aquelas cujas distâncias podem ser medidas geometricamente. Será possível calcular com bastante precisão seus brilhos absolutos, isto é, quanta energia elas emitem, visto que sabemos suas distâncias. O único fator estimado, aqui, é a interferência dos gases e poerias interestelares, mas esta pode ser diminuída se evitarmos as áreas mais “sujas”, com muito gás e poeira. A interferência da poeria é particularmente difícil de estimar. Supondo-se uma estimação razoável das interferências, será possível estabelecer relações entre os tipos de estrelas e seu brilho absoluto. Tais tipos estelares podem ser uma régua, uma escala (estatística) de distância, não para uma estrela em particular, mas para um grande número delas.
Falamos da distribuição de matéria no universo; mas os astrônomos estudam também sua distribuição dentro da nossa galáxia. Como todas as galáxias espirais, a matéria (e estrelas) do disco concentra-se nos chamados “braços” da espiral (nós mesmos estamos em um dos braços espirais de da Via Láctea). A parte central, esférica, contém ao seu redor um grande número de “aglomerados estelares”, que são conjuntos com grande número de estrelas. Eles se classificam em “aglomerados abertos”, menos povoados, e “aglomerados fechados”, com grande concentração estelar. Como em todas as grandes estruturas, é a força gravitacional que mantém a coesão dos aglomerados estelares.
Agora temos os instrumentos necessários para uma primeira estimativa das dimensões de nossa galáxia. Conjuntos coesos de estrelas (aglomerados) podem ter sua distância estimada por um instrumento estatístico, a relação entre tipos estelares e brilho absoluto médio do tipo. Com este instrumento, não se pode fazer uma estimativa tão precisa da distância de uma estrela em particular, mas pelos instrumentos estatísticos consegue-se uma boa estimativa da distância de um grupo de estrelas, um aglomerado fechado, por exemplo. Estimando-se a distância de um grande número de aglomerados globulares na em torno do centro da Via Láctea, pode-se estimar a distância do próprio centro da Via Láctea, bastando calcular o centro dos aglomerados. Outros estudos estatísticos, além da comparação com outras galáxias semelhantes à nossa, permitem a estimação da distância até a “borda” de nossa Galáxia.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
TEMPO
Ainda não consegui convencê-la a tornar-se uma escritora oficial deste blog, mas surrupiei um texto escrito numa folha solta, digitei-o, e mando aos amigos (com a permissão dela). Ela tem alguns outros, mas ainda não prontos.
O tempo é quase perfeito quando se sabe o que fazer com ele. Porém, às vezes, é o tempo que brinca de fazer da gente personagens anônimos de histórias deixadas para trás, contadas por vovós em cadeiras de balanço, sorrindo, expressando toda a força que tem o tempo em nossas vidas.
Penso que se pudéssemos guardar o tempo em uma caixa de segredos, aberta somente quando quiséssemos, de nada adiantaria, pois ainda estaríamos sob a ação do tempo.
Poiss todo o tempo que temos é aquele no qual estamos fazendo alguma coisa, então quanto mais tempo gastar fazendo alguma coisa, mais tempo eu terei.
MEDINDO O UNIVERSO II
PARALAXE
No primeiro artigo desta série, mostramos que os astrônomos devem necessariamente obter as informações dos objetos de seu estudo através das radiações emitidas diretamente por eles (ou algo próximo ou atrás deles). Queremos dizer sobre aquilo que existe fora do nosso pequeno sistema solar. Os objetos em órbita do sol estão tão próximos (no máximo, algumas horas-luz), que podem ser alcançados diretamente por sondas espaciais, que pela sua grande velocidade, os alcançam em poucos anos, e transmitem uma grande quantidade de informações à Terra.
Falaremos neste artigo sobre a medição direta de distâncias, pelo método da paralaxe. Não é um assunto difícil, pelo contrário, faz parte do cotidiano de toda pessoa que enxerga normalmente, e não entrarei em detalhes matemáticos. O leitor certamente já reparou que ao focar objetos distantes, qualquer objeto próximo que esteja na frente fica com a imagem duplicada. Possivelmente o leitor já reparou que o efeito é tão menos pronunciado quando mais longe estiver este objeto próximo. Colocando um dedo próximo aos olhos e focando algo mais longe, o leitor reparará que ao afasta-lo, a distância entre as imagem duplicadas diminui (mas não de forma constante). Quando o objeto mais próximo está suficientemente longe, a distância entre as duas imagens é tão pequena que já parece uma imagem só. Deve ser evidente ao leitor que o efeito é causado pelo fato de termos dois olhos e não ocorre quando fechamos um deles. Pois bem, este efeito se chama paralaxe, e a distância angular entre as imagens guarda uma relação matemática precisa com a distância do objeto em primeiro plano e com a distância entre os receptores de imagem (nossos olhos). Um sistema óptico qualquer que tenha dois receptores de imagens permite, por tal relação matemática, o cálculo da distancia do objeto em primeiro plano, sendo previamente conhecidos a distância entre os receptores e o ângulo entre as imagens do objeto próximo. É importante que maiores distâncias entre os receptores acarretam maiores (mais mensuráveis) paralaxes. Se meu sistema de medição de distâncias estiver operando no limite de sua capacidade (margem de erro muito próxima da medida do angulo), posso aumenta-la pelo aumento da distância entre os receptores. Se o sistema for computadorizado, melhor ainda, pois poderá fornecer instantaneamente a distância de todos os objetos próximos que aparecem na imagem. Maiores informações sobre o assunto, em forma bastante didática, podem ser encontrados em: http://astro.if.ufrgs.br/dist/ .
HISTÓRIA DA PARALAXE NA ASTRONOMIA
Anteriormente a Galileu, os europeus consideravam a Terra uma esfera fixa no centro do Universo, em torno da qual vários corpos faziam órbitas complexas, cercados por uma superfície dura cravada de luzes, que seriam as estrelas, consideradas “fixas”. Quando Galileu propôs que as “estrelas fixas” não eram tão fixas assim, e que se distribuíam aleatoriamente pelo espaço, e não por uma superfície, seus opositores argumentaram (corretamente) que ele ficava devendo uma explicação para a ausência de paralaxe das estrelas mais próximas, contra o fundo das mais distantes. Galileu argumentou que as distâncias das mais próximas eram tão grandes que impediam a medição dos ângulos de suas paralaxes (com o instrumental da época). Hoje sabemos que sua explicação é correta, mas na época, a idéia de distâncias assim tão grandes deve ter parecido irreal a todos (inclusive a Galileu). Qual a máxima distância para a qual a paralaxe é mensurável? Para responder tal pergunta, é preciso saber qual a máxima distância entre os receptores. Séculos atrás, os astrônomos já haviam percebido que a máxima distância entre seus telescópios era de aproximadamente 300 milhões de quilômetros (diâmetro da órbita da terra, para o qual se obtém a chamada paralaxe heliocêntrica, cuja segunda medição só pode ser realizada, é claro, depois decorridos seis meses, quando a terra está à máxima distancia da sua posição na primeira medição). A primeira medição correta de paralaxe estelar foi a da estrela 61 Cygni, feita por Bessel, no século 19. Hoje somos capazes de medir, com boa precisão, a distância de estrelas a até algumas centenas de anos-luz da terra, que apresentam paralaxes na ordem de milisegundos de grau. Considerando que cada ano-luz corresponde a aproximadamente 9,46 trilhões de quilômetros, isto pode parecer bastante, mas é uma pequena fração do diâmetro de nossa galáxia, a Via-Láctea, de mais de 80.000 anos-luz. O leitor deve estar se perguntando como se medem distâncias de objetos que não apresentam paralaxe mensurável. Não se medem, estimam-se, e é isto que veremos no próximo artigo da série
A NAVALHA DE OCCAM
Um dos princípios básicos do método científico é a chamada Navalha de Occam, um critério, proposto explicitamente pela primeira vez, ao que se saiba, pelo pensador escolástico William de Occam (ou Ockham). Originalmente, consiste em evitar premissas não demonstráveis que não sejam estritamente necessárias à explicação de determinado fenômeno. Numa formulação mais geral, manda preferir sempre a explicação ou descrição mais simples possível para qualquer fenômeno. Por conta de tal critério, mesmo antes dele ser explicitado, a Terra foi considerada esférica quando se descobriu que ela se curvava para todos os lados (embora outras formas curvas mais complexas pudessem ser consideradas). Na verdade, um elipsóide de revolução é uma aproximação mais correta do formato da Terra do que uma esfera. Na astronomia, julgava-se verídica a interpretação mais simples do movimento aparente do sol, isto é, que ele gira em torno da Terra e posteriormente, as órbitas dos planetas foram consideradas circulares, uma forma mais simples que a elipse. Finalmente, desde Newton até o início do século XX, a simplicidade da física clássica era considerada a perfeita descrição da matéria e energia, mas então, por conta de incongruências entre teoria e fenômeno, vieram a física quântica, revisitando a questão da continuidade do espaço, e a física relativística, revisitando a questão da sua regularidade e trazendo uma nova visão sobre a natureza do tempo.
Mas antes de ser um critério das ciências naturais, a Navalha de Occam já era um critério do bom senso. Ao procurar uma coisa, busca-se primeiro nos lugares mais acessíveis, ao tentar descobrir o defeito de algo, começa-se com as possibilidades mais simples. Um outro motivo para se começar pelo mais simples, é que numa busca indexada, é mais fácil guardar a memória do que já se tentou, quando já se tentaram as coisa óbvias, rápidas e fáceis. É um critério de economia de tempo e trabalho, e portanto, de dinheiro. Mas, diferentemente do que alguns leigos supõem, não é um critério de veracidade. Nos quatro casos acima, a explicação mais simples não era a mais correta, e freqüentemente é assim que acontece, Mas, por terem adotado a explicação mais simples, os estudiosos do assunto contribuíram para que, posteriormente, uma explicação mais correta fosse encontrada, visto que a percepção das discrepâncias, da realidade em relação à teoria, se tornou mais fácil. O poder de economizar trabalho e tempo, aliado à sedução mental que uma explicação simples e completa traz, fazem com que, até mesmo quando são percebidas tais discrepâncias, muitas vezes elas sejam tomadas como irrelevantes, sinais de algum outro fenômeno paralelo, que não afetam realmente o cerne da teoria.
Mas o bom senso da Navalha de Occam, e outros critérios do método científico, se aplicam tão bem a toda a vida humana, como se aplicam ao estudo científico? Na verdade, o método científico em geral, e a Navalha de Occam em particular, não garantem nem que a tese adotada seja a mais provável, nem se trata disto. O critério de Occam revelou-se útil para a construção a longo prazo de um certo tipo de conhecimento (o das ciências naturais), o que não precisa ser igual à maior probabilidade de acerto imediato de um cientista em particular. Participar de um projeto de construção de conhecimento a longo prazo nos leva às mesmas opções que a busca de uma solução que deve ter um número limitado de tentativas? Quando uma busca tem necessariamente de ser limitada, você seguiria a mesma ordem que numa busca indexada para fins científicos? E se você tiver uma chance só? Você tentaria um tratamento que tem 80% de chance de mata-lo, caso ele fosse a única alternativa a uma morte certa e rápida por uma doença fulminante? Você creria numa explicação mais complexa para um fato não acessível à verificação (e sobre o qual precisasse tomar uma decisão), se esta fosse a que parecesse mais verossímil? Você deixaria que uma impressão indefinida influenciasse a sua escolha de um subordinado, ou de um sócio? Muitos cientistas fariam estas coisas, embora não haja nisso nada de método científico.
A vida não é vivida pelo chamado método científico, nem pode se-la. Quem está vivo, está por ter seguido seus instintos muitas vezes, desde antes de nascer. Muitas vezes você tomou a decisão correta por intuição, ou por algum impulso inexplicável, ou por pensamento analógico absolutamente não confiável, ou pelo uso da dialética, as vezes de forma bastante incompleta, ou por deduções que podem ser bastante lógicas, mas não são nada científicas, pois você não teria meios de verifica-las. Às vezes, você simplesmente “sentiu” que algo iria falhar (ou dar certo). O ser humano está neste mundo desde muito antes da criação do método científico, e teve muito sucesso sem ele, um instrumento recente do pensamento (baseado em princípios antigos), que veio se juntar a muitos outros instrumentos de nossa mente (e espírito).
domingo, 27 de abril de 2008
DESCULPAS
domingo, 20 de abril de 2008
O QUE É O SER HUMANO?
