domingo, 26 de outubro de 2008

MARXISMO INTERNO III

CONTRÁRIOS
Revoluções são ideológicas, não idealistas, e quem sabe a diferença entre estas duas palavras, entenderá o que vou dizer.
Freqüentemente se diz que as revoluções (isto é, as tomadas do poder por outros grupos e as mudanças planejadas do panorama geral das idéias difundidas) são feitas pelas “massas oprimidas”. Dizem isto por que ficaria mal dizer “este é um movimento planejado por gente que já é poderosa, por interesses ocultos e financiado com muita grana de banqueiros”. É claro que fica bem mais atraente a seguinte frase: “este é um movimento nascido espontaneamente das massas oprimidas, com objetivos claros (aqueles declarados explicitamente) e com grande dificuldade de financiamento”. Alternativamente pode-se não falar nada sobre financiamento, para que o público não pare para pensar nisso.
Mas a verdade bem conhecida (e Marx sabia disso quando disse o contrário) é que, com exceção dos movimentos nativistas, geralmente não há nada de “natural” nas “causas” das revoluções (com isto não quero dizer que não haja interveniência de outros fatores nos movimentos nativistas, mas a causa primeira deles geralmente não é artificial). Não é a luta contra a fome de alimentos, de liberdade, ou de justiça o seu objetivo real, pois geralmente elas levam a uma situação de mais fome, servidão e injustiça. Fossem movimentos naturais, não planejados, que seguissem seu próprio curso pela simples ação de busca do melhor pelo povo, certamente a situação de descalabro posterior (as piores fomes, genocídios e injustiças ocorreram após as revoluções) levaria naturalmente o povo a mudar o rumo dos acontecimentos e restaurar a situação anterior. Mas não é isto que acontece, o povo não tem poder real para fazer isto, de repente descobre que está numa via de mão única. Freqüentemente as revoluções ocorrem após uma época de grande crescimento econômico, que conduziria de forma natural o país a uma situação de prosperidade e é a própria revolução que aborta tal futuro natural, usando como combustível a insatisfação com qualquer crise passageira. Quando o povo acorda, vê que foi criada uma nova casta de burocratas, em cujo topo estão os dirigentes do país, e que ele, o povo, que tinha liberdade de ação antes, não tem mais nenhuma.
Igualmente, as revoluções culturais, criadas pelas mesmas fontes que criam as revoluções políticas são o reverso daquilo que pretendem ser. Costumam se dizer não religiosas, naturais, libertárias e feitas por pessoas desinteressadas em dinheiro, mas tem inspiração em doutrinas esotéricas, são planejadas a longo prazo, produzem coação sobre o povo e são financiadas fartamente por fontes ocultas ou semi-ocultas.

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