terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ


Sempre visito o blog (listado ao lado) de um cara muito gente fina, o Blogildo (Onildo), um TJ, e como se pode imaginar, divergimos bastante em matéria de religião. Mas em outros assuntos, seja cultura, economia, política, concordo muitíssimo mais com ele do que com a maioria dos evangélicos. Ele defendeu, alguns dias atrás, a doutrina comum aos TJ e a vários pequenos grupos dentro da cristandade, da impropriedade de um cristão seguir as seguintes carreiras: política, militar, policial. Argumentei com ele sobre a inexistência de tais restrições na Bíblia. Colocarei abaixo respostas dele a comentários de leitores, e meus contra-argumentos:

Argumento: “Ora, ora, ora, do que será que Paulo está falando? Se Deus instituiu as autoridades e ele jamais vai contra o que ele mesmo instituiu como quer o Filipe Levi, a conclusão óbvia é que tais "principados e potestades" também foram instituídos por ele? Certo? E o pior/melhor é que ele está mesmo certo! Em João 12:3 Jesus Cristo chama o próprio Satanás de "príncipe deste mundo". Do que ele está falando, mermão? Deus não instituiu todas as autoridades? Vai ver Ele também colocou Satã como príncipe deste mundo. Ou a máxima de Paulo só vale quando você quer?”

Contra-argumento: Errado, “Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra a deu aos filhos dos homens.” Salmos 115:16 . Isto combina muito bem com o relato da criação. Como então o Diabo veio a ser o “príncipe deste mundo”? Pedro explica “Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.” 2 Pedro 2:19 . O homem (em Adão) foi vencido pelo Diabo, e tornou-se seu servo. Sempre que alguém é vencido pela tentação, dá “autoridade” ao Diabo. Os governos humanos, por outro lado, embora obtenham parte de seu poder da dominação injusta, obtém também por concordância das pessoas na necessidade de governo.

Argumento: “Hananias, Misael e Azarias não foram POLÍTICOS de Deus em nações pagãs coisa nenhuma. Isso não existe. "Político de Deus" é invenção da bancada evangélica do Planalto. Isso é empulhação. Eles eram FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS em Babilônia. A contragosto! Afinal, foram levados, ainda na adolescência, como cativos junto com outros judeus após a destruição de Jerusalém por parte de Nabucodonosor no sétimo século AC.Não há problema em executar serviço público no estado. Nunca afirmei isso aqui. Hananias, Misael e Azarias são exemplos de como o servo de Deus deve viver debaixo do domínio do estado sem se deixar corromper por ele. Na questão da adoração da imagem de Nabucodonosor - que era mais um evento cívico e patriótico do que um evento religioso em si - eles foram claramente CONTRA o estado de Babilônia. Deixaram claro que não reverenciariam a bandeira do estado”

Contra-argumento: Blogildo, você não definiu o que é um político. Penso em duas definições possíveis, embora não completas:
1ª Aquele que procura influenciar as políticas do estado (entendo como políticas do estado as ações do estado e seus objetivos). Nesse sentido, não só os citados eram políticos, mas também Ester, Mardoqueu, os apologistas cristãos (inclusive Lucas, ao endereçar seus livros a alguém em cargo político), os quacres e metodistas, na luta contra a escravidão, eu, você e todos os blogueiros que falam de política, os evangélicos e católicos que lutam contra a aprovação do aborto, etc. De qualquer forma, por que seria inapropriado um cristão influenciar o estado? Na verdade, não só é apropriado, como às vezes é necessário.
2ª Funcionário público eleito por voto. Por que motivo ser eleito por voto seria impróprio para um cristão, mas ser escolhido por outro critério não seria? O eleito NÃO tem de se alinhar automaticamente à ideologia e política do estado. Ele é mais livre e menos sujeito à constrangimento e dilemas que o funcionário nomeado ou concursado. O próprio texto de Daniel mostra que os quatro judeus passaram por situações de dilemas terríveis, mais do que estaria sujeito um político cristão. Seu sucesso deveu-se ao caráter, não à ausência de dilemas.