Há uma antiga discussão teológica cristã entre os que crêem na dicotomia (homem composto de corpo e alma) e aqueles que crêem na tricotomia (homem composto de corpo, alma e espírito). Antes que surja algum chato dizendo “creio no homem integral”, digo que qualquer pessoa razoável sabe que o homem funciona como um todo, e que tudo que afeta parte do homem afeta (potencialmente) sua inteireza. Mas o leitor há de convir que, se o homem é integral, o corpo humano é integral. Mas quem estuda o corpo humano separa esse corpo que funciona por inteiro em uma infinidade de partes, para melhor compreende-lo, e não creio que o leitor confiaria em um médico que não soubesse distinguir o coração do fígado.
Mas voltando ao assunto, desde os primórdios da história cristã há essa discussão, com alguns entendendo que há diferença entre alma e espírito e outros igualando-os (e há outros ainda que identificam o espírito com parte daquilo que chamamos psiquê, separando emoções e razão). Eu particularmente sou tricotomista, como a maioria dos petencostais. Como cheguei a essa posição? Pela compreensão lógica de que a fé cristã o exige e por pensar a respeito dos textos bíblicos que se referem ao assunto. É claro que muita gente muito mais inteligente e instruída que esse leigo aqui discordará de mim (aceito correções onde me mostrarem erro). E muita gente tão inteligente e instruída como esses, concordará comigo. Vou colocar inicialmente alguns textos bíblicos que tocam o assunto e expressar minha compreensão sobre o sentido de espirito no NT (Almeida revista e atualizada, para quem quiser conferir).
“E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho. Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu. E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” (Evangelho segundo João, Capítulo 3, até o verso 21).
“Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens.” (Mateus 12:31).
“Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo:” (Mateus 22:43).
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mateus 26:41).
“E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele.” (Marcos 1:10)
“Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.” (Romanos 8: 5 e 6)
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Romanos 8:9).
“A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;” (1ª aos Coríntios 2:4).
“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1ª aos Coríntios 2:10 a 14).
“Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do SENHOR Jesus.” (1ª aos Coríntios 5:3 a 5).
“Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento “ (1ª aos Coríntios 14:14 e 15).
“Folgo, porém, com a vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava. 18 Porque recrearam o meu espírito e o vosso. Reconhecei, pois, aos tais.” (1ª aos Coríntios 16:17 e 18).
'Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o ministério do Espírito? Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça.” (2ª aos Coríntios 3:5 a 9).
'Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2ª aos Coríntios 3:17 e 18).
'Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12).
“Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2:26).
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo.” (1ª aos Tessalonicenses 5:23).
DEFESA DA TRICOTOMIA
A palavra grega normalmente traduzida por espírito (em suas diversas acepções) é pneuma (vento, ar). E alma normalmente traduz a palavra psiquê. Cremos que traduzem conceitos diferentes, e como a maioria dos petencostais, começarei a defesa da hipótese tricotomista pelo texto de 1ª Tessalonicenses 5:23, visto acima, que leva, prima facie, à distinção entre alma e espírito, como dois entes distintos. Um dicotomista poderá argumentar com sucesso que a citação da distinção entre corpo, alma e espírito é feita de passagem, sem maiores explicações, podendo ser apenas uma figura da totalidade do homem. Respondo que o argumento é bom e, caso não haja outros textos a confirmar essa impressão, deveremos considerar a hipótese infundada. Bom, logo encontramos Hebreus 4:12, que novamente distingue espírito e alma, e dá a clara impressão de que são elementos que precisam ser diferenciadas pelo crente.
Mas vejamos a forma como a Bíblia trata o Espírito divino. É dito que Deus é Espírito (e NÃO é dito que é alma). A interpretação mais óbvia de “Deus é Espírito”, parece ser que Deus é essencialmente Espírito. Mais ainda, é dito que o pecado contra o Espírito Santo ( a “Ruach“) é sem perdão (eternamente) em oposição ao pecado contra o Pai o contra o seu Filho (Sua palavra encarnada). Isto é espantoso, e confirma na minha convicção a percepção de que Deus é essencialmente Espírito. Também é dito da Ruach que ela é livre. Nela há tal liberdade que ele é imprevisível como o vento, conforme Yeshua explicou a Nicodemos (Evangelho segundo João, capítulo 3).
Falei sobre o Espírito divino por que a Bíblia o compara ao espírito humano, (1ª carta aos Coríntios, capítulo 2). Um ponto que me chama a atenção é que ninguém considera o seu próprio espírito como outra pessoa diferente de si mesmo, embora seja certo atribuir pessoalidade ao espírito humano. Da mesma forma, é estranho considerar o Espírito Santo como outro em relação ao Pai (ou ao Filho), embora se possa atribuir pessoalidade a cada um deles, sem prejuízo de se atribuir pessoalidade a Deus que é um. Mas, voltando ao assunto, é atribuída ao espírito humano a capacidade de saber todas as coisas a respeito do próprio homem. Seria o espírito igual à compreensão humana (intelecção)? De modo algum, pois em 1 aos Coríntios, capítulo 14, o apóstolo Paulo opõe claramente o espírito ao entendimento, e recomenda que se ore com ambos!! Então seria, o espírito humano, a capacidade de sentir, as emoções humanas? Não posso crer nisso, pois a Bíblia associa as paixões humanas à carne, em oposição ao espírito. Mas talvez sejam apenas os sentimentos superiores, aqueles que nos elevam? Estranha conclusão esta, parte do sentir humano seria “carne” e parte “espirito”. Esta conclusão se sustenta? Não creio. Freqüento a igreja cristã há muitos anos e já vi pessoas de vida totalmente desregrada ou personalidade doentia mudarem totalmente após crerem no Cristo. Mas pessoas de personalidade equilibrada pouco mudam, em termos de “bons sentimentos” ao crerem no Cristo. Simplesmente não se pode perceber qualquer diferença marcante, em termos de sentimentos, entre um bom seguidor de Cristo e uma pessoa boa qualquer. Tomando duas pessoas quaisquer, e personalidade passavelmente equilibrada, uma crente e outra não, a personalidade de ambas parecem igualmente completas.
Mas deixemos de procurar o espírito humano, naquilo que dizem ser a personalidade humana, e passemos a ler com menos preconceitos o que a Bíblia diz sobre ele. O espírito tem percepção? Que é a fé, senão uma percepção espiritual? O espírito tem sentimentos? Não se alegrou Paulo em espírito? O espírito tem conhecimento e inteligência? É claro que sim, pois a Bíblia afirma que o Espirito Santo testifica com o NOSSO espirito que somos filhos do Eterno, e que nós discernimos espiritualmente todas as coisas. Na mesma ocasião em que Jesus ensinou Nicodemos, a respeito da liberdade do Espírito do Santo de Israel, disse também que aquele que é nascido do Espírito adquire esta mesma liberdade. Isto faz pensar se não é por isso que a Bíblia declara aos homens “sois deuses”, e também se não é por isso que o Pai julgou conveniente que seu filho morresse para que fôssemos um com ele. Fazer com que existam seres com tal liberdade, isso parece um projeto digno do esforço divino.
O que o apóstolo Paulo escreveu na 1ª carta aos Coríntios, capítulo 5 (versos 3 a 5), dá a nítida impressão de que o espírito humano pode ser capaz de atuar no mundo espiritual, causando mudanças reais sobre a vida das pessoas. Alguém poderá dizer que “estar presente em espírito” é apenas uma figura de linguagem. Um episódio interessante para esclarecer tal questão, é o narrado no 2º Livro dos Reis, capítulo 5. Ninguém poderá supor aí alguma figura de linguagem quando o profeta Eliseu pergunta a Geazi “porventura não foi contigo o meu espirito?”.
As palavras alma e espírito não são intercambiáveis na Bíblia. Se referissem ao mesmo objeto, deveriam existir o adjetivo “almico” (pu psíquico) e o advérbio “almicamente” (ou psiquicamente), usados de forma indiferenciável de “espiritual” e “espiritualmente” (o substantivo “psiquê”, derivado da palavra grega traduzida por alma, forma o adjetivo “psíquico” e o advérbio “psiquicamente”). Mas as coisas relativas ao espírito, nunca são “psíquicas”, sempre são “espirituais”e o adverbio correspondente é sempre “espiritualmente”, nunca “psiquicamente”. Ao espírito recriado do homem, são atribuídas capacidades que nunca poderiam ser atribuídas à mente humana, como discernir tudo sem ser discernido por ninguém. Mais ainda, como explicar as capacidades de conhecimento prévio e conhecimento a distância, de muitas pessoas, erradamente chamados de capacidades psíquicas pelos espíritas? Não são processos para os quais se conheçam quaisquer explicações físicas, e atribui-los à mente humana (um processo físico do cérebro) não deixa-nos mais próximos de uma explicação razoável. As pessoas chamadas espirituais não são necessariamente as mais inteligentes, nem as de sentimentos mais intensos, nem as de vontade mais férrea, sendo a inteligencia, sentimentos e vontade as principais funções que atribuímos à psiquê humana. Pelo contrário, as pessoas verdadeiramente espirituais são aquelas com maior discernimento de uma realidade paralela e anterior à nossa, que é a realidade dos seres espirituais . Finalmente, caso acreditássemos que o espírito humano é outro nome para a personalidade humana, então o que seria a “carne”, que necessariamente é algo dentro da nossa personalidade?
Caso acreditássemos que o espirito humano é simplesmente outro nome para a personalidade humana, ou de parte dela, teríamos de crer que um evento tão fortuito como um ferimento na cabeça tem poder sobre o espírito, pois as ciências biológicas mostram à exaustão que a personalidade humana é gravemente afetada pelo estado de saúde, traumas físicos ou mentais e substâncias químicas diversas. A se crer na igualdade entre psiquê e espírito, devemos concluir que o espirito é um processo físico, pois os processos de nossa mente (pensamentos, emoções e vontade) acontecem fisicamente. Da mesma forma, quem crê que a capacidade de raciocínio é que define a humanidade de um ser, deveria concluir que uma pessoa com uma doença grave, cuja mente funciona de forma bastante limitada, se tornou bastante menos humana (por igual raciocínio, crianças e velhos seriam menos humanos que jovens e adultos). Dentro deste tipo de raciocínio, teríamos de admitir como aceitáveis as práticas dos nazistas, que consideravam as pessoas com debilidade mental como descartáveis.
No mesmo sentido, a diferença entre o ser humano e os animais (ou alguma máquina extremamente avançada que venha a existir) não é tão marcante assim, se considerarmos apenas os processos mentais. Alguns animais superiores são inteligentes, capazes de linguagem, apego sentimental e de aprendizagem. O único processo mental marcante que lhes é impossível é o pensamento simbólico avançado. Será apenas isso o suficiente para distinguir o ser humano dos animais superiores? Será isso o suficiente para considerar o ser humano como responsável moralmente por seus atos, e os animais como totalmente irresponsáveis? Será isso o suficiente para o homem (qualquer ser humano, em qualquer situação) como tenha uma alma imortal, em diferenciação de todos os animais, mesmo os mais inteligentes e sensíveis?
Mas se os processos mentais ocorrem fisicamente, cessam na morte, e diminuem perto da morte. É claramente incoerente crer que tudo que há numa pessoa são processos mentais e crer na imortalidade da alma e na sacralidade da vida humana. Mas se existe algo não físico (nem matéria, nem energia, mas algo de existência mais fundamental) e incognoscível (pois não faz parte deste “universo” físico) no homem, pode fazer sentido o porque de sua vida ser sagrada e como sua psiquê sobrevive à morte do corpo. Na primeira carta aos coríntios, lemos “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?”. O espírito humano, que é imortal por natureza, e que conhece tudo sobre a alma (processos mentais que ocorrem na mente), retém a personalidade (alma) humana para além da morte. Também usando tal conceito, podemos entender o que é a morte, definida por Tiago como a separação entre espirito e corpo. Isso explica também como podem existir outros espíritos que jamais tiveram corpo físico. Talvez seja mais que uma coincidência que só tais seres, que não deixam de existir pela cessação dos processo físicos, é que respondem moralmente por seus atos.
Mas essa diferenciação entre mente e espirito seria mais difícil para os gregos antigos, que não tinham como saber sobre o fundamento físico dos processos mentais Mas a Bíblia, sendo um livro revelado, contém essa diferenciação embutida nos seus textos, os quais jamais confundem essas duas coisas que, apesar de funcionarem de forma tão conjunta, são distintas.
Esta é uma explicação bastante resumida e incompleta, e talvez um pouco desorganizada ainda, dos motivos por que vejo a mente (alma) como um nível intermediário entre o espírito humano e o corpo, influenciada por ambos. Isto faz do homem um ser único, que vive ao mesmo tempo duas realidades.
Continuo outro dia.
