sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

TABAGISMO

“...repreende o sábio, e ele te amará.” Provérbios 9:8. Sagradas escrituras

O filósofo Olavo de Carvalho expressou mais uma vez, no seu último talk show, uma opinião a respeito do cigarro, baseada em uma interpretação ruim das estatísticas. Conforme sua opinião, o cigarro seria inócuo (isto é, não abreviaria a vida), visto que a idade média de óbito dos fumantes é igual à da população em geral, nos EUA. Este resultado estatístico tem tido pouca publicidade, a não ser em publicações especializadas, o que levou Olavo a concluir que se pretende ocultar da população que o cigarro não causa dano à saúde. Ele argumentou também através de exemplos de pessoas fumante e longevas. Eu poderia citar exemplos de pessoas que ficaram muito doentes por causa do cigarro, inclusive uma pessoa que visitei a poucos dias. O melhor ataque à questão é realmente pelo estudo estatístico, e nesse campo, Olavo erra. Seu erro é explicável, e a maioria dos leigos na ciência estatística o cometeria.

Tal resultado estatístico seria assim corretamente interpretado se o único vício existente fosse o tabagismo. Mas há muitos outros vícios, os quais diminuem a expectativa de vida média do povo. Tais vícios, como crack, cocaína, maconha, etc, são muito mais nocivos à saúde do que o tabaco, causando uma diminuição muito maior da expectativa de vida. Para decidir se o cigarro diminui a expectativa de vida ou não, a população de fumantes (sem outros vícios químicos) deve ser comparada à população das pessoas sem vícios químicos. Além disso, a medicina atual pode atuar para diminuir os resultados negativos do tabagismo, de forma muito mais eficaz do que há anos atrás. Por exemplo, uma pessoa que morreriam aos 60 anos, de câncer, pode ter sua expectativa de vida estendida por tratamentos modernos.

Há mais uma questão. Por algum motivo, algumas drogas parecem se atrair, e outras se excluem. Normalmente o tabagista gosta muito de café. Entretanto, quer por motivos químicos, quer por motivos sociais, o usuário de tabagista normalmente não usa certas drogas muito comuns e bastante danosas.

Essas drogas mais fortes, além do prejuízo direto à saúde, estão frequentemente associadas a um estilo de vida insalubre e perigoso, que abrevia muito a vida de grande parte dos seus usuários. Em relação a tais pessoas, um tabagista “careta”, trabalhador e de estilo mais familiar, tem uma expectativa de vida muito maior. Olavo de Carvalho vê, na publicação incompleta das pesquisas, uma intenção de ocultação. Talvez o que se pretenda ocultar é que as drogas fortes e bastante difundidas que se intenta liberar, são tão mais danosas que o tabaco que a população tabagista “puxa” a expectativa de vida para cima. Seria interessante ver uma pesquisa estatística completa, que comparasse a população sem vícios químicos com aquelas sob os efeitos das diversas drogas sozinhas e em interação, bem como as compatibilidades e incompatibilidades entre as drogas.

Também observou OC que alguns grupos “politicamente corretos” que se opõe fortemente ao tabagismo, fazem forte campanha pela descriminalização de outras drogas, muito mais danosas. Talvez tais grupos tenham identificado alguma incompatibilidade química entre o tabaco e alguma droga que eles queiram popularizar (ainda mais). Alguém poderia pensar que, neste caso, o tabaco teria um efeito profilático e, portanto, valeria a pena para o tabagista continuar fumando. Mas isto não é verdade. Ex-tabagistas não costumam adquirir outro vício químico.

Mas concordo com o ponto principal do argumento de Olavo de Carvalho. É muito estranha a intensa campanha anti-tabaco, acompanhada de uma forte pressão para liberação de todas as drogas. Qual a justificativa para coibir legalmente uma droga com efeitos sociais tão limitados como o cigarro? O tabagista não fica alterado, não comete violência, não pratica crimes, não fica com a mente EMBOTADA.

3 comentários:

Blogildo disse...

Estatística é um terreno espinhoso. Mas entendo seu argumento e o do Olavo. Contudo o que me faz ser contra o tabaco são princípios bíblicos e não a ciência.

Renato Ulisses de Souza disse...

Concordo com seu ponto. Mas é a política pública em relação ao cigarro e às outras drogas que Olavo discutiu. Neste aspecto, o mais importante é o impacto social.

João Batista disse...

Acontece que dos dois exemplos anedóticos, somente o seu é conhecido e espalhado pela mídia e pelos governos.

Mas se o cigarro é inócuo para um tanto de indivíduos e não a outros, então a inocuidade do cigarro depende de outro elemento. Que é o sujeito fumante. Que é engolido por médias estatísticas. Em média.

A medicina atual na verdade colabora tanto com os drogados quanto com os fumantes quanto com a “população em geral”, que morre de outras coisas, e se é possível “sobreviver” ao fumo mais do que às drogas, trata-se novamente de fato ignorado. Também temos os programas de “redução de danos”, onde no caso das drogas o fulaninho pode aproveitar as “doses seguras”, que se diz não existir para o cigarro, que se prega rejeitar e esquecer, e não “consumir com segurança”.

Agora, a tal pesquisa precisaria levar em consideração as diferenças de fumo e morte entre negros, índios e brancos (ou do que se tratar em cada país), além de, obviamente, homens e mulheres, e os coitados dos participantes do grupo abstêmio teriam de passar a vida numa biosfera hermética para garantir que não respirassem qualquer fumaça etc. e tal, ou que fumassem escondidos, e vice-versa. Sem o controle rígido, contando apenas com os critérios subjetivos e a memória falha dos participantes, se tem apenas estimativa imprecisa na melhor das hipóteses, e fraude na pior.

Infelizmente, é um pouco complicado encontrar voluntários para tal empreitada, mas é este o estudo epidemiológico que falta para medir com precisão, afinal, o grau de inocuidade do cigarro.