Argumento: “Todo estado é uma manifestação de autoridade tolerada e permitida por Deus. Mas não são entidades que contam com a aprovação divina. A única nação que gozou desse privilégio foi Israel.Na verdade, quem vive babando o estado é que está exaltando o poder do Diabo e não o contrário”. “A Bíblia tem uma posição clara nessa questão. No VT temos sempre "todas as nações" contra Israel. No NT temos o império romano contra os cristãos, culminando na apresentação de estados como bestas em Apocalipse. Não percebe aí uma postura clara anti-estado? Eu percebo.”
Contra-argumento: A Tanach (AT) freqüentemente fala a respeito da oposição das nações ao povo escolhido. É fato bem conhecido através da história. Mas isto implica em que é ilegítimo haverem governos das nações? O fato dos povos (as pessoas) serem contra os israelitas implica em que deveria haver anarquia? O texto bíblico é bem explícito sobre a fonte da oposição, fala das nações, não dos governos. Os povos, por serem contrários a Deus, odeiam o povo israelita e o seu país. Não é por terem governo que eles se opõem a Israel, mas por serem pecadores. “O mundo jaz no maligno” diz o apóstolo, e o diabo é chamado de “príncipe deste mundo”. Eis aí a fonte da oposição, desde a matança das crianças no Egito, a tentativa de extermínio na Babilônia, o anti-semitismo, os progrons, o holocausto, e mais recentemente, a demonização dos israelenses pela mídia.
Mas continuemos por outra linha. Quando os apóstolos saíram a testemunhar do Cristo, e foram levados à presença de príncipes e reis, nunca sua mensagem foi de “auto-extinção dos governos”. A anarquia nunca foi um norte moral, ou uma meta, ou um estado melhor das coisas, na visão dos apóstolos ou do Seu Mestre. Falavam aos governantes sobre praticar a justiça, não sobre deixar o seu posto.
Mais interessante ainda, o estado ideal de coisas proposto pela própria Bíblia, em seus textos proféticos, não é de extinção dos governos, mas da rendição dos governantes ao Eterno. De acordo com as profecias, no milênio continuarão existindo governos nacionais, porém seus titulares serão homens arrependidos de seus pecados, homens que buscarão a justiça e a paz. Dizer que algum governo não tem aprovação divina pode ter dois sentidos: Pode significar que tal governo não deveria existir, o que você não prova. E pode significar que tal governo não se comporta de acordo com o que é exigido pelo Criador. Nesse sentido, freqüentemente o próprio governo hebraico não teve aprovação divina.
Mas, por que devem existir os governos? A própria Bíblia nos explica: para castigo dos maus, e louvor dos bons, isto é, em linguajar mais atual, para que exista justiça. É assim determinado pelo Eterno, embora os governantes freqüentemente ajam com injustiça. Mesmo assim, é preferível que existam governos, pois na anarquia absoluta há grandíssima injustiça, a total imposição da vontade dos mais fortes, sem nenhuma outra consideração que não o interesse ou simples vontade deles.
De qualquer forma, ainda que os governos freqüentemente se opõem ao Criador, isto de forma alguma resulta em que não devemos agir politicamente, inclusive nos elegendo para mudar diretamente as políticas de governo. Na verdade, o contrário é verdade, pois justamente onde os governos mais se opõem a Deus é que mais fortemente devemos tentar agir politicamente. Onildo, meu amigo, SUAS CONCLUSÕES NÃO SEGUEM SUAS PREMISSAS.

Argumento: A rejeição dos primeiros cristãos a muitas carreiras na estrutura do estado indica-nos que esta deve ser nossa posição: “Aí eu conto também com o exemplo histórico dos primitivos cristãos em relação ao estado.”

Contra-argumento: Era uma atitude não baseada na Bíblia. Geralmente as práticas cristãs sem base bíblica tem origem em situações práticas vividas pelos crentes. No caso dos primeiros cristãos, a perseguição do império contra eles seria explicação suficiente para tal prática. Além disso, mais do que um governo nacional, Roma era um império, que mantinha seu poder pela força coercitiva sobre outros povos, inclusive o povo a que pertencia cada cristão em particular. Um soldado romano poderia ser obrigado a práticas injustas, em benefício do império.

Argumento: As possíveis contradições entre as exigências da carreira militar, policial ou política em relação à ética cristã e ao valor de Israel como povo escolhido. “Responda a pergunta que propus no final do post: Do lado de quem os cristãos estavam quando Roma invadiu Judá? Os cristãos judeus lutaram de que lado? Os cristãos romanos lutaram de que lado? Responda essa pergunta e você verá com base em quê eu afirmo que um cristão não pode servir o exército de seu país.”