MEDINDO O UNIVERSO I
Talvez o leitor já tenha se perguntado sobre como os astrônomos medem as distancias entre estrelas, galáxias, suas dimensões e até mesmo o universo. Considerando que são medidas de coisas que não estão acessíveis diretamente aos cientistas, o leitor deve estar imaginando alguma forma de medida à distância através da luz visível e outras ondas. Alguém sugerirá ondas de rádio, microondas, ultravioleta, raios-x, raios-gama, etc, que são todas ondas eletromagnéticas, como a luz, sendo diferentes apenas na freqüência. Os físicos costumam chamar de luz, a todas as ondas que tem a mesma natureza que ela (as ondas eletromagnéticas) e chamam de “luz visível” a estreita faixa de freqüências que são captáveis pelo olho humano, um aparelho receptor de ondas eletromagnéticas (antena) bastantes limitado, até porque extremamente pequeno (em captação de ondas, tamanho é documento).
Se o leitor está pensando em alguma espécie de radar, esqueça, não será útil na astronomia. O radar envia ondas, que são refletidas de volta e captadas por um receptor. Conhecido o tempo de retorno e a velocidade da onda, é fácil calcular a distância do objeto, e normalmente os sistemas de radar contém módulos eletrônicos que apresentam essa informação de forma gráfica, para rápida apreensão do operador. Outra informação que pode ser obtida diretamente da onda refletida é a velocidade (apenas na direção da linha imaginária que passa pelo radar e pelo objeto investigado), tanto de afastamento como de aproximação, informação obtida pela variação da freqüência (efeito dopler). O problema com o uso do radar na medição de distâncias e velocidades astronômicas é a distância excessiva. Dentro do sistema solar, as distâncias são da ordem de minutos-luz a horas-luz, isto é a luz (e as ondas de rádio), à velocidade de aproximadamente 300.000km/segundo, demora de alguns minutos a algumas horas para atingir qualquer um dos outros planetas. Quanto às estrelas, as mais próximas estão a alguns anos-luz de distância e a imensa maioria (dentro de nossa galáxia) está a muitos milhares de anos-luz (com exceção do sol, que está apenas a pouco mais de 8 minutos-luz). Ninguém imagina que os astrônomos utilizarão radares que só fornecerão informações muitos (geralmente milhares) de anos depois de começarem a operar. Mas o tempo de retorno não é o único problema. Se uma fonte de ondas emite igualmente em todas as direções, a potencia (energia/tempo), que atravessa uma determinada área, decairá de acordo com o quadrado da distância (distância x distância). Se a distância entre o radar e o objeto investigado for muito grande, este receberá uma fração infinitesimal da energia emitida, e o receptor do radar receberá uma fração infinitesimal desta fração infinitesimal. O leitor já pode perceber que não podemos nem sonhar em controlar fontes de energia tão potentes a ponto de construirmos radares capazes de medir distâncias interestelares. Para se ter uma idéia, estrelas anãs-marrons não podem ser observadas diretamente, por sua excessiva fraqueza de emissão, mesmo as mais próximas. Entretanto, elas próprias emitem uma quantidade de energia imensamente maior do que tudo que a humanidade poderia sonhar em dominar. E mesmo que dispuséssemos (em uma hipótese absurda) de fontes de energia tão fortes a ponto de obter um reflexo captável de um objeto frio a distância estelares, isto em nada adiantaria no que tange às estrelas, que emitem quantidades imensas de energia em toda faixa de freqüências, ocultando qualquer energia que refletisse nelas.
Mas, espere aí! Muitos objetos estudados pelos astrônomos emitem energia com potencia suficiente para ser captada por nós, ou influenciam de alguma forma algum objeto que emite energia, ou interfere de alguma forma na transmissão dessa energia até nós. Portanto, não precisamos emitir energia até eles, para captar o reflexo, basta captar a energia que eles próprios transmitem. Mas será que essa energia trás toda a informação que obteríamos por meio de um radar? Há três informações principais que podem ser obtidas direta ou indiretamente. Distância, velocidade e características do objeto. Veremos mais sobre isto num artigo próximo.
domingo, 13 de abril de 2008
CULTO AO CRIADOR
Quando Yeshua (Jesus) conversou com a mulher samaritana, esta lhe questionou a respeito do local onde se deveria prestar culto ao Eterno, visto que os judeus o faziam em Jerusalém e os samaritanos em Samaria. Historicamente, quem estavam certos eram os judeus. Todo o povo de Israel, na época do reino unido, ia a Jerusalém para adorar ao Criador dos céus e da terra. Quando houve a secessão, Jeroboão, rei do norte (Israel), temendo a reunião de Israel e Judá, inventou um outro culto, com imagens de bois, para evitar a ida das tribos do norte para Jerusalém, três vezes ao ano. Foi uma desgraça para o próprio Jeroboão pois, como profetizou Aías, por causa disso morreriam todos os seus filhos. Efetivamente seu filho assumiu o reino após a sua morte, mas uma revolta interna causou a morte de toda a família, vindo o reino a ser governado por outros. Séculos mais tarde, depois da deportação das tribos norte-israelitas para a Assíria, muitas pessoas de outros países foram trazidas e se misturaram aos israelitas que haviam sobrado (essa era uma prática comum dos reis assírios, para manutenção do poder imperial). Este povo mestiço eram os samaritanos da época de Yeshua, que já haviam abandonado os outros deuses e seguiam uma Torah (pentateuco) um pouco alterada e não conheciam os Escritos e os Profetas da Tanach.
Mas Yeshua deixou de lado essa discussão e usou a pergunta como um gancho para trazer à luz a cessação do culto nacional em Jerusalém. Como profeta, ele previu o fim do templo, e previu também que os verdadeiros adoradores adorariam ao Pai em espírito e em verdade. Ao falar de verdadeiros, deixou implícito que haviam falsos. Isto é conseqüência inevitável de uma religião nacional, em que, por motivos sociais, todos adoram, mesmo aqueles que não tem o coração preparado. O que o Messias de Israel previu foi que os verdadeiros adoradores, em todo lugar, libertados das amarras de servidão de suas religiões nacionais, poderiam adorar ao Criador, unindo-se aos verdadeiros adoradores que já existiam entre judeus e samaritanos. Milhões de almas que buscavam o Criador, seriam libertas para se expressarem, deixando de lado os príncipes dos ares e os espíritos.
O texto dá a impressão de uma oposição entre a religião nacional dos judeus e samaritanos e o verdadeiro culto a Deus. Mas isto é verdade apenas como recurso discursivo. O derramamento do espírito dentro dos corações dos adoradores, conforme previsto pelos profetas e agora por Jesus, tornaria-os diferentes dos antigos, em certa medida, mas os verdadeiros adoradores entre eles já adoravam verdadeiramente, conforme nos mostram os Salmos, escritos por diversos adoradores antigos, trazendo a alma diante do Criador. Verdadeiros adoradores sempre adoraram, desde de Abel, o justo e o culto nacional judeu ou samaritano não os impedia, pelo contrário lhes dava ambiente propício.
RELIGIÕES NACIONAL, COMUNITÁRIA, FAMILIAR E PESSOAL
O culto YHWH (muitos pronunciam Jeová, mas essa pronúncia é recente), por parte dos judeus, era um culto nacional, instituído por Moisés, embora os patriarcas já o conhecessem. Moisés deu ao povo a Torah (Ensino) que nós, cristãos, muitas vezes entendemos erradamente como apenas um conjunto de regras (a Lei). Os antigos judeus não entendiam assim, mas viam nos mandamentos um caminho de aprendizado das coisas, tanto naturais como espirituais, uma janela para um pouco da compreensão divina do mundo e um caminho de intimidade com o seu Criador. O salmista assim entendia:
“Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado. Quanto amo a dua Lei! É a minha meditação, todo o dia! Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho comigo. Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos. Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus preceitos. De todo mau caminho desvio os pés, para observar a tua palavra. Não me aparto dos teus juízos, pois tu me ensinas. Quão doces são as tuas palavra ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca. Por meio dos teus preceitos consigo entendimento, por isso, detesto todo caminho de falsidade. Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos. Jurei e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos” Salmos 119, versos 96 a 106.
Espantoso o amor desses antigos à Torah; ou pelo menos parecerá espantoso àqueles que julgam que ela é um fardo pesado e não compreendem seu sentido mais profundo.
Mas que ensinam os mandamentos de Deus (613, segundo a contagem dos rabinos)? Não entrarei aqui nos significados mais ocultos, mas falarei apenas do sentido mais óbvio: a maioria deles está ligado aos ministérios levítico e sacerdotal. Do restante, vários são sobre questões eminentemente éticas, outros sobre as festas nacionais judaicas, fazem ordenamento dos direitos diversos na sociedade, ensinam a maneira correta de realizar o culto a Deus, cuidam da higiene, saúde, alimentação, etc. Claro está que foram planejados para um país teocrático, com uma religião nacional e governo alinhado com esta religião.
Não é possível que a Torah fosse aplicável, da MESMA FORMA que era aplicável ao povo de Israel, em momento algum da história, a qualquer outro povo. Embora haja nela ensinamentos gerais, e até mesmo universais, nunca foi uma NORMA geral para todos os povos, porque não foi planejada para ser. Numa versão diferente, os judeus criaram, a partir do fim do segundo Templo, um novo judaísmo, não mais uma religião nacional, mas uma religião comunitária, restringindo muitas das leis, não mais aplicáveis no seu sentido explicito, apenas aos seus sentidos mais profundos. Restringindo ainda mais a aplicação da Torah, apenas aos seus sentidos ético, espiritual, e profético, o apóstolo dos gentios, Paulo, tornou-a ensinável a todos os povos. Uma Torah de bolso, um culto ao criador que poderia ser prestado por qualquer pessoa, mesmo que todos ao seu redor não quisessem participar da adoração, ou mesmo sob perseguição. Esta religião portátil pode ser praticada até dentro de regimes tão fechados como os comunistas. Até na Albânia do tempo dos ditadores loucos, até na Coréia do Norte atual. O culto pessoal, previsto por Yeshua, que une todos os verdadeiros adoradores.
NOTÍCIAS
Só há uma forma de eu não me irritar ao ler alguma notícia sobre ciência ou tecnologia nos jornais (ou pior ainda, ouvi-la nos telejornais). É desconhecer por completo o assunto. É sério, os jornalistas escrevem sobre o que não entendem, nem tem a intenção de entender.. Não estou sugerindo que eles errem alguma coisa de vez em quando, estou dizendo que dizem bobagens de forma aloprada, invertem o sentido de tudo, descrevem o assunto como se fossem crianças de dez anos. E muitos fazem a mesma coisa quando o assunto é história, teologia, política internacional..... Em ciência, não tem noção nem da ordem de grandeza das coisas. Em história, ignoram o que é conhecido por evidências, e crêem apenas na realidade das interpretações. Ignoram a realidade dos povos, nada sabem sobre os protagonistas dos fatos da política internacional e não tem a menor idéia do que ensinam as teologias. Eu pensava que fossem capazes de escrever de forma relevante apenas sobre política doméstica e esporte. Após ler Olavo de Carvalho e Reinaldo de Azevedo, descobri que noventa por cento do que pensava saber sobre a política brasileira, pela leitura de jornais, é simplesmente estória da carochinha. E desinteressei-me pelos esportes, antes que eu tenha uma outra grande decepção. Hoje confiro sempre alguns blogueiros, para saber outras versões dos “fatos” noticiados na imprensa.
domingo, 6 de abril de 2008
IGREJAS EM CÉLUAS
http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=1373
Se você quer saber qual o melhor caminho para a Igreja, pense: A igreja nas casas, na China, liberta os cristãos do julgo do estado totalitário. O modelo proposto no ocidente, pode se converter num caminho de escravidão das igrejas ao estado-baba (totalitário, por conseqüência) que se busca implantar.
Segundo vejo, o problema do nosso sistema de igrejas nas casas, é que não é caseiro o suficiente.
domingo, 30 de março de 2008
OBSESSÃO
PODER DE CONVENCIMENTO
Felizmente não tenho de trabalhar como vendedor. É sério, eu morreria de fome, não sei como irai ame virar, não conseguiria vender lenha para um esquimó, nem água para alguém que estivesse morrendo de sede; não disponho de nenhuma das capacidades de um vendedor, e muito particularmente da capacidade de convencimento. O contador aí ao lado mostra meu insucesso em tentar vender minhas idéias, minha falta de capacidade inata. Ou talvez não... pode ser simplesmente que seja uma capacidade que ainda está oculta em mim. Quer dizer, bem ocultas mesmo, ninguém consegue perceber.
Em muitas ocasiões (durante grande parte da nossa história) a falta da capacidade de convencimento foi um desastre. Em tempos antigos, ir embora da terra onde se vivia era muito penoso. As pessoas deveriam descobrir como enfrentar o problema e convencer a maioria (ou aquele que tivesse mais poder) da melhor solução. Muitas Cassandras choraram o desastre anunciado, que poucos percebiam. O homem bem sucedido tinham de ser um ser político, e não saber fazer política era um defeito grave.
Num mundo amplo como o nosso, isso é um defeito menor. Freqüentemente, basta virar as costas e ir embora; inclusive quanto à vida profissional, pois se não conseguirmos tirar a empresa ou departamento da rota do desastre (ou o que nos parece um desastre), sempre podemos (com mais ou menos dificuldade) pular fora e arranjar outro serviço. Ou mesmo que a decisão tomada pela chefia não seja a mais adequada, deveríamos parar para nos perguntar “isso vai afetar tanto assim a minha vida?”, e freqüentemente a resposta é não. Nesse caso, convencer os outros não é essencial, e podemos deixar as coisas como estão, tipo “cada um com sua idéia, e todo mundo de bem”. Por algum motivo, em geral as mulheres tem mais dificuldade em perceber isso ... Pode ser o simples impulso ancestral de “vencer uma discussão”. Pode ser o reflexo de outras questões, bem mais internas ... mas creio que todo mundo conhece aquela pessoa que faz do convencimento de alguém a respeito de alguma coisa, o ponto focal de sua vida. Geralmente não se muda realmente a opinião das pessoas e principalmente, não se muda sua personalidade e visão de mundo. Elas mudam a sí mesmas, conforme sintam que devem, no seu tempo, à sua forma, no seu ritmo, e no sentido que decidirem. Ou podem não mudar nunca, e é bom que tenham esse poder.
É claro, pode-se fazer engenharia social, mudar parâmetros sociais e culturais que afetarão o pensamento de muitas pessoas, como fazem os regimes e grupos de viés totalitário. E pode-se, com técnicas psicológicas eficazes, moldar a personalidade de uma pessoa muito jovem ou em situação de vulnerabilidade. Já ví isso de perto, e é uma experiência assustadora. Mas estou falando de relacionamentos reais e não de manipuladores profissionais. E é no campo dos relacionamentos sinceros e verdadeiros que vejo muita gente sendo infeliz sem motivo. Gente que teria motivos para ser feliz, mas está presa a uma obsessão, falando o tempo todo para si mesma “ se meu marido (ou minha mulher) ao menos entendesse que...”. Via de regra é bobagem, todo mundo em volta percebe isso, menos os envolvidos no relacionamento. E como é uma missão impossível (dentro de um relacionamento verdadeiro), é um problema sem solução, uma ferida que não cicatrizará. É possível que a vida de uma pessoa se torne um tormento, se apenas ela se propuser uma missão impossível.
OUTRAS MISSÕES IMPOSSÍVEIS
Na política, pode ser do interesse de poder de algum grupo, movimento, ou governante, manter aberto um conflito sem solução. Para isto, deve-se convencer algum grupo a adotar objetivos inalcançáveis ou inaceitáveis pelo outro lado. É simples assim. É um exercício simples de engenharia social tomar uma parte “oprimida”, criar um movimento de “libertação” (ou aproveitar algum já existente, e definir seus objetivos de forma a garantir a continuidade do conflito. No caso da Irlanda do Norte, aproveitou-se um movimento já existente. Mas seus objetivos originais (a unidade de um país que teve unidade histórica por séculos) compreensíveis, foram redefinidos de tal forma que, após algum tempo, propunha-se a transferência de toda população descendente de ingleses e escoceses, simplesmente a maior parte da população da Irlanda do Norte, e cujos antepassados estavam no país a alguns séculos. Os objetivos absurdos não foram a causa da queda da credibilidade do movimento, mas sim seus métodos cada vez mais mafiosos, que levaram seus apoiadores a desistir, fazendo cessar o terrorismo. Esta é uma lição importante. Nunca o terrorismo acabará sem que seus agentes se tornem fracos ou sejam destruidos.
O movimento separatista basco é pior ainda. A imensa maioria dos bascos não aprova seus métodos, e grande parte dos bascos nem mesmo se interessa pelo separatismo. Sem representatividade, vive da extorsão de empresários e da ajuda de outros grupos e estados terroristas. Ultimamente tem recebido intenso apoio do tirano Hugo Chavez. Visto que busca um objetivo (separação do país basco do estado espanhol) que nem mesmo é desejado por muitos bascos, é em princípio um movimento que não pode atingir seus objetivos. A quem interessa que exista um movimento assim?
As Farc também tem um objetivo: a destruição do estado democrático da Colômbia e a implantação de uma ditadura socialista. Visto que é um objetivo rejeitado pela imensa maioria dos colombianos, e visto que pelos seus métodos e apoio internacional é uma guerrilha difícil de ser destruída, chega-se a uma situação de impasse. Novamente, são interesses estrangeiros (do governo Venezuela e .... do brasileiro!) que sustentam essa ação criminosa contra o regime democrático colombiano.
O caso dos palestinos é um capítulo à parte. Durante mais de cem anos, árabes de Damasco e do Cairo, donos das terras inóspitas e pouco habitadas da Terra Santa, venderam por bom preço, terras inférteis aos judeus europeus, que vinham se juntar aos judeus que já viviam lá (uma porcentagem considerável da população original). Com a recuperação das terras, a atividade econômica cresceu grandemente. Mesmo com a vinda de um grande número de imigrantes árabes, atraídos pelo crescimento econômico, os judeus continuaram uma porcentagem grande da população, e quando da saída do império a ONU estabeleceu que cerca da metade dos territórios seria dos judeus. Imediatamente após a fundação do estado israelense, os países árabes deram instruções à população árabe de Israel, para que saísse do páis, de forma que seus exércitos pudessem dizimar a população judaica. Como sabemos, ao contrário do esperado, cinco países árabes tiveram seus exércitos vencidos, e as fronteiras de Israel se expandiram um pouco, logo após a fundação de seu estado, numa guerra defensiva. Os territórios “palestinos”, que mais tarde seriam ocupados pelos israelenses ficaram então em poder de egípcios e jordanianos. Durante anos, as populações árabes locais não tiveram o menor interesse em estabelecer um país. E até hoje não estabelecem nada parecido com um país, mesmo quando os israelenses se retiram unilateralmente.
A OLP foi criada no exílio, por um egípcio (Arafat), sobrinho de um nazista. Nasceu com apoio das serviços secretos dos países da Europa oriental (em particular da antiga, e infame, Alemanha Oriental e da Romênia, do “saudoso” Ceausescu). Foi criada com um objetivo falso: Criar um novo país chamado “palestina”. Novo, por seu um país que nunca existiu, na verdade apenas um nome dado por provocação pelos romanos a regiões que abrangiam diversos países. Nunca se referiu a um povo específico (a não ser que algum historiador maluco imaginasse que os atuais habitantes da Terra Santa sejam descendentes dos antigos filisteus, grupo de cinco cidades estados entre o Egito e a Terra Santa). A OLP foi pensada desde o início para manter o conflito aberto, nunca para resolve-lo, isso não seria do interesse de seus financiadores. Como disse certo oficial do exército egípcio “lutaremos até o último palestino”.
Mas então, surgiu um fato novo: O Egito buscou a paz com Israel, que aceitou devolver o Sinai (que ganhara numa guerra defensiva, e portanto não tinha obrigação nenhuma, diante das convenções internacionais, de devolver). A situação exigia uma mudança de tática: Estar sempre disposto a entrar em negociações e fazer tudo para melar qualquer chance delas darem certo, esse era o novo caminho, que tem sido seguido pelos “lideres palestinos” até hoje. Na época, “negociadores palestinos” puderam contar com a estupidez do pior presidente americano que já houve, o impagável Jimmy Carter.
De qualquer forma, a população árabe da Terra Santa, os chamados palestinos, continuam até hoje a atrelar qualquer possibilidade de vida normal e felicidade, ao objetivo estúpido de “jogarem todos os judeus no mar”. Obsessões criam, artificialmente, as infelicidades...
BUG DO JORNAL
Há alguns anos, estava na moda a histeria em torno do “bug do milênio”. Até o “momento final”, às 23:59 horas do dia 31 de dezembro de 1999, os jornais vendiam a “notícia” de que algo terrível poderia acontecer com a humanidade, pois seria perfeitamente possível que a maioria dos computadores enlouquecessem e passassem a funcionar de maneira totalmente imprevisível. Gente impressionável acompanhava temerosa as notícias. Quando nada de mais aconteceu, surgiram teorias da conspiração, como sempre envolvendo americanos e a CIA, tentando provar que não haveria bug nenhum, mas teria sido tudo uma armação.
É interessante a argumentação das pessoas para provar que um desastre se anunciava: “Se ninguém fizer nada para alterar o rumo dos acontecimentos, os grandes computadores vão deixar de funcionar na virada do milênio”. Na verdade, se ninguém fizer nada para alterar o rumo dos acontecimentos, todos os grandes computadores poderão parar em poucos dias a partir de hoje... Se ninguém fizer nada para alterar o rumo dos acontecimentos, todos os carros que se aproximam de alguma curva sofrerão um desastre, todas as pessoas que se aproximam de uma escada vão quebrar o pescoço, ou pelo menos se machucar um pouco, Realmente, se as grandes empresas, (principalmente do ramo financeiro), não fizessem nada para se adaptar à nova situação, os sistemas falhariam... Mas por que cargas d´água elas não fariam nada!
Como muitas das pessoas de classe média, nas grandes cidades, conheço algumas pessoas que trabalham com informática, dentro de grandes empresas. Apenas por ouvir comentários, sabia, muitos meses antes do “dia fatídico” que as grandes empresas nas quais meus conhecidos trabalhavam tinham escrito e testado exaustivamente os códigos necessários para a mudança de data. Nenhum de meus conhecidos que trabalham no ramo, mostrava qualquer ansiedade quanto ao assunto, ao contrário de outras questões (maior demanda de serviços durante o natal, por exemplo). Em suma, eu, um leigo no assunto, percebia claramente que não havia nenhuma emergência se aproximando, mas apenas um problema comum, que como quase todo problema tem solução comum.
Mas eu fico pensando... Se era tão simples para mim perceber que algumas grandes empresas estavam com a situação sob controle, por que motivo os jornalistas (e mais ainda, os editores) não percebiam não havia nenhuma grande instituição com sérias dificuldades para fazer a adaptação? É isso mesmo, por que não percebiam que não havia notícia nenhuma, que nenhum desastre iria acontecer? Bastava que alguns jornalistas sondassem alguns conhecidos dentro das grandes corporações. Mas eu estou esperando muito... Não é do interesse dos jornalistas perceber que não existe notícia. Não é assim que são feitos jornais.
PALAVRAS
Já há muito tempo, perturba-me um pensamento: Grande parte da imensa confusão das pessoas, em geral (e dos cristãos em particular) a respeito da doutrina cristã, advém da simples dificuldade de ler o texto bíblico. Nem falo aqui de dificuldades com a exegese ou com detalhes da lingüística, da história, da compreensão da cultura em que foi escrito cada livro bíblico. Nem mesmo falo da análise gramatical correta, mesmo do texto traduzido. A primeira dificuldade em que as pessoas tropeçam, muito mais simples do que tudo isso, é a compreensão do significado das palavras. Não se assuste o leitor, não vou falar de detalhes sutis no significado do texto hebraico ou grego. Estou falando de português mesmo.
A maioria das versões modernas em português são paráfrases altamente influenciadas pela interpretação dos tradutores (como toda paráfrase). Quem quiser alguma percepção das reais palavras dos autores lerá traduções mais antigas, ou suas atualizações. No caso das igrejas de tradição protestante, as atualizações da tradução Almeida tem sido as mais lidas e citadas, nas últimas décadas. É uma tradução muito antiga, e muitas palavras que foram escolhidas na época (e mantidas nas atualizações) tiveram seu significado alterado nos últimos séculos, causando uma certa confusão em pessoas que não tem o costume de ler textos mais antigos. Outras pessoas fazem confusão por conhecerem pouco do significado atual das palavras, aderindo ao mais popular. Outros tropeçam em conceitos da cultura atual, que os cegam para a intenção do texto, mesmo que explícita e, finalmente, há aqueles que ignoram as próprias definições dadas na Bíblia. Vou citar aqui alguns exemplos de confusões comuns dos leitores da Bíblia. O leitor pode procurar outros; é um exercício muito útil, que nos permite escapar de interpretações absurdas, mas comuns. Talvez eu torne ao tema, futuramente.