Contra-argumento: A vida do cristão é uma vida de contradições e “saias justas”, ele enfrenta dilemas entre os amigos, na escola, no serviço, dentro da comunidade. E temos dificuldades, às vezes nossa ação não é a melhor, às vezes nem discernimos qual a ação mais adequada. Estes dilemas não se restringem de forma alguma às três carreiras citadas. Alguns argumentarão que a ética cristã exige “dar a outra face”. Este é um preceito que precisa ser entendido dentro de cada contexto, na vida pessoal. Mas só na vida pessoal, não é um preceito que se aplique a grupos, só a indivíduos. Ninguém tem o direito de “dar a outra face de terceiros”. Este princípio não pode ser a negação da legítima defesa, pois a negação da legítima defesa é a própria cumplicidade com o crime, como vemos ocorrer atualmente no Brasil, onde os criminosos são “vítimas da sociedade” e as vítimas são “os culpados pelos crimes dos criminosos”, segundo a mídia e a academia. É certo que o Cristo não pregaria a cumplicidade com o crime. Portanto, não existe contradição essencial entre as carreiras política, militar e policial e a ética cristã, mas apenas os dilemas comuns, em qualquer carreira.
No caso da luta contra os romanos, o princípio da autoridade civil não é absoluto. Rebelar-se contra uma potência estrangeira não é errado em princípio, e muitos judeus e cristãos os fizeram. Os judeus agiriam bem em se juntar à revolta? próprio Jesus já havia respondido “31 Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? 32 De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.” (Lucas, capítulo 14).

ARIANOS E TRINITARIANOS INVERTENDO DE POSIÇÃO

Os Testemunhas de Jeová são um grupo ariano moderno, isto é, fizeram renascer a doutrina de Ário, bispo cristão que pregava que o Cristo não era Deus. É um grupo que rejeita a doutrina da trindade, ou qualquer doutrina que veja o Filho como o Deus Todo Poderoso. Os TJ identificam Jesus com o arcanjo Miguel.
O ponto que mais chama a atenção nesse debate em torno da propriedade ou não da carreira militar para os cristãos, é que o EXÉRCITO romano após Constantino, tornou-se uma instituição essencialmente ARIANA, em oposição ao restante da sociedade, que seguia o trinitarianismo ou outras doutrinas. Os militares romanos viam a doutrina trinitariana, o modalismo, o unitarianismo, etc, como erros dos “incongruentes” civis. Suponho que um romano do fim da antiguidade ou do início da idade média, que pudesse conhecer o que se passa hoje, se espantaria em ver os crentes de muitos grupos cristãos trinitarianos, unicistas ou modalistas exercendo o ofício militar sem problemas, enquanto os arianos são os anti-militaristas. Nada como um dia depois do outro.


CONCLUSÃO

Qual a origem do instinto gregário humano? Suponho que o Criador nos dotou da capacidade de agir em conjunto, e exercer nossa ação política e social, com o objetivo de dar aos homens instrumentos adequados para o exercício da justiça e, principalmente, para que nos realizemos também na vida em comum.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

OS PRIMEIROS CRISTÃOS CRIAM NA TORAH ORAL ?


Tem sido afirmado por alguns que os primeiros cristãos, sendo judeus praticantes, criam na Torah oral. Pretendo opinar que não, com base nos argumentos abaixo:

  1. A prevalência do judaísmo rabínico hoje, é numericamente muito grande, mas isto não era verdade no primeiro século. Os saduceus tinham uma influência importante, e existiam muitos outros grupos fora das linhas mais influentes. Hoje mesmo os judeus não ortodoxos não tem referência histórica fora da tradição rabínica, a não ser os minúsculos grupos caraítas, descendentes da união dos saduceus com outros grupos não rabínicos.

  2. A discordância dentro da tradição farisaica era muito grande com diversos grupos disputando, e dois grandes pólos, a escola de Shamai e a de Hilel. As discordâncias entre essas escolas era intensa e degenerou até mesmo em violência física de discípulos da tradição de Shamai contra discípulos da tradição de Hilel. Quando Yeshua (Jesus) pregava ao povo, citava constantemente rabinos anteriores, quer concordando, quer discordando. Concordava mais com o ensino de Hilel, embora, no caso do divórcio, tenha favorecido uma interpretação mais rígida, semelhante à de Shamai. Quando de sua morte, alguns podem ter interpretado que, mais uma vez, os intérpretes alinhados com Shamai haviam usado a violência para vencer.

  3. A tradição rabínica apresenta os debates dos mestres como uma tradição dada por Deus, onde as diferentes e conflitantes posições dos debatedores são todas verdadeiras, cada uma ao seu próprio modo. Mas é um anacronismo crer que essa síntese entre os divergentes, feita a partir de Akiva, fosse aceitável no primeiro século. Vou dar um exemplo: Hoje, às vezes assisto a algum documentário na tv falando de conflitos antigos, seja entre romanos e cartagineses, ou gregos e persas, ou alemães e aliados, ou americanos e soviéticos. Assistindo, no conforto de um sofá, a um conflito que já terminou, é fácil concentrar-se apenas na comparação entre as técnicas, as armas, as táticas e as estratégias. Um conflito de vida ou morte pode ser, para um espectador não engajado, um exercício e uma diversão intelectual, onde tudo que ambos os lados fizeram é uma lição útil, e compõe uma rica tradição legada pela história. O mesmo se pode dizer sobre todos os debates e desentendimentos do passado, pois é no fragor da luta, seja física seja de idéias, que a percepção humana mais se revela. Mas é num momento posterior, quando o debate ou a luta já terminou, que vemos assim. Para aqueles diretamente envolvidos o que importa é vencer, firmar sua posição, convencer os outros daquilo que crê ser verdadeiro. Mais ainda, em muitos casos o debate degenera em conflito de egos e de poder político, criando amargura e ressentimento. O mesmo aconteceu em relação aos debates sobre as interpretações da Torah. Os mestres tinham opiniões, tinham também ligações pessoais e políticas, tinham ressentimentos até. Durante a época imediatamente anterior e posterior a Yeshua, o debate estava novo ainda, os rabis criam que, em cada assunto, uma posição era CORRETA, e devia ser defendida, e qualquer outra estava ERRADA, e devia ser combatida. É claro que poderiam haver muitos assuntos em que mestres poderiam dizer “não sei a resposta correta”, mas dificilmente diriam que duas respostas contraditórias estariam ambas corretas, pois parece difícil crer que tal idéia de síntese pudesse se formar em tal ambiente de ânimos exaltados. Foi neste contexto que veio o Messias, assumindo posição sobre cada questão (e pior, ficando freqüentemente com a posição politicamente mais fraca).

  4. Dentro desse contexto, não havia o que HOJE se chama de 'Torah Oral”. Os mestres criam numa tradição que vinha desde Moisés, mas não poderiam associar o ensino de Moisés a uma síntese antes que o debate esfriasse. Todo judeu religioso do primeiro século (incluindo aqueles que posteriormente foram chamados de cristãos) tinham opiniões específicas. Quem quer que cresce em alguma “Torah oral”, no primeiro século, certamente não creria na SÍNTESE POSTERIOR que hoje é chamada “Torah oral”. Só poderiam crer no que já existia, não no que seria criado nos séculos futuros, isto é a idéia de que as interpretações divergentes dos rabis foram dadas por Deus.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

ABUSO

O abuso dos pastores sobre as ovelhas é um dos piores males dentro da Igreja evangélica atual. Leia o artigo, no endereço abaixo, e medite: Uma ovelha abusada deve afastar-se de seus abusadores. A excessiva paciência das ovelhas é causa de haver tão grande número de pastores abusadores. Caso as ovelhas não aceitassem os "obreiros fraudulentos" (como o apóstolo Paulo os chamava), eles desistiriam do seu "ministério", e talvez até se arrependessem do mal que tem praticado. Desta forma estas pessoas estariam fazendo bem não só a sí próprias, mas à Igreja de Cristo. Não falo isso a respeito das falhas comuns do ser humano, pois pastores erram como todo mundo. O que falo são de "pastores" que seriam desaprovados pelos critérios que a própria Bíblia estabelece. O apóstolo Paulo não condescendia com ministros que não se mostravam dígnos. Até mesmo os diaconos teriam de ser provados primeiro.

Se você se sente abusado na igreja onde está, faça um bem a si mesmo e à Igreja de Cristo. Saia.

http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=1276

Segredo não secreto

O que ocorreu nos últimos dezessete anos no Brasil é provavelmente um caso único na história. Pela primeira vez algo não secreto foi tornado secreto sem censura, mas apenas pelo poder de intimidação das esquerdas, muito antes do PT atingir o poder.

http://www.olavodecarvalho.org/semana/080131jb.html

domingo, 3 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Os céticos sobre o aquecimento global I