O que é a “avareza”, tão condenada na Bíblia, que as cartas apostólicas consideram um tipo de idolatria? Se o leitor pensou no tio Patinhas, esqueça. Muitos espectadores, ao assistirem a peça “O avaro”, fazem essa associação e ficam sem entender nada. Avareza é mesquinhez, preocupação excessiva consigo mesmo, “olhar para o próprio umbigo”, como dizem atualmente. Seu oposto é a generosidade (o pensamento e a ação voltados para o gênero humano) uma característica que se desenvolve com o tempo. Deixar de ser bebê é perceber a existência do outro. A continuação desse desenvolvimento é ter interesse, empatia e finalmente paixão pelo outro. A culminação disso é amar o próximo como Cristo nos amou.
Talvez o leitor esteja perguntando: espera aí . . . quer dizer que o famoso mão de vaca não é um avarento? Até pode ser, mas não necessariamente. Pode ser apenas uma pessoa que tem o talento de fazer o seu dinheiro render. Mas e o sujeito mesquinho, que é doentiamente “mão de vaca”? Bom, o leitor já respondeu, é um doente. Seu grau de responsabilidade pelo seu comportamento é uma questão para se analisar caso a caso (e em parte, a nossa doença é nossa maldade), mas o que o diferencia do comum da humanidade é sua doença. E o sujeito perdulário, pode ser um avarento? É isso aí. E freqüentemente é.
Inocência. Poucas palavras tem mudado tanto de significado. É aquele que não é culpado, mas a palavra tem sido usada no sentido de ignorante, aéreo, neófito, e até estúpido. Como se deu essa estranha associação de sentido? Pelo fato de que, muitas vezes, a defesa da inocência de uma pessoa ser feita pela alegação de desconhecimento (vide o caso do mensalão). Mas essa associação entre desconhecimento e inocência só pode ser feita de forma limitada. Há muito desconhecimento injustificável e a ignorância, passado um ceto limite, e culpável e até criminosa. Para um cristão, em particular, alegar desconhecimento pode ser admissão de culpa, visto que a Bíblia ensina a busca da sabedoria. Na Tanach, desconhecer a causa dos pobres é considerado uma impiedade e no NT está escrito “sede adultos no conhecimento e crianças na malícia”. Aqueles que chamamos de “inocentes', freqüentemente são o que a Bíblia chamaria de “tolos”. Ou pior ainda, hipócritas (eu tenho certeza de que o leitor conhece um caso assim, uma pessoa muito conhecida).
Malícia. É maldade, não é esperteza. Quando um jogador de futebol prevê o lance seguinte com mais clareza que seus adversários, freqüentemente se diz que ele tem malícia, o nome de um vício. Mas na Bíblia a capacidade de agir com base em previsões bem fundamentadas é chamada de sabedoria, o nome de uma virtude. E a atitude de se prevenir contra uma possível adversidade é a “prudência”. Voltando ao exemplo do futebol: um jogador percebe com antecedência a situação e escapa de um “carrinho”. Segundo a Bíblia ele é sábio e prudente (pelo menos, quanto a esse assunto).
Tolo. Segundo a Bíblia: “Diz o tolo em seu coração: não há Deus”. Tem um monte de gente bacana e “bem pensante” que entraria nessa categoria.
Sábio. Segundo a Bíblia: “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Tem um monte de gente bacana e “bem pensante” fora dessa categoria.
Ungido. No tempo dos reis, três eram as funções cujos titulares eram ungidos: O rei, o profeta e o sacerdote. A unção não implicava em infalibilidade nem em autoridade absoluta. Significava o auxílio do Espírito do Eterno, para que a pessoa pudesse exercer bem sua função. A Aliança renovada em Cristo prevê a unção sobre todos os que crêem. No meio petencostal há quem queira que o pastor é “O Ungido do Senhor”, e portanto teria uma autoridade incontestável, mesmo quando está claramente errado. É interessante quem nem mesmo os católicos dizem isso sobre o papa, cuja suposta infalibilidade é sujeita a muitas limitações, mas há supostos herdeiros da Reforma querendo fazer dos seus “pastores”, “bispos” e “apóstolos”, novos “deuses”.
Fé não é arriscar-se. É todo conhecimento obtido pela iluminação do espírito do homem, conforme define o apóstolo: “a certeza das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem”. Mas parece um risco, uma decisão tomada contra as possibilidades, pois quem vê a ação daquele que tem fé, não percebendo os mesmos fatos espirituais, tem a nítida impressão de ver alguém apostando contra as probabilidades, embora agir com fé VERDADEIRA seja prova de sabedoria e prudência. Vejo como isto afeta nosso entendimento da Bíblia quando alguém pergunta: Fé é ter confiança nas obras de Deus ou em Seu caráter? Quem pergunta isto está buscando uma definição muito mais restrita do que aquela que a própria Bíblia dá.
Por enquanto é só.
sábado, 22 de março de 2008
MALHANDO JUDAS
MARXISMO INTERNO
“Foi pois Jesus seis dias antes da Páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera e a quem ressuscitara dos mortos. Fizeram-lhe pois ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.
Então Maria, tomando um arretel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e os enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento.
Então um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?
Ora ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e, tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.
Disse pois Jesus: Deixai-a; para o dia da minha seupltura guardou isto; porque os pobres sempre os tendes convosco; mas a mim nem sempre me tendes.”
Evangelho segundo S. João
Uma característica marcante do marxismo é o seu propalado desprezo pelo estudo de qualquer assunto apenas pelo prazer de encontrar a verdade, sem ter em vista a aplicação prática imediata. Não sei como um marxista entende a atração pela matemática pura, o prazer de estudar um assunto por estudar, a fascinação que a astronomia sempre exerceu sobre o homem, muito além de qualquer aplicação prática reconhecível, o imenso prazer que nos causa uma história de mistério.
Porém, incoerentemente, o próprio marxismo surgiu, não de uma práxis, mas como estrutura teórica. Pior ainda, pelas mãos de um “pequeno-burguês”, que de acordo com sua própria tese não poderia enxergar a luta de classes, muito menos tomar partido das “classes oprimidas”, pois era parte de uma “classe” que deveria refletir a “ideologia” das “classes dominantes”. Quando finalmente ocorreu a “revolução do proletariado”, não foi nos países industrializados, como era previsto, nem mesmo foi realmente do proletariado. Pelo contrário os revolucionários eram pequenos burgueses, com apoio maciço de capitais da grande burguesia e intensa colaboração do que poderia ser chamada de “classes falantes” (professores, escritores, cineastas, autores de teatro, atores, jornalistas), que teoricamente são porta-vozes da “ideologia burguesa”. Bom, mas a revolução não poderia acontecer de outro modo mesmo, visto que , como Marx já sabia, quando estava escrevendo “O Capital”, o suposto motivo da revolução, o empobrecimento crescente das “classes trabalhadoras” era uma mentira. Ele conscientemente fraudou os dados em que se baseava para “prever” uma revolução cujos “motivos” não existiriam.
Feita a revolução na Rússia, hordas de “intelectuais” (aqueles que supostamente representam a “ideologia burguesa”), trabalharam por décadas, por dinheiro, chantagem ou paixão, para obstruir o conhecimento das desgraças, genocídios, fomes e injustiças que lá ocorriam. Também obstruíam a percepção do extremo protagonismo da URSS em todas as partes do mundo, por trás de guerras, revoluções, “movimentos sociais”, disputas por territórios, “exércitos de libertação”, etc. Quando chegou a vez da China, uma intensa desinformação do seu próprio serviço secreto fez os governantes americanos desprezarem seus amigos e colocarem a esperança em seus inimigos. Mais tarde, os americanos perderiam por pressão da própria imprensa, uma guerra que já tinham ganho (a guerra do Vietnam, onde as tropas vieticongs perderam metade de seus efetivos na fracassada ofensiva do Tet, ficando totalmente à merce dos americanos).
No campo cultural, o mais importante, todas as mistificações marxistas sobre a história tornaram-se ensino padrão, da escola elementar à universidade. Hitler, aliado rebelado de Stalin, é chamado até hoje de “extremista de direita”. As esquerdas ordenam as palavras que podem ser ditas e as que não podem. Aliados dos mais sanguinários regimes que já existiram, a URSS e a China, são considerados, pela “imprensa burguesa” (nas redações onde um não socialista teria de entrar pisando em ovos) como as pessoas mais verdadeiras, justas e sábias. Não concordar com o socialismo é considerado um pecado. Toda “causa” abraçada pelas esquerdas recebe intenso financiamento internacional. É interessante que esse viés ultra-socialista das classes falantes era fortíssimo mesmo antes de Gramsci.
Na descrição econômica vigente, a pobreza crescente da África, cujos governos foram influenciadas profundamente pelo socialismo, deve-se ao capitalismo. Mas o aumento imenso da prosperidade na Ásia, em cada país que foi adotando o capitalismo, não deve-se ao capitalismo. Talvez tenha sido causado por extraterrestres...
A se crer na história oficial, em TODAS as dezenas de países socialistas que fracassaram e cometeram os mais terríveis crimes, não se pode achar nenhuma explicação mais genérica, mas apenas o resultado de circunstâncias fortuitas (muito estranho justo os marxistas pensarem isso). A se crer na história oficial, todos os intelectuais e toda classe dominante nos países marxistas sempre creram de pés juntos que o resultado do domínio dos regimes marxistas no mundo todo será a sua extinção como classe. Segundo essa visão, todos marxistas que já existiram sempre creram (até mesmo as poderosas e 'boas-vidas cúpulas' da KGB e do PC chinês) que o aumento total do poder do estado, a ponto de ninguém saber nada ou pensar nada que o estado não queira, resultará em liberdade total de todos e extinção do estado. Assim, as poderosas cúpulas dos PCs, formando uma aristocracia cujo poder e regalias passam de pai para filho, e cujas lutas por mais poder e regalias tem sido homéricas, estariam conscientemente trabalhando para sua própria extinção. Também segundo a história oficial, o intenso financiamento dos movimentos esquerdistas e a defesa de grupos terroristas respectivamente pelas grandes fundações capitalistas e pelos magnatas da imprensa são atos de insanidade ou burrice apenas.
Bom, a história contada assim, parece um samba do crioulo doido. Não existe chance de encontrarmos alguma explicação coerente dessa forma. Vamos tentar uma abordagem diferente:
O marxismo, assim como eram as antigas religiões pagãs, tem dois níveis, um exotérico (aberto) e outro esotérico (para seus sacerdotes). Aquilo que foi publicado de Marx refere-se ao nível aberto, para o público em geral. Não é o que ele cria, nem o que ele pretendia. É o que ele pretendia que as pessoas cressem. As classes dominantes dos países socialistas não estão nem aí para uma suposta extinção, pois sabem que nunca ninguém realmente inteligente acreditou no “fim da história” ou na extinção do governo. Os grupos intermediários das hierarquias socialistas vêem o comportamento dos seus superiores e deduzem, em silêncio, que esse papo de “fim de todo governo” é uma estória para boi dormir. Pessoas com QI mediano ou acima, e que não estejam fanatizadas, nunca levaram isso a sério. A “fase final” do comunismo sempre foi uma mentira para justificar todo e qualquer crime que os regimes marxistas possam cometer. A suposta extrema bondade, de um fim ao qual nunca se poderia chegar pelos meios propostos, fazem de toda ação criminosa de seus militantes um ato de justiça. É só para isso que serve esse mito, e certamente Marx tinha inteligência suficiente para saber o que estava fazendo. Neste ponto, chama a atenção uma diferença fundamental do marxismo em relação a toda outra doutrina. A “ética” marxista é totalmente finalista, como nenhuma ética jamais foi. Não há qualquer restrição em relação aos meios, em relação ao trato das pessoas, sejam outros marxistas, sejam os “não crentes”. Ao firmar a sua “ética” totalmente no suposto “fim da história”, Marx certamente previu que disso resultariam regimes extremamente desumanos, tanto quanto os piores que já haviam existido. Era inevitável, e não escaparia à sua mente. Seria inevitável também o surgimento de “reis divinos”, semelhantes aos da antiguidade. Mas isso talvez não fosse perceptível para Marx.
Resumindo: Centenas de milhões de “crentes” em Marx, crêem não no que ele cria, mas no que ele queria que crescem. São cabeças de aluguel, gente que para obter algum sentido de vida se entregou a uma mentira evidente, dispôs da sua mente, aboliu grande parte da sua própria liberdade de pensamento. Milhões de livros, artigos, entrevistas, lições, são uma loucura em que seus autores consentiram em crer, ou uma mentira que julgaram apropriado contar. São milhões que consentiram em crer no “exoterismo” marxista, e certamente teriam medo de conhecer seu “esoterismo”. Mas o leitor deste blog provavelmente será alguém que não tem medo de perguntar: Qual a doutrina interna do marxismo? Qual sua real natureza? Quais seus reais objetivos? O que pretendem, não o militante de mente alugada, mas os poderosos que dominam tantas mentes?