Um dos mitos espalhados pela imprensa é que os céticos em relação à CauSA HUMANA do aquecimento global são alguns cientistas sem nenhuma experiência ou respeitabilidade. Mas um cientista do porte de Marcel Leroux nunca creu nessa ladainha:

http://mitos-climaticos.blogspot.com/2005/09/um-livro-sublime.html



E veja um artigo impressionante dele:

http://resistir.info/climatologia/impostura_cientifica.html

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Massas

"Diante de uma só pessoa, podemos saber se é massa ou não. Massa é todo aquele que não atribui a si mesmo um valor -- bom ou mau -- por razões especiais, mas que se sente 'como todo mundo' e, certamente, não se angustia com isso, sente-se bem por ser idêntico aos demais. (...)Quando se fala de 'minorias especiais', a habitual má fé costuma distorcer o sentido dessa expressão, fingindo ignorar que o homem especial não é o petulante, que se julga superior aos outros, mas o que exige mais de si mesmo que a maioria, ainda que não consiga atingir essas exigências superiores. E é indubitável que a divisão mais radical que deve ser feita na humanidade é dividi-la em duas classes de criaturas: as que exigem muito de si mesmas e se acumulam de dificuldades e deveres, e as que não exigem de si nada de especial, para as quais viver é ser a cada instante o que já são, sem esforço para o aperfeiçoamento de si próprias, bóias que vão à deriva."
Ortega y Gasset em A Rebelião das Massas

Blog "Bolkonsky espera"
http://duhem-quine.zip.net/index.html

Chesterton, esse exelente católico inglês.

Filosofia para a sala de aula - G. K. Chesterton (tradução de Roberto Mallet. )

O que o homem moderno precisa aprender é simplesmente que todo argumento tem em sua base uma suposição; isto é, algo de que não se duvida. É claro que você pode, se quiser, duvidar da suposição que está na base de seu argumento, mas nesse caso estará começando um argumento diferente com uma outra suposição em sua base. Todo argumento começa com um dogma infalível, e esse dogma infalível só pode ser discutido se recorrermos a algum outro dogma infalível; você jamais poderá provar seu primeiro enunciado, ou então ele não será o primeiro. Isso é o bê-á-bá do pensamento, que tem um ponto especial e positivo: pode ser ensinado na escola, como o outro bê-a-bá. Não começar uma argumentação sem antes declarar seus postulados é algo que pode ser ensinado em filosofia como é ensinado em Euclides, numa sala de aula comum com um quadro-negro. E penso que deveria ser ensinado de maneira simples e racional mesmo para os jovens, antes de saírem para as ruas e serem entregues à lógica e à filosofia dos meios de comunicação.
Muito da nossa confusão sobre religião e das nossas dúvidas advém disto: nossos céticos modernos sempre começam afirmando aquilo em que não acreditam. Mas mesmo de um cético queremos saber primeiro em que ele acredita. Antes de discutir, precisamos saber o que é que não se discute. E essa confusão aumenta infinitamente pelo fato de que todos os céticos do nosso tempo são céticos em diferentes graus da dissolução que é o ceticismo.
Agora, você e eu temos, espero, esta vantagem sobre todos esses hábeis novos filósofos: não estamos malucos. Todos nós acreditamos na Catedral de São Paulo; muitos de nós acreditam em São Paulo. Deixem-nos afirmar claramente este fato, que acreditamos em um grande número de coisas que fazem parte de nossa existência, e que não podemos demonstrar. E por ora deixemos a religião fora de questão. Afirmo que todos os homens sãos acreditam firme e invariavelmente em um certo número de coisas não demonstradas nem demonstráveis. Permitam-me apontá-las resumidamente:
1ª. Todo homem são acredita que o mundo ao seu redor e as pessoas que nele estão são reais, e não uma ilusão sua, ou um sonho. Nenhum homem começa a incendiar Londres na crença de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas o fato de que eu, emqualquer momento dado, não estou em um sonho não está demonstrado nem é demonstrável. O fato de que existe alguma coisa exceto eu mesmo não está demonstrado nem é demonstrável.
2ª. Todos os homens sãos acreditam não somente que este mundo existe, mas que ele é importante. Todo homem acredita que há em nós uma espécie de obrigação de nos interessarmos por essa visão ou panorama da vida. O homem são consideraria errado o homem que dissesse: Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Sei que uma velha senhora está sendo assassinada no andar de baixo, mas estou indo dormir. Que exista alguma obrigação de melhorar as coisas que não foram feitas por nós não está demonstrado nem é demonstrável.
3ª. Todos os homens sãos acreditam que há algo que chamamos eu, ou ego, que é contínuo. Não há um centímetro de matéria em meu cérebro que permaneça a mesma de dez anos atrás. Mas seu salvei um homem em uma batalha há dez anos atrás, sinto-me orgulhoso; se fugi, sinto-me envergonhado. Que haja algo como esse "eu" que permanece não está demonstrado nem é demonstrável. E isto é mais do que não demonstrado ou demonstrável, é matéria de discussão entre muitos metafísicos.
4ª. Por fim, a maioria dos homens sãos acredita, e todos os homens sãos na prática assumem-no, que eles têm poder de escolha sobre suas ações, e que são responsáveis por elas.
Seguramente é possível estabelecer alguns enunciados simples, modestos como os acima, para fazer com que as pessoas saibam em que apoiar-se. E se o jovem do futuro não deverá (no momento) ser instruído em nenhuma religião, poderá ser ao menos ensinado, clara e firmemente, sobre três ou quatro sanidades e certezas do pensamento humano livre. "

Postado no blog "A Furiosa"
http://afuriosa.blogspot.com/2007/12/cherterton-e-rabanadas.html]

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O CAPÍTULO 10 DA CARTA AOS ROMANOS


As igrejas batistas tem uma forma de organização bastante diferente da maioria dos outros grupos religiosos. Cada igreja batista é autônoma em relação às outras igrejas batistas, tendo como única ligação um certo corpo doutrinário em comum (que geralmente é tão pouco específico, que convivem na mesma igreja irmãos calvinistas e arminianos, pós-milenistas, amilenistas e pré-milenistas), e também algumas organizações criadas pela cooperação entre as igrejas. O governo é feito pela própria congregação (o povo pertencente à igreja), representada por um conselho ou uma diretoria, eleita por democracia direta. Todos os que recebem salários (inclusive pastores) têm seu rendimento determinado pela diretoria, que prestas contas periodicamente à congregação. Grande parte (ou a maior parte) do trabalho é voluntário, feito por pessoas comuns, que dispõem de algum tempo, e toda verba da igreja vem da própria congregação, sendo parte dela entregue, pelo povo, com finalidade específica, que obrigatoriamente deve ser respeitada pela diretoria. Entre as principais verbas “carimbadas” estão auxílio aos carentes e sustento dos missionários, seja pela própria igreja, seja por alguma associação de igrejas. Tais missionários são enviados a locais pouco evangelizados, com a finalidade de pregar o evangelho e implantar igrejas novas.
É freqüente nas igrejas batistas que o levantamento de verbas para missionários seja feito, principalmente, numa certa época do ano. Eu lembro de ter visto muitos cultos especiais, sempre na mesma época do ano, onde eram dados relatórios do trabalho dos missionários, e solicitada a contribuição do povo para o pagamento de seus salários. Eu achava interessante que, apesar de haverem muitos textos na Bíblia que falam de missionários e evangelização, geralmente o texto mais lido era o capítulo 10 da Carta de S. Paulo aos Romanos, nos versos 14 e 15. A implicação da leitura deste texto seria que não haverá salvação para as pessoas se não houver pregação do evangelho.
Bom, nada contra a pregação do evangelho, é um tema em que os autores do Segundo Testamento insistem bastante. Mas para quem lê com alguma atenção a Carta aos Romanos, está evidente que o significado dos versos citados é bastante diferente do suposto. Para expor sua argumentação, o emissário (apóstolo) Paulo usa o recurso de um debatedor fictício, que dialoga com ele, dando-lhe a oportunidade de apresentar seus argumentos como se fosse num diálogo. O argumento que ele está desenvolvendo é que grande parte do povo judeu não aceitou a mensagem de Deus. Neste ponto, o debatedor fictício coloca a possibilidade de que talvez a mensagem não lhes tenha sido apresentada, e é este o significado dos versos 14 e 15, dando a entender que não teria havido falha realmente do povo de Israel, ao que Paulo argumenta que eles ouviram sim a palavra do Eterno. Se alguém quisesse tirar algum ensino soteriológico deste texto, poderia ser perfeitamente o de que as pessoas não são condenadas se não ouvirem a palavra de Deus. Mas isto é precisamente o oposto da implicação que era dada na leitura deste texto, naquela época do ano.
Bom, mas alguém poderá argumentar que usar apenas esse texto para definir a doutrina da salvação (um termo de significado bastante amplo) na Bíblia é ir além do que se deve. É precisamente isso que quero dizer.

IMPRENSA GOLPISTA, OPOSIÇÃO GOLPISTA...