Alguém poderá dizer: “que abordagem maluca!!!”. Pode ser, mais faz muita coisa se encaixar.
MOTIVOS
Justamente aquele que seria capaz de trair o próprio Mestre por uma ninharia, este mesmo fez o eloqüente discurso em prol dos pobres, naquela ceia em Betânia. Ali, em frente a um homem que ressuscitou dentre os mortos e a outro que foi o autor do milagre, fez um discurso cínico, extremamente fingido, desesperado por conseguir uma grana a mais. Pouco tempo depois ele se tornaria traidor. Talvez não suportasse mais o Mestre, aquele homem poderosíssimo, mas tão pouco prático. Aquele homem que não tinha nem residência e andava sobre animal emprestado, mas que defendia a ação destemperada da irmã de Lázaro, aquela que gastou um perfume importado caríssimo numa cena de devoção.
Materialista, aproveitador do dinheiro dos outros, invejoso e, principalmente, um homem de intenções nada claras. Quem ouvia seus discursos, não entendia suas intenções. Sabia disfarçar uma mente deformada com um discurso em defesa dos pobres. Seus companheiros talvez o admirassem, nunca o entenderam até que suas ações deram o seu fruto de morte. Assim era . . . bom, ambos eram assim, o petralha antigo e o moderno. O antigo, vendeu aos carrascos o Salvador da humanidade. O moderno, causou morte e escravidão entre os povos.
domingo, 9 de março de 2008
DEISTAS ACIDENTAIS
Tem sido comum, ao longo da história, que ao visitar uma pessoa doente, o cristão diga “peço a Deus que você se reestabeleça logo”, ou “que Deus lhe dê saúde”, seguido ou não de “se for da vontade de Deus”, ou algo semelhante. Não há registro de que algum dia tais expressões tenham sido objeto de censura ou mesmo discussão. Estranhamente, durante o último século, nos EUA, e agora também no Brasil, em certos grupos evangélicos, falar assim seria considerado um pecado, ou pelo menos um sinal de falta de entendimento teológico. Mais ainda, os que colocam as coisas dessa forma dizem serem herdeiros da verdadeira tradição da Igreja, do que ela sempre creu! É uma estranha forma atual de cessacionismo, que é uma doutrina que defende que os dons espirituais cessaram no fim da época dos apóstolos. Tal doutrina surgiu alguns séculos depois de Cristo. Muito mais recentemente surgiu o conceito de que seria impossível qualquer evento milagroso após a época dos apóstolos, o que podemos chamar de cessacionismo absoluto.
AQUELES QUE REESCREVEM A HISTÓRIA
Creio na doutrina da continuação dos dons do Espírito do Eterno. Um dos motivos pelos quais eu creio nisso é a ausência de qualquer resquício de alguma doutrina cessacionista nos primeiros séculos. Quando não encontramos referência a alguma doutrina ou prática entre os primeiros cristãos, devemos por as mãos na cabeça e pensar cincoenta vezes se essa doutrina não é falsa. Os apóstolos diziam ter ensinado tudo quanto é necessário aos seus discípulos e estes teriam de ter demonstrado de alguma maneira cada doutrina importante, através de seus escritos e de suas obras registradas na história. Cada doutrina ou prática que não tem atestação primitiva deve ser provada, escrituristicamente, de forma muito mais forte, pois já nasce com uma evidência pesada contra si. Considero impossível que qualquer doutrina essencial seja definida apenas séculos depois de Cristo. No máximo, e mesmo assim com grande ônus inicial para os seus defensores, poderá ser uma definição mais precisa do que já fora dito antes. Mas geralmente ocorre que, quanto mais recente é o surgimento histórico de uma doutrina, menos forte a sua prova escriturística.
O cessacionismo foi proposto pela primeira vez por Agostinho, que nunca citou nenhum autor anterior como defensor dessa doutrina, pelo contrário, atribuiu sua construção a si mesmo. Pior ainda, no fim de sua vida renegou-a, pois era baseada firmemente em sua própria experiência, na “prova” negativa de não ver os dons do Espírito atuando em seu tempo. Aquilo em que se crê pela experiência, mesmo que receba depois uma capa de justificação teórica, pela experiência cai. Assim foi com o cessacionismo de Agostinho, que ao ver uma cura milagrosa, jogou-o fora, junto com a justificação teológica que havia construído. Tal é a fraqueza dos argumentos de Agostinho, segundo sua própria avaliação.
Vendo o desenvolvimento histórico da cristandade, numa perspectiva que seria impossível a Agostinho, sua hipótese parece-nos ociosa. Ele buscava uma explicação para a ausência de dons, e construiu-a com a doutrina do cessacionismo. Mas para nós há uma explicação muito mais simples, a extinção do Dom do Eterno pelo desvio da Igreja. Os grandes pecados da Igreja nos séculos posteriores são claramente resultantes de erros que já começavam a se agigantar no tempo de Agostinho. Além disso, como citaremos mais tarde, há uma variação da freqüência dos milagres ao longo do tempo.
Mesmo aceita como explicação genérica para a pouca ocorrência do milagroso, em relação aos tempos apostólicos, o cessacionismo não era de forma nenhuma absoluto. Não ocorria a ninguém a idéia de um Deus proibido de agir sobrenaturalmente no mundo físico. Não é que tal idéia não tenha sido aceita, é que nem sequer foi proposta, em instante algum, seja durante os primeiros séculos, seja durante o desenvolvimento das Igrejas católicas ocidental e oriental, ou pelos pré-reformadores, pelos reformadores, ou durante a formação das igrejas nacional, e a formação das denominações não estatais históricas. Tudo que se afirmou é que alguns dons cessaram, e os milagres, se ocorressem, não ocorriam através deles. Em toda a história da Igreja, até a idade moderna, não há testemunho de igreja que duvidasse que Deus age milagrosamente em qualquer momento que ele queira, atendendo às orações ou não. As doutrinas, os ritos, os escritos dos formadores da doutrina, tudo testemunha sobre a crença no poder sobrenatural do Eterno invadindo a história, sem pedir licença nem esperar o momento que os homens julguem “adequado”. Nada testemunha de uma suposta impossibilidade do milagre. Quem nega isso, não leu os cristãos antigos ou medievais, orientais ou ocidentais, os reformadores e os católicos.
Se o cessacionismo absoluto é doutrina nova, quando ela surgiu? Sabemos que existe hoje, mas desde quando? Espantosamente, parece que surgiu por influência do deísmo inglês, levado para as Américas. No início do século XX, quando começou a querela nos EUA contra os petencostais, alguns evangélicos usaram o argumento do cessacionismo de maneira exagerada, imitando, de forma aparentemente inconsciente, o deísmo de dois séculos antes. Assim, para ter armas mais fortes para um embate, tornaram parte dos evangélicos americanos, de forma inédita, deístas práticos, fazendo o que dois séculos de assédio não tinham conseguido fazer. Criaram, dentro do coração de muitos evangélicos, o deus ausente dos deístas, que não atende às orações. E, espantoso, forjaram uma falsa história para se justificarem. Aparentemente, depois que os marxistas inauguraram esse caminho da história mutante, abriu-se uma caixa de Pandora. Suponho que o próprio Diabo tenha se assustado, quando descobriu que pode-se mentir impunemente sobre fatos bem conhecidos e bem documentados da história. Mas isso é assunto para um outro artigo.
ARGUMENTANDO DENTRO DA PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS
A seção anterior basta para desmascarar o cessacionismo absoluto. Mas pretendo mais do que isso, mostrar a falta de base do cessacionismo em si. Neste pequeno artigo, farei uma curta análise da questão na “Primeira carta do apóstolo Paulo aos coríntios”.
Até o capítulo 11, o apóstolo trata de diversos assuntos referentes a questões práticas, dificuldades que estavam ocorrendo naquela igreja. Do capítulo doze ao quatorze, é também uma resposta a uma questão prática, sobre o uso dos dons do Espírito, apenas um pouco mais comprida, pois seria necessária alguma explicação inicial sobre o assunto, na maior parte desse trecho, antes de chegar às recomendações práticas, a partir do verso 26 do capítulo 14. No capítulo 15 ele responde a uma questão sobre a ressurreição, e no 16 ele dá instruções sobre coleta para os irmãos da Judéia e faz as exortações e saudações finais. Exposto assim esse “índice” do livro, claro está que a última parte do capítulo 14 é conseqüência do que foi dito nos capítulos 12, 13 e início do 14, e não pode ser contraditório com o que está ali. Estranhamente, muitos deduzem da parte inicial do trecho uma doutrina que contradiz frontalmente a conclusão prática no final do capítulo 14, julgando que o apóstolo ensina contra a existência, já naqueles dias, dos dons espirituais, ou pelo de parte deles. Os que argumentam assim, parecem cegos ao fato de que no final do capítulo 14 ele regula o exercício desses dons “desaparecidos”. Tal argumentação é tão sem sentido que não perderei meu tempo com ela.
Uma segunda linha de raciocínio cessacionista é a que defende que o “falar em línguas”, citado no texto, seria simplesmente a fala de algum estrangeiro que estivesse visitando a igreja. É um argumento estranhíssimo, visto que no trecho todo, o “falar em línguas” é atribuído à ação do Espirito do Eterno, comparado a profetizar. Quem argumenta assim teria de fazer uma colcha de retalhos, pegando a mesma expressão nas suas diversas ocorrências dentro do trecho e dando-lhe significados diferentes, conforme o seu interesse em provar seu ponto. Além de ser uma forma absurda de ler um texto, supõe que o apóstolo fosse um escritor maluco.
Uma terceira argumentação, mais séria que as duas anteriores, é a de que o apóstolo prevê a cessação dos dons espirituais, com o término da era apostólica. Esta é a argumentação mais antiga, de Agostinho (mesmo assim, séculos após Cristo).
Freqüentemente os que defendem essa tese pretendem ver no texto uma ”oposição” entre o amor e o exercício dos dons. Estranha essa visão, que considera que algum dom (presente) dado pelo Eterno as sua Igreja pode opor-se ao amor. Penso o contrário, que se algum presente foi dado pelo Eterno à sua Igreja, terá de ser algo que trabalhe na mesma direção que o amor. Se, por absurdo, houvesse tal oposição, Paulo teria proibido e não regulado os dons. Mais tais pessoas consideram que o apóstolo está desestimulando os dons. Estranho, considerando que ele exalta a sua variedade, chama o falar em línguas de falar mistérios em espírito, ordena o seu uso como coisa útil e boa à Igreja. Há textos na Bíblia que parecem opor a sabedoria ao amor, mais ninguém os interpreta assim. Mas qual o significado da aparente oposição entre dons e amor? Paulo opõe o amor à vaidade e ao orgulho, que alguns por infantilidade exibiam, por causa de seus dons e isso faz muito mais sentido, pois amor não se opõe aos dons de Deus, mas se opõe ao egoísmo, o qual resulta em orgulho.
Geralmente, a parte principal da argumentação cessacionista consiste em interpretar “o que é perfeito” (verso 10 do capítulo 13) como o fechamento do cânon. Os versos 11 e 12 continuam o mesmo argumento, falam da mesma coisa. Mas não parece viável aplicar o verso 12 à época presente. Certamente nossa visão ainda é obscura, certamente nós não vemos o Eterno face a face, certamente não o conhecemos como somos conhecidos. Mas haverá quem queira que o verso 12 nada tem com o 10 (ao mesmo tempo que ligam o 10 com o 13). O ônus que se paga para crer nisso é que o texto vira um samba do crioulo doido. Sem problemas, há quem não se importe com isso, desde que faça valer a tese que lhe agrada. Mas alguém dirá: “se não é o cânon, logo o que é?”. Não tenho de ter uma resposta para isto, há muitos coisas difíceis na Bíblia, particularmente em relação aos últimos tempos. Geralmente a prova negativa é mais fácil que a positiva, e o meu argumento prova conclusivamente o que não é. Desde tempos imemoriais, sempre houve (e continuará havendo) quem se aproveite da obscuridade de algum assunto para tentar convencer de algo absurdo. E muitas vezes usando o mesmo argumento: “eu tenho uma resposta, meus adversários não tem nenhuma”. Nós não temos muitas respostas, e é melhor não te-las do que ter as erradas.