Eu estava matutando, tentando entender como é possível que a imprensa e a oposição sejam chamadas de golpistas. FHC e Artur Virgílio vão a público e assumem que aliviaram a barra do Lulla. A mesma imprensa que publicava as teoria malucas (e comprovadamente falsas) do promotor Torquemada sobre Eduardo Jorge, agora evita falar do que é publico e notório. E quando falam, dão um jeito de dizer que é um desvio do propósito santo e justo do partido governante.
Mas falava eu sobre o promotor Torquemada e sua estranha forma de fazer “justiça”. Para quem não sabe, ele apresentava “provas” contra Eduardo Jorge, as quais eram consideradas como insuficientes sequer para abrir um processo. Então ele vazava essa mesmas “provas”, já previamente julgadas insuficientes, e as revistas “isto é” da vida as publicavam. De posse das reportagens, apresentava-as, dizendo que agora a imprensa estava confirmando suas suspeitas. E abria um processo. Perseguiu durante anos uma pessoa, sem nunca provar um nada. Naquela época, para quem não se lembra, era considerado “cool” julgar os governantes sempre culpados de tudo. Até o plano Real foi considerado como apenas um truque eleitoral de curtíssima duração. Desapareceria logo após a primeira eleição de FHC.
Agora há provas saindo pelo ladrão (desculpem o trocadilho involuntário), mas a imprensa e a “oposição” só aliviam a barra. Dizem uma coisa ou outra, só para não dar muito na cara. E o burro aqui pensando, “o que será que essas pessoas querem dizer com golpista”? Bom, acho que minha burrice tem limite, e finalmente eu entendi: Se Lulla der um auto-golpe, uns 70% da imprensa e das “oposições” o apoiariam. Talvez, tergiversem, façam muxoxo, mas apoiariam. São golpistas sim, mas a favor.

OLAVO DE CARVALHO, ESSE DOIDO...

O Olavão é doido, todo mundo sabe. Não estou dizendo que ele diga, de vez em quando, algumas bobagens, isso todo mundo faz. Estou falando que ele é doido de pedra! Como sabemos disso? É muito simples, ele está o tempo todo falando de conspirações das esquerdas sul-americanas, reunidas em conjunto num fictício Foro de São Paulo (agora o maluco do presidente Lulla deu pra falar nesse tal foro também, vai ver que são amigos). Ele também fala, vejam só, de uma articulação entre as esquerdas e grandes grupos econômicos do primeiro mundo. Como se alguma revolução comunista (a russa, por exemplo) tivesse tido qualquer apoio de alguns grandes capitalistas internacionais ... que maluquice! Só mesmo aquele maluco do Soljenitsin para dizer uma coisa dessas. Bom, sabemos que pessoas que ficam falando sobre teorias conspiratórias são doidas. Até aí, estou chovendo no molhado; metade das pessoas alfabetizadas do Brasil (talvez, uns 20 milhões?), sabe das teorias conspiratórias de OC. Agora vem a bomba ...
Há um grande número de doidos no Brasil, até gente graúda, no ministério público e magistratura! Digo e provo. Vocês já ouviram falar em acusações por formação de quadrilha, envolvendo umas quarenta pessoas ligadas ao atual governo? A acusação envolve inclusive a articulação e envio de grana ilegal entre partidos de esquerda na América do Sul. Pois bem, formação de quadrilha é precisamente o nome que traduz, no sistema jurídico brasileiro, a palavra técnica inglesa que costumam traduzir por “conspiração”. Veja, o número de doidos falando de conspirações é enorme, quase todo dia há alguma notícia na imprensa sobre gente sendo acusada de formação de quadrilha. Até prendem pessoas por causa dessas teorias insanas. Vejam só que o próprio procurador geral da república caiu nessa esparrela. Não bastasse isso, aqueles magistrados do STF, de aspecto tão sério e respeitável, chegaram ao ponto de aceitar essa denuncia maluca.
Bom, agora você já sabe, toda vez que falarem em formação de quadrilha, pode responder: “deixe de lado essas teorias de conspiração, ô maluco”!!! Assim você será coerente com o conhecimento inegável de que pessoas que falam em teorias conspiratórias são sempre malucas. Ou, alternativamente, você pode também verificar se existem mesmo indícios de formação de quadrilha. Bom, vejamos: Lulla, Chavez, Evo, FARC, reunidos ... ainda mais com o apoio de esquerdistas americanos ou europeus... Não, definitivamente NÃO!! A própria reação violenta e exagerada de Lulla ao justo roubo das refinarias pelo cocaleiro já é uma prova evidente de que eles não tem nenhuma ligação. Também vemos que o governo brasileiro tem, constantemente, externado sua apreensão com as mudanças que vem ocorrendo na Venezuela. Isso para não falar na reação do PT, feroz crítico de qualquer medida autoritária de Chavez e inimigo figadal da violência das FARC, conforme elas mesmas declararam em nota à imprensa, logo após a eleição de Lulla. Quanto ao apoio de esquerdistas estrangeiros, também é um absurdo. Oliver Stone e Naomi Campbell não foram até a Venezuela, para externar seu descontentamento com Chavez? Além disso você pode ler a grande mídia americana, principalmente os jornalistas mais à esquerda, dizerem constantemente: “As FARC não são uma insurreição legítima do povo colombiano e o governo venezuelano não é nada democrático”. E sempre vemos o Jimmy Carter, batendo forte no governo cubano e nos governos esquerdistas sul-americanos. Também é conhecimento corrente que igrejas e organizações de esquerda européias boicotam sistematicamente os movimentos sociais de esquerda sul-americanos. Pronto, está provado, essas teorias conspiratórias são uma maluquice.
Mas mesmo que acreditássemos na realidade da articulação entre os esquerdistas das Américas e as FARC, ainda assim não se poderia falar de formação de quadrilha ou associação para o crime. Novamente, digo e provo: As FARC são, reconhecidamente, sociedades beneméritas, que auxiliam grandemente os povos das Américas. Suprem uma necessidade vital, a cocaína e o crack, tão importantes para a melhoria da percepção interior de nossa juventude. Ajudam também os nossos garotos a terem uma vida mais plena e livre. Garotos que levariam uma vida chata, sem emoções, correm de arma em punho, num ballet de saltos sobre os morros, jogando uma forma muito mais realista de paint-ball. Só no Brasil, são mais de 50.000 baixas ao ano, o que revela o gosto de nossos garotos pela coisa. Na Colômbia, essas organizações políticas legitimas, que contam com o apoio maciço de 3% da população (certamente contando entre esses as importantes classes de plantadores de coca, mulas, bandidos comuns e outros grupos de vanguarda da sociedade), são coibidas de forma inexplicável por um governo ilegítimo que detêm, vejam só apenas uns 80% de apoio popular, tendo sido eleito pelas ilegítimas regras da democracia burguesa (argh!). Em sua sanha criminosa, esse governo prendeu inúmeros membros de tal sociedade benemérita, de forma totalmente arbitrária, apenas por eles terem praticado irregularidade legais. Diferentemente, os membros das FARC têm a gentileza de não fazerem reféns entre os soldados e policiais...
Mas a bondade das FARC não acaba aí: fazem um importante trabalho de ensino, arriscando-se ao levar os seus alunos, adultos e crianças, à selva mesmo contra a vontade deles (não é culpa dos guerrilheiros se há pessoas que recusam-se a ir voluntariamente). Ensinam crianças desde pequenas a torturar, desmembrar e matar seus próprios amiguinhos, o que é uma importante atividade educacional. Depois permitem que as crianças sobreviventes participem da nobre missão de matar mais pessoas.
Provei portanto que, mesmo que houvesse alguma verdade nas estapafúrdias afirmações de articulação entre partidos de esquerda e guerrilheiros, não pode haver nenhum crime em ajudar pessoas tão beneméritas.
Portanto deduzo que aqueles que falam desse tal Foro de São Paulo são uns malucos e aqueles jornalistas que defendem, aberta ou veladamente, a honra das FARC não são doidos, de forma alguma!
Nem calhordas!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Proposta de blogagem coletiva

Propus ao Blogildo uma blogagem coletiva. Cada um escreveria seu texto, comparando Judas, esse petralha da antiguidade, com os petralhas atuais, em qualquer país do mundo. Um bom texto para citar seria este, em que a irmã de Lázaro unge os pés de Jesus (Evangelho segundo S. João, capítulo 12):

2 Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.
3 Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento.
4 Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: 5 Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?
6 Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.7 Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; 8 porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.

No dia da malhação de Judas, malhemos os seus sucessores...

PS.: Talvez eu não tenha sido muito claro num aspecto. Quando falo da atitude petralha de Judas, não falo apenas de fazer um discurso de defesa dos pobres com a intenção de roubar. Falo de usar a ideologia com objetivo de fazer o mal, qualquer que seja ele. Mas do que isto, falo de defender uma ideologia que parece bonita à primeira vista, mas que carrega em sí a justificação do mal sem limites.

Aquecimento global

Tirando as máscaras...

http://ceticismo.wordpress.com/2007/10/16/uma-verdade-inconveniente-sobre-o-aquecimento-global/

domingo, 20 de janeiro de 2008