Resta finalmente o verso 13, cuja interpretação mais óbvia quereria dizer que os dons já haviam cessado na época em que a carta foi escrita. Mas já provamos que isto é absurdo, em face do teor todo do trecho, que só tem sentido se os dons fossem atuantes, e em particular do fim do capítulo 14, que regula o uso dos dons. Ninguém de bom senso aceitaria uma interpretação absurda dentro da própria argumentação do texto, apenas por ser a interpretação mais literal. Alguém argumentará que não haverá nenhum outro tempo, fora o período entre o fim da era apostólica e a segunda vinda do Cristo, em que fé, esperança e amor possam ser os únicos dons. Primeiramente, talvez a palavra traduzida como “agora” possa ter um significado que não indique tempo, mas ênfase, por exemplo. É um bom debate para os que sabem bem o grego dessa época. Por outro lado, no milênio haverá sim lugar para a fé e a esperança, juntamente com o amor. Tanto assim que haverá aqueles que, no fim do milênio, se revoltarão contra o Ungido. Certamente tais pessoas não terão confiança em suas promessas dos novos céus e nova terra, nem terão esperança nessa realidade superior.
RESPONDENDO A VÁRIOS ARGUMENTOS CESSACIONISTAS
Supõem, muitos cessacionistas, que o único motivo da ação sobrenatural é servir de sinal para um público. Mas muitos dos milagres feitos por Jesus e pelos servos do Eterno não tiveram como único objetivo servir de sinal. Na verdade, muitos não foram citados na Bíblia, e muitos foram feitos em particular. Freqüentemente Yeshua pedia segredo aos beneficiados. E outros motivos são citados para o milagre, em muitos casos.
O cessacionismo geralmente supõe que a profecia (ou seus equivalentes), resulta necessariamente em Escritura. Esse é o argumento usado para negar a existência de profecias após o tempo dos apóstolos. Pois bem, a maioria das profecias jamais produziu Escrituras. No NT, haviam profecias (ou dons equivalentes) com objetivos bastantes limitados, como orientar a obra de evangelização, avisar sobre dificuldades futuras, enfim, aplicações que seriam válidas hoje ou em qualquer tempo.
Respondendo ainda ao argumento anterior, se toda comunicação do Espirito com uma pessoa particular gerasse Escritura, o Espírito não poderia nem mesmo chamar os pastores.
É suposição comum entre os cessacionistas que milagres só ocorrem para autenticar profetas ou a formação das Escrituras. Mas isso não é verdade, não está escrito em lugar nenhum da Bíblia que seja assim, isso não pode ser deduzido inevitavelmente e, na verdade, é fácil encontrar contra-exemplos. Houveram muitos sinais na época dos Juízes que seriam totalmente desnecessários por tais critérios. Quanto à confirmação da autoridade dos Juizes, poderia ser firmada por qualquer vitória militar, mesmo que não houvessem milagres visíveis.
É suposição comum entre os cessacionistas que os milagres ocorridos estão citados na Bíblia, pelo menos aqueles anteriores a Cristo. Mas isso é falso. Certamente a maioria dos profetas não teve suas palavras registradas, e qualquer profecia verdadeira é um milagre. Todo tipo de milagre pode ter ocorrido sem ter sido registrado, a Bíblia nunca afirmou ser uma narrativa exaustiva, e muitos milagres podem ter ocorrido mesmo em outros lugares, longe de Israel.
Supõem muitos cessacionistas que o único objetivo da expulsão de demônios é servir de sinal. Mas várias pessoas que vieram a ser crentes em Yeshua foram anteriormente endemoninhadas, e não poderiam crer sem serem primeiro libertas. Assim os cessacionistas absolutos promovem o descumprimento da Escritura Sagrada que diz “ide por todo mundo e pregai o evangelho a TODA criatura”, pois querem proibir que se expulsem demônios o que equivale a proibir que se pregue aos endemoninhados. Não só negam assim o testemunho de todo ex-endemoninhado que já se tornou crente, mas ocultam o poder de Deus, se é que crêem nele.
Como já argumentei no primeiro capítulo, negam os cessacionistas a história unânime das igrejas cristãs, pois desde o início houve exorcismo e ritos de cura, sendo a própria extrema-unção (como vários ritos nas igrejas reformadas ) um rito de cura que mudou de significado com o tempo, baseado que foi inicialmente no ensino de Tiago sobre a unção dos doentes.
Dizem eles, seria desnecessária a prova do poder divino por meios de sinais, posteriormente à época dos apóstolos, visto que o ser humano de tempos posteriores, sendo superior intelectualmente, não precisa de sinais. Espantosamente, dizem isso assim, de cara lavada, aplicando tal argumento a uma infinidade de situações de evangelização, em épocas, culturas e subculturas diferentes. Quão sábio deve supor-se alguém para usar tal argumento, e quão ignorante precisa ser da história dos povos. Ou pior, quão embotado está seu senso, pela necessidade de justificar sua própria visão de mundo.
Por último, há um único argumento do cessacionista que é sério e bem firmado na Bíblia. Mas tem o defeito, para os cessacionistas, de não conduzir necessariamente à sua doutrina. É fato bem estabelecido que a ação visivelmente sobrenatural do Eterno, ao longo do tempo, variou bastante. Mas isso não prova a validade do cessacionismo, nem mesmo na sua forma relativa (a única que tem presença na história da Igreja, ao contrário dessa fraude moderna que é o cessacionismo absoluto). Pelo contrário, se a intensidade dessa ação arrefeceu várias vezes, e aumentou posteriormente, isso parece indicar que sua variação é imprevisível para a mente humana, e nada garante que não poderá aumentar em qualquer tempo. Além disso, mesmo em épocas de menor ocorrência, há relatos de tal ação.
sábado, 8 de março de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
João Batista é 10
Qual o propósito da propaganda dentro dos países comunistas?
I'll be back soon, folks
In my study of communist societies, I came to the conclusion that the purpose of communist propaganda was not to persuade or convince, nor to inform, but to humiliate; and therefore, the less it corresponded to reality the better. When people are forced to remain silent when they are being told the most obvious lies, or even worse when they are forced to repeat the lies themselves, they lose once and for all their sense of probity. To assent to obvious lies is to co-operate with evil, and in some small way to become evil oneself. One's standing to resist anything is thus eroded, and even destroyed. A society of emasculated liars is easy to control. I think if you examine political correctness, it has the same effect and is intended to.
-Theodore Dalrymple
http://nemersonlavoura.blogspot.com/
terça-feira, 4 de março de 2008
Conquistando direitos V
Olavo de Carvalho mata a charada:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070917dc.html
http://www.olavodecarvalho.org/semana/06082002globo.htm
Se você não entendeu o truque, eu explico: Novos "direitos" se opõem aos antigos. Um grupo pode anular todos os direitos fundamentais de um povo sem nunca se opor publicamente a nenhum deles. Basta criar novos "direitos", cuidadosamente calculados para destruir os antigos e a supressão dos antigos parecerá ao povo um acontecimento não planejado. Aqueles que perceberem e protestarem serão eles mesmos acusados de opositores dos direitos humanos.
Maquiavélico. Literalmente.
Conquistando direitos IV
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/03/o-governo-brasileiro-j-tem-uma-posio-de.html
Conquistando direitos III
http://algarvepelavida.blogspot.com/2008/02/testemunho-impressionante-de-vida_27.html
Conquistando direitos II
http://bandnewstv.com.br/conteudo.asp?ID=71401&CNL=20
Veja um excelente comentário a respeito no blog do Júlio Severo.
Conquistando direitos I
Direito: Faculdade legal de praticar ou deixar de praticar um ato.
Júlio Severo escreve um excelente artigo sobre o assunto:
http://juliosevero.blogspot.com/2008/03/conquistando-o-direito-de-votar.html
Lutemos então pelos nossos verdadeiros direitos.
O Bode Emssário
Há um princípio em jogo nessa prática, o qual foi estabelecido por ocasião da Queda do Homem. Quando Adão e Eva pecarem sob a influência da Serpente, animais foram mortos por Deus (na 2. Pessoa pré-encarnada - assunto para outro texto), a fim de fornecer uma cobertura simbólica para o pecado de ambos: a roupa para esconder a "nudez". Deus estava ali demonstrando que a remissão exigia o derramamento de sangue inocente, prenunciando o sacrifício da Semente da mulher. Mas para a Serpente, isto é, para Satanás que a possuía, não houve nenhuma provisão; pelo contrário, a maldição foi lançada sobre ele sem direito a recorrer.
Todo o pecado se origina em Satanás e seus demônios, seja por causa do pecado original induzido por ele, seja por causa das suas constantes tentações. Uma vez estando o povo quite com YHWH (Deus) por meio do sacrifício sangrento, seus pecados são então lançados na conta do Inimigo, com a correspondente maldição. Por isso o bode vivo (emissário) é levado para o deserto, símbolo da morada dos demônios (conforme atestado por inúmeras passagens bíblicas, inclusive a que relata como Jesus foi tentado). Assim também YHWH primeiro tratou com Adão e Eva, para só depois se dirigir à Serpente.
Da mesma forma, Yeshua (Jesus), que é representado pelo bode expiatório, morto pelos pecados do povo, também é representado pelo bode emissário. A prova de que os bodes são intercambiáveis se mostra no fato de que é pelo Urim e Tumim que são definidos qual vai ser morto e qual vai para o deserto. Depois de ter derramado Sua vida pelo povo, Yeshua desceu ao Hades (Ef. 4:9) para pôr fim às acusações de Satanás contra os redimidos e declará-lo culpado e condenado pelos pecados cometidos por aqueles sob sua (do diabo, digo) influência. Como se diz? "O tiro saiu pela culatra"...
Por isso o apóstolo Paulo diz que Yeshua despojou os principados e potestades, triunfando deles pela cruz (Col. 2:15). Sua obra vindicatória ao mesmo tempo nos justificou e amaldiçoou nosso Inimigo. Aleluia!
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ
Sempre visito o blog (listado ao lado) de um cara muito gente fina, o Blogildo (Onildo), um TJ, e como se pode imaginar, divergimos bastante em matéria de religião. Mas em outros assuntos, seja cultura, economia, política, concordo muitíssimo mais com ele do que com a maioria dos evangélicos. Ele defendeu, alguns dias atrás, a doutrina comum aos TJ e a vários pequenos grupos dentro da cristandade, da impropriedade de um cristão seguir as seguintes carreiras: política, militar, policial. Argumentei com ele sobre a inexistência de tais restrições na Bíblia. Colocarei abaixo respostas dele a comentários de leitores, e meus contra-argumentos:
Argumento: “Ora, ora, ora, do que será que Paulo está falando? Se Deus instituiu as autoridades e ele jamais vai contra o que ele mesmo instituiu como quer o Filipe Levi, a conclusão óbvia é que tais "principados e potestades" também foram instituídos por ele? Certo? E o pior/melhor é que ele está mesmo certo! Em João 12:3 Jesus Cristo chama o próprio Satanás de "príncipe deste mundo". Do que ele está falando, mermão? Deus não instituiu todas as autoridades? Vai ver Ele também colocou Satã como príncipe deste mundo. Ou a máxima de Paulo só vale quando você quer?”
Contra-argumento: Errado, “Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra a deu aos filhos dos homens.” Salmos 115:16 . Isto combina muito bem com o relato da criação. Como então o Diabo veio a ser o “príncipe deste mundo”? Pedro explica “Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.” 2 Pedro 2:19 . O homem (em Adão) foi vencido pelo Diabo, e tornou-se seu servo. Sempre que alguém é vencido pela tentação, dá “autoridade” ao Diabo. Os governos humanos, por outro lado, embora obtenham parte de seu poder da dominação injusta, obtém também por concordância das pessoas na necessidade de governo.
Argumento: “Hananias, Misael e Azarias não foram POLÍTICOS de Deus em nações pagãs coisa nenhuma. Isso não existe. "Político de Deus" é invenção da bancada evangélica do Planalto. Isso é empulhação. Eles eram FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS em Babilônia. A contragosto! Afinal, foram levados, ainda na adolescência, como cativos junto com outros judeus após a destruição de Jerusalém por parte de Nabucodonosor no sétimo século AC.Não há problema em executar serviço público no estado. Nunca afirmei isso aqui. Hananias, Misael e Azarias são exemplos de como o servo de Deus deve viver debaixo do domínio do estado sem se deixar corromper por ele. Na questão da adoração da imagem de Nabucodonosor - que era mais um evento cívico e patriótico do que um evento religioso em si - eles foram claramente CONTRA o estado de Babilônia. Deixaram claro que não reverenciariam a bandeira do estado”
Contra-argumento: Blogildo, você não definiu o que é um político. Penso em duas definições possíveis, embora não completas:
1ª Aquele que procura influenciar as políticas do estado (entendo como políticas do estado as ações do estado e seus objetivos). Nesse sentido, não só os citados eram políticos, mas também Ester, Mardoqueu, os apologistas cristãos (inclusive Lucas, ao endereçar seus livros a alguém em cargo político), os quacres e metodistas, na luta contra a escravidão, eu, você e todos os blogueiros que falam de política, os evangélicos e católicos que lutam contra a aprovação do aborto, etc. De qualquer forma, por que seria inapropriado um cristão influenciar o estado? Na verdade, não só é apropriado, como às vezes é necessário.
2ª Funcionário público eleito por voto. Por que motivo ser eleito por voto seria impróprio para um cristão, mas ser escolhido por outro critério não seria? O eleito NÃO tem de se alinhar automaticamente à ideologia e política do estado. Ele é mais livre e menos sujeito à constrangimento e dilemas que o funcionário nomeado ou concursado. O próprio texto de Daniel mostra que os quatro judeus passaram por situações de dilemas terríveis, mais do que estaria sujeito um político cristão. Seu sucesso deveu-se ao caráter, não à ausência de dilemas.
Argumento: “Todo estado é uma manifestação de autoridade tolerada e permitida por Deus. Mas não são entidades que contam com a aprovação divina. A única nação que gozou desse privilégio foi Israel.Na verdade, quem vive babando o estado é que está exaltando o poder do Diabo e não o contrário”. “A Bíblia tem uma posição clara nessa questão. No VT temos sempre "todas as nações" contra Israel. No NT temos o império romano contra os cristãos, culminando na apresentação de estados como bestas em Apocalipse. Não percebe aí uma postura clara anti-estado? Eu percebo.”
Contra-argumento: A Tanach (AT) freqüentemente fala a respeito da oposição das nações ao povo escolhido. É fato bem conhecido através da história. Mas isto implica em que é ilegítimo haverem governos das nações? O fato dos povos (as pessoas) serem contra os israelitas implica em que deveria haver anarquia? O texto bíblico é bem explícito sobre a fonte da oposição, fala das nações, não dos governos. Os povos, por serem contrários a Deus, odeiam o povo israelita e o seu país. Não é por terem governo que eles se opõem a Israel, mas por serem pecadores. “O mundo jaz no maligno” diz o apóstolo, e o diabo é chamado de “príncipe deste mundo”. Eis aí a fonte da oposição, desde a matança das crianças no Egito, a tentativa de extermínio na Babilônia, o anti-semitismo, os progrons, o holocausto, e mais recentemente, a demonização dos israelenses pela mídia.
Mas continuemos por outra linha. Quando os apóstolos saíram a testemunhar do Cristo, e foram levados à presença de príncipes e reis, nunca sua mensagem foi de “auto-extinção dos governos”. A anarquia nunca foi um norte moral, ou uma meta, ou um estado melhor das coisas, na visão dos apóstolos ou do Seu Mestre. Falavam aos governantes sobre praticar a justiça, não sobre deixar o seu posto.
Mais interessante ainda, o estado ideal de coisas proposto pela própria Bíblia, em seus textos proféticos, não é de extinção dos governos, mas da rendição dos governantes ao Eterno. De acordo com as profecias, no milênio continuarão existindo governos nacionais, porém seus titulares serão homens arrependidos de seus pecados, homens que buscarão a justiça e a paz. Dizer que algum governo não tem aprovação divina pode ter dois sentidos: Pode significar que tal governo não deveria existir, o que você não prova. E pode significar que tal governo não se comporta de acordo com o que é exigido pelo Criador. Nesse sentido, freqüentemente o próprio governo hebraico não teve aprovação divina.
Mas, por que devem existir os governos? A própria Bíblia nos explica: para castigo dos maus, e louvor dos bons, isto é, em linguajar mais atual, para que exista justiça. É assim determinado pelo Eterno, embora os governantes freqüentemente ajam com injustiça. Mesmo assim, é preferível que existam governos, pois na anarquia absoluta há grandíssima injustiça, a total imposição da vontade dos mais fortes, sem nenhuma outra consideração que não o interesse ou simples vontade deles.
De qualquer forma, ainda que os governos freqüentemente se opõem ao Criador, isto de forma alguma resulta em que não devemos agir politicamente, inclusive nos elegendo para mudar diretamente as políticas de governo. Na verdade, o contrário é verdade, pois justamente onde os governos mais se opõem a Deus é que mais fortemente devemos tentar agir politicamente. Onildo, meu amigo, SUAS CONCLUSÕES NÃO SEGUEM SUAS PREMISSAS.
Argumento: A rejeição dos primeiros cristãos a muitas carreiras na estrutura do estado indica-nos que esta deve ser nossa posição: “Aí eu conto também com o exemplo histórico dos primitivos cristãos em relação ao estado.”
Contra-argumento: Era uma atitude não baseada na Bíblia. Geralmente as práticas cristãs sem base bíblica tem origem em situações práticas vividas pelos crentes. No caso dos primeiros cristãos, a perseguição do império contra eles seria explicação suficiente para tal prática. Além disso, mais do que um governo nacional, Roma era um império, que mantinha seu poder pela força coercitiva sobre outros povos, inclusive o povo a que pertencia cada cristão em particular. Um soldado romano poderia ser obrigado a práticas injustas, em benefício do império.
Argumento: As possíveis contradições entre as exigências da carreira militar, policial ou política em relação à ética cristã e ao valor de Israel como povo escolhido. “Responda a pergunta que propus no final do post: Do lado de quem os cristãos estavam quando Roma invadiu Judá? Os cristãos judeus lutaram de que lado? Os cristãos romanos lutaram de que lado? Responda essa pergunta e você verá com base em quê eu afirmo que um cristão não pode servir o exército de seu país.”
Contra-argumento: A vida do cristão é uma vida de contradições e “saias justas”, ele enfrenta dilemas entre os amigos, na escola, no serviço, dentro da comunidade. E temos dificuldades, às vezes nossa ação não é a melhor, às vezes nem discernimos qual a ação mais adequada. Estes dilemas não se restringem de forma alguma às três carreiras citadas. Alguns argumentarão que a ética cristã exige “dar a outra face”. Este é um preceito que precisa ser entendido dentro de cada contexto, na vida pessoal. Mas só na vida pessoal, não é um preceito que se aplique a grupos, só a indivíduos. Ninguém tem o direito de “dar a outra face de terceiros”. Este princípio não pode ser a negação da legítima defesa, pois a negação da legítima defesa é a própria cumplicidade com o crime, como vemos ocorrer atualmente no Brasil, onde os criminosos são “vítimas da sociedade” e as vítimas são “os culpados pelos crimes dos criminosos”, segundo a mídia e a academia. É certo que o Cristo não pregaria a cumplicidade com o crime. Portanto, não existe contradição essencial entre as carreiras política, militar e policial e a ética cristã, mas apenas os dilemas comuns, em qualquer carreira.
No caso da luta contra os romanos, o princípio da autoridade civil não é absoluto. Rebelar-se contra uma potência estrangeira não é errado em princípio, e muitos judeus e cristãos os fizeram. Os judeus agiriam bem em se juntar à revolta? próprio Jesus já havia respondido “31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.” (Lucas, capítulo 14).
ARIANOS E TRINITARIANOS INVERTENDO DE POSIÇÃO
Os Testemunhas de Jeová são um grupo ariano moderno, isto é, fizeram renascer a doutrina de Ário, bispo cristão que pregava que o Cristo não era Deus. É um grupo que rejeita a doutrina da trindade, ou qualquer doutrina que veja o Filho como o Deus Todo Poderoso. Os TJ identificam Jesus com o arcanjo Miguel.
O ponto que mais chama a atenção nesse debate em torno da propriedade ou não da carreira militar para os cristãos, é que o EXÉRCITO romano após Constantino, tornou-se uma instituição essencialmente ARIANA, em oposição ao restante da sociedade, que seguia o trinitarianismo ou outras doutrinas. Os militares romanos viam a doutrina trinitariana, o modalismo, o unitarianismo, etc, como erros dos “incongruentes” civis. Suponho que um romano do fim da antiguidade ou do início da idade média, que pudesse conhecer o que se passa hoje, se espantaria em ver os crentes de muitos grupos cristãos trinitarianos, unicistas ou modalistas exercendo o ofício militar sem problemas, enquanto os arianos são os anti-militaristas. Nada como um dia depois do outro.
CONCLUSÃO
Qual a origem do instinto gregário humano? Suponho que o Criador nos dotou da capacidade de agir em conjunto, e exercer nossa ação política e social, com o objetivo de dar aos homens instrumentos adequados para o exercício da justiça e, principalmente, para que nos realizemos também na vida em comum.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
OS PRIMEIROS CRISTÃOS CRIAM NA TORAH ORAL ?
Tem sido afirmado por alguns que os primeiros cristãos, sendo judeus praticantes, criam na Torah oral. Pretendo opinar que não, com base nos argumentos abaixo:
A prevalência do judaísmo rabínico hoje, é numericamente muito grande, mas isto não era verdade no primeiro século. Os saduceus tinham uma influência importante, e existiam muitos outros grupos fora das linhas mais influentes. Hoje mesmo os judeus não ortodoxos não tem referência histórica fora da tradição rabínica, a não ser os minúsculos grupos caraítas, descendentes da união dos saduceus com outros grupos não rabínicos.
A discordância dentro da tradição farisaica era muito grande com diversos grupos disputando, e dois grandes pólos, a escola de Shamai e a de Hilel. As discordâncias entre essas escolas era intensa e degenerou até mesmo em violência física de discípulos da tradição de Shamai contra discípulos da tradição de Hilel. Quando Yeshua (Jesus) pregava ao povo, citava constantemente rabinos anteriores, quer concordando, quer discordando. Concordava mais com o ensino de Hilel, embora, no caso do divórcio, tenha favorecido uma interpretação mais rígida, semelhante à de Shamai. Quando de sua morte, alguns podem ter interpretado que, mais uma vez, os intérpretes alinhados com Shamai haviam usado a violência para vencer.
A tradição rabínica apresenta os debates dos mestres como uma tradição dada por Deus, onde as diferentes e conflitantes posições dos debatedores são todas verdadeiras, cada uma ao seu próprio modo. Mas é um anacronismo crer que essa síntese entre os divergentes, feita a partir de Akiva, fosse aceitável no primeiro século. Vou dar um exemplo: Hoje, às vezes assisto a algum documentário na tv falando de conflitos antigos, seja entre romanos e cartagineses, ou gregos e persas, ou alemães e aliados, ou americanos e soviéticos. Assistindo, no conforto de um sofá, a um conflito que já terminou, é fácil concentrar-se apenas na comparação entre as técnicas, as armas, as táticas e as estratégias. Um conflito de vida ou morte pode ser, para um espectador não engajado, um exercício e uma diversão intelectual, onde tudo que ambos os lados fizeram é uma lição útil, e compõe uma rica tradição legada pela história. O mesmo se pode dizer sobre todos os debates e desentendimentos do passado, pois é no fragor da luta, seja física seja de idéias, que a percepção humana mais se revela. Mas é num momento posterior, quando o debate ou a luta já terminou, que vemos assim. Para aqueles diretamente envolvidos o que importa é vencer, firmar sua posição, convencer os outros daquilo que crê ser verdadeiro. Mais ainda, em muitos casos o debate degenera em conflito de egos e de poder político, criando amargura e ressentimento. O mesmo aconteceu em relação aos debates sobre as interpretações da Torah. Os mestres tinham opiniões, tinham também ligações pessoais e políticas, tinham ressentimentos até. Durante a época imediatamente anterior e posterior a Yeshua, o debate estava novo ainda, os rabis criam que, em cada assunto, uma posição era CORRETA, e devia ser defendida, e qualquer outra estava ERRADA, e devia ser combatida. É claro que poderiam haver muitos assuntos em que mestres poderiam dizer “não sei a resposta correta”, mas dificilmente diriam que duas respostas contraditórias estariam ambas corretas, pois parece difícil crer que tal idéia de síntese pudesse se formar em tal ambiente de ânimos exaltados. Foi neste contexto que veio o Messias, assumindo posição sobre cada questão (e pior, ficando freqüentemente com a posição politicamente mais fraca).
Dentro desse contexto, não havia o que HOJE se chama de 'Torah Oral”. Os mestres criam numa tradição que vinha desde Moisés, mas não poderiam associar o ensino de Moisés a uma síntese antes que o debate esfriasse. Todo judeu religioso do primeiro século (incluindo aqueles que posteriormente foram chamados de cristãos) tinham opiniões específicas. Quem quer que cresce em alguma “Torah oral”, no primeiro século, certamente não creria na SÍNTESE POSTERIOR que hoje é chamada “Torah oral”. Só poderiam crer no que já existia, não no que seria criado nos séculos futuros, isto é a idéia de que as interpretações divergentes dos rabis foram dadas por Deus.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
LIberdade
http://acao-humana.blogspot.com/2008/02/os-maus-negcios-do-governo.